domingo, 4 de outubro de 2009

Lembranças de um clássico na baixada

Foto: Binóculo Verde

Minha esposa é professora de Bioquímica de uma Faculdade próxima da cidade.

Em 2007 ela levou os alunos para um congresso de estudantes de biologia em Campinas, o chamado CAEB. Foi mais ou menos nesta mesma época, mas pegando o feriado do dia 12.

Ela passou a semana com os estudantes em Campinas e nos últimos dias de Congresso, a encontrei para irmos para Santos, no intuito de pegar uma praia e eu assistir ao clássico na Vila.

No dia seguinte que chegamos à Santos fui comprar meu ingresso, pra ficar junto com a torcida que canta e vibra. Pra minha surpresa ja tinha-se esgotado os ingressos para a torcida do Palmeiras, restando apenas para cadeiras onde ficaríamos misturados com a torcida peixeira (40,00) ou então ficando no meio da torcida do Santos (20,00). Preferi pagar mais caro, mas poder torcer mais "tranquilo".

Chegado domingo, deixei minha esposa no hotel (ela tava morrendo de vontade de ir, mas como meu filho tinha pouco mais de 1 ano, ele não poderia entrar), e fui em direção à vila. Não fui com uma camisa do Palmeiras, pois como estava indo sozinho, fiquei receoso de passar pelo meio da torcida do Santos, mas fui com uma camisa gola polo, toda com detalhes verdes.

Estacionei próximo à um canal que não me recordo o nome e caminhando até o estádio. Chegando perto do estádio, tinha vários botecos cheio de santistas, fui andando sem ficar olhando para os lados e chamar atenção.

De repente escuto: Pega o porquinho! Pega o porquinho! Foi aí que me dei conta que tinham me percebido. Continuei caminhando até o estádio, mas agora com passadas mais rápidas.

Chegando ao estádio, fui até o portão indicado para a entrada. Neste momento, fiquei ao lado do ônibus da Mancha, que ficava gritando o tempo todo tentando levantar o ônibus. Neste momento senti ali próximo um clima de "guerra", mas gostei muito.

Logo que entrei no estádio e passei pela catraca, tinha um cara que pegou meu ingresso e não colocou na mesma, colocando-o em seu bolso. Com certeza para revender. Prejuízo para o clube santista.

Como cheguei bem cedo, fiquei esperando ansioso pela partida. Ao meu lado tinha um senhor de idade, palmeirense. Do outro lado, vi 3 gerações de torcedores santistas. Achei muito bonito, pois na minha, tenho meu avô, pai, irmão, tios e primos, todos torcedores alviverdes.

Começado o jogo, percebia a tensão no ar. Jogo parelho, mas tinha algo estranho. Percebia que o torcedor mais novo torcia mais quando o Palmeiras atacava do que o inverso. No primeiro tempo, o Palmeiras vencia a partida por 1 x 0, gol olímpico do Caio.

No intervalo, comecei a conversar com o garoto, dizendo-lhe as impressões que possuía dele. Pra minha surpresa, ele disse que tanto ele, quanto o pai e o avô eram palestrinos, mas o pai dele o fez vestir a camisa do Santos para não ter problemas com a torcida. Entendi o lado do pai, querendo proteger seu rebento, mas não sei se faria o mesmo.

No segundo tempo, o Santos empatou a partida, gol do Renatinho, terminando em 1 x 1. O Santos era treinado na época pelo Luxemburgo, enquanto que o Palmeiras era comandado pelo Caio Júnior.

Terminada a partida, saí do estádio, peguei a maior chuva em direção ao meu carro e voltei para o hotel, para os braços de minha mulher e filho.

Ótimas lembranças.





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