terça-feira, 19 de outubro de 2010

Uma mãe com "M" Maiúsculo

Me perguntaram por estes dias o motivo de estar postando uma história de um garoto que nem está entre nós num blogue de futebol. Este mesmo leitor sentia falta de minhas opiniões para este momento conturbado alviverde com troca de presidente, inimigos históricos tentando uma suposta aliança e outros conchavos. Prefiro fazer uma pausa sobre estes assuntos.

Além do garoto Vítor ser um palmeirense "roxo" como ele próprio diz, só este  motivo bastaria para estar postando, mas optei por estar publicando sua história e os depoimentos de seus pais, para mostrar que a vida não é só o dinheiro, o futebol ou a religião, é muito mais que isso. Por muitas vezes deixamos de privilegiar coisas que realmente faz sentido em nossas vidas. Peço mais uma vez a reflexão e vamos aprender um pouco mais com as histórias do garoto Vítor e sua família.

O próximo capítulo da história do Vítor será do dia que fez a radioterapia, mas antes de dar continuidade, Viviani, a mãe guerreira nos mandou mais um relato:


"Hoje nossa pequena Clara está completando nove meses de vida e ela mais a Vivian, nossas meninas Palmeirenses, são as responsáveis por termos forças para seguir em frente, pois a dor da saudade que sentimos do Vitor, penso ser insuperável e, este mês de outubro nos trazem muitas lembranças por ocasião de seu aniversário que é em 25 de outubro como já contei.



Quando penso que meu filho Vitor, se estivesse aqui, estaria prestes a completar seus 15 anos, meu Deus, eu seria a mãe mais feliz do mundo se aquela doença ingrata não o tivesse levado de nós tão cedo e de forma tão sofrida, se fosse para ele escolher o que teria em sua festa de aniversário, ele com certeza ia pedir churrasco e feijoada.


Vocês já pararam para pensar que o homem já inventou muitas coisas essenciais e outras nem tanto de um tempo para cá, como por exemplo: Computador, celular, TV digital, etc., só que a cura do câncer, ou pelo menos uma vacina contra esta doença, ainda não inventaram, seria bom se as crianças, quando nascessem, pudessem tomar para ficarem protegidas e imunes por esta doença. É pena que até agora o homem não tenha conseguido nada tão eficaz. Será que falta empenho ou mesmo interesse dos órgãos Públicos e Federais para destinarem mais recursos em pesquisas, não só aqui no Brasil como também no exterior?


Em minhas orações peço constantemente que apareça a cura para esta doença ou que apareça uma vacina que a extermine, ou seja, que faça esta doença desaparecer para sempre, se é que é possível. Pena que o leite materno que previne tantas doenças infecciosas não previna o câncer,pois eu amamentei o Vitor até ele completar 2 anos e 2 meses de idade.


Sou mãe de um filho guerreiro e, por isso, procuro ser guerreira também. Não gosto de levar tristeza as pessoas. Procuro viver minha vida da maneira que vivia quando o Vitor ainda estava aqui, por isso faço as coisas que ele gostava de fazer e, também as comidas que ele sempre gostou de comer.  Uma mãe com M maiúsculo jamais se esquece de um filho e nem das coisas que ele gostava.  Tenho certeza de que assim, esteja ele onde estiver, estará feliz por mim e, também deixo minhas filhas Vivian e Clara e as pessoas que me querem bem, felizes. Não me esqueço nenhum dia de meu filho Vitor, meu primeiro pensamento é para ele e, o ultimo pensamento do dia também.


Me lembro que ele desde que ficou doente, ele precisava de mim para sair de sua cama, então quando ele acordava ele me chamava e dizia essas palavras: “bom dia mãe! Bença mãe!Eu te amo mãe! “ e depois dizia que queria levantar   e quando eu o pegava no colo, ele sempre me dava um beijo bem demorado em meu rosto.Como sinto saudades dos seus beijinhos, tinha um beijo que apelidamos de “beijo de esquimó” que era quando encostávamos nariz com nariz, coisas de mãe e filho. Graças a Deus também tenho a Vivian a qual também me dá muito beijos e a Clarinha já está quase aprendendo também. A vida continua... e o amor que tenho pelos meus filhos: Vitor, Vivian e Clara é o que me move a seguir em frente, sempre procurando ser uma mãe cada dia melhor.


O Vitor assim como a Vivian e seus priminhos, sempre gostaram de chupar cana que seu avô Zé Lovison descascava para eles e, colocava em potinhos ou bacias para nos finais de semana eles chuparem e, assim era e ainda é.


Por ocasião, me lembro que quando o Vitor estava na UTI de Botucatu-SP, logo após ser operado e estar se recuperando, meu pai foi visitá-lo e levou cana para ele chupar. Algumas enfermeiras nem sabiam o que era cana e foram perguntar para o médico responsável pela UTI naquele dia, que estava de plantão, se poderia deixar o Vitor chupar a cana que seu avô levou. Sorte que o médico sabia o que era e deixou. O Vitor adorou e o vô Zé ficou feliz vendo seu netinho Vitor chupando a cana que ele com todo seu amor tinha descascado para uma ocasião tão triste e ao mesmo tempo feliz. Triste porque o Vitor estava ali num hospital, numa UTI sem poder se levantar e mexer suas perninhas, bem diferente de quando ele chupava a cana na casa de seu avô Zé e sua Vó Maria que, era entre uma brincadeira e outra e jogando futebol com seus priminhos. Ao mesmo tempo feliz porque ele resistiu àquela cirurgia tão arriscada e, estava vivo e podia chupar a cana que tanto gostava.


Tenho em meu coração a certeza que esta cana meu pai descascou com lágrimas nos olhos e com um aperto enorme em seu coração, embora tenha também a certeza que a alegria que meu pai sentia naquele momento, por saber que seu neto estava bem apesar de tudo e podia ainda chupar da cana que ele mesmo plantou em seu quintal, o deixou feliz. Só mesmo o vô Zé para ter tido esta idéia. Alguém conhece outra pessoa que levou cana em uma UTI pediátrica?


Para o pessoal da UNESP foi um fato inédito!


Minhas lembranças cheias de emoções afloraram neste momento. Vejam fotos de Vitor com seu avô Zé e vó Maria Luiza quando o Vitor tinha se recuperado da cirurgia e voltou a andar, mesmo com dificuldades, depois de ter feito a radioterapia e a quimioterapia oral. Nesta foto o Vitor aparece fazendo o que ele mais gostava de fazer e que o vô Zé sempre gostou, que é pescar.


Queria agradecer ao carinho dos leitores que estão seguindo a história do Vitor e a de minha família também, contada por ele e agora por nós.
Nem sempre é possível saber sobre qual fato vou relatar, pois depende muito do que sinto no dia, de minha inspiração e de minhas lembranças. Porém sinto que falo sobre o que o Vitor iria gostar que eu contasse, bem é isso. Obrigada!
Continuo no próximo capítulo.




Vou tentar escrever sobre o dia que descobri que o Vitor tinha um tumor de alto grau de malignidade, enquanto ele ainda estava na UTI.


Viviani, mãe do guerreiro Vitor Lovison do Amaral."


Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

carlosalbertodoamaral@hotmail.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu Vera(Maezinha),posso dizer que não é só Mãe com M maiusculo e sim mãe guerreira,incansável e mãe Leoa,porque leoa,ela defendia e acompanhava todos os segundos do Vitor dentro daquele hospital,queria que tudo estivesse certinho,nada de errado,brigava com tudo e todos para ele se sentir bem la.
Nosso anjo da guarda que Deus nos emprestou por muito pouco tempo

Binóculo Verde disse...

Oi vera...

obrigado por visitar o blogue.

Concordo contigo, mesmo não os conhecendo pessoalmente, sinto vibrações boas de toda a família!!!