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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A História de um grande filho não termina, vive no coração de sua mãe

Tudo o que o Guerreiro Vitor tinha a dizer, foi publicado em alguns dos posts anteriores. Para facilitar toda a leitura de quem não acompanhou, farei num único post, os links para acompanharem de maneira mais cômoda sua história.

Este post de hoje, será todo dedicado para sua mãe, Viviani, uma mulher que admiro sem conhecê-la pessoalmente. Sua dedicação e perseverança foi impressionante. É a existência de pessoas como ela, que realmente faz a vida valer a pena.

"Relembrando os momentos de nossas vidas ao lado do Vitor.


Sempre levávamos o Vitor passear em Barra Bonita - SP desde que ele era ainda pequeno.  Lembro-me que a primeira vez foi em janeiro de 1996 e o Vitor tinha apenas três meses de vida.
Vitor sempre gostou muito de passear nesta cidade e nós também.


Em janeiro de 2008, quando o Vitor estava na cadeira de rodas e iria começar mais um ciclo de quimioterapia venal, resolvemos levá-lo para fazer este passeio pois era de sua vontade e havíamos combinado, antes do tumor voltar, que iríamos em janeiro.


Vitor e seu pai Carlos em Barra Bonita-SP
Tínhamos tudo para não ir, mas fomos. Nosso filho com câncer, numa cadeira de rodas, o que para outros podia parecer um obstáculo, para nós e para o Vitor não foi. Sem contar que ele iniciaria a quimioterapia na segunda-feira e nós fomos no sábado e voltamos somente no domingo a noite.


Foi realmente uma aventura cheia de muita emoção. Valeu a pena e hoje vendo as fotos deste dia, vejo que o Vitor estava feliz e curtiu cada momento do nosso passeio de férias em Barra Bonita – SP, mesmo estando em sua cadeira de rodas que, na época nem era a motorizada.


Fico pensando nas pessoas que tem tudo para aproveitar a vida e não a fazem.
Pessoas que tem o principal que é a saúde e podem se locomover com suas próprias pernas, mas passam a vida inerte, isto é, sem se mexer. Não fazem nada para si e nem para as pessoas que a rodeiam.


Uma pescaria, um passeio para uma cidade próxima, não custa caro e faz tão bem aos nossos filhos e a nós também. Não é preciso viajar para o exterior ou outras cidades de nosso próprio país para ensinarmos aos nossos filhos sobre culturas diferentes, isso eles aprendem sem sair de casa, lendo livros, pesquisando na internet e nas escolas. Mas é preciso passear com nossos filhos, passeios curtos ou demorados, isto não importa, em cidades próximas ou distantes, ou mesmo em nossa própria cidade. O importante é estamos juntos de corpo e alma, procurando fazer de cada passeio um momento único e inesquecível em nossas vidas, pois são nesses passeios que a família fica mais próxima e, os pais podem dar mais atenção aos seus filhos, aumentando assim o vínculo familiar.


Temos que pensar que aquele dia não irá voltar mais e que não teremos outra oportunidade igualzinha aquela, pois mesmo que retornemos aos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, as situações jamais serão iguais. Cada momento é único e isso precisamos saber para que façamos tudo com muito amor e carinho, alegrar os que estão em nossa volta, para alegrar nossos filhos e também a nós mesmos.


Vitor e sua família almoçando na casa de seus amigos Roberto e Amália
Voltando a falar do passeio que fizemos em Barra Bonita – SP em janeiro de 2008.
Nós não fomos com a intenção de dormir lá, pois nem levamos roupas para isto. Tinha somente levado roupas suficiente para o Vitor e para a Vivian, pois sempre tive o costume de levar trocas de roupas para as crianças quando saiamos a passeio, independente da distância, isto antes mesmo do Vitor adoecer.


Acho que quem tem filhos deve estar sempre prevenido, caso o tempo mude ou se as crianças vão se sujar ou derrubar aquele sorvete delicioso em suas roupas ou mesmo refrigerante e, então, sem estresse. É só trocar e voltar a se divertir, não é mesmo! Os meninos não ligam tanto quando isto acontece, já as meninas se incomodam em ficarem com suas lindas roupinhas sujas ou mesmo molhadas, experiência própria! Mas há exceções é claro. De qualquer modo é bom prevenir do que ficar brigando com as crianças para não se sujarem ou mesmo para não derrubarem sorvete na roupa nova, isto nada a ver não é mesmo! Como diz minha filha Vivian: “Mãe deixa eu ser feliz”. E é isso mesmo, criança precisa brincar, se sujar, se lambuzar e acima de tudo, ser feliz. O Vitor era uma criança muito feliz, podem ter certeza disso!


Lembro-me que quando ele a e Vivian eram menores, eles brincavam na terra, no barro na casa de minha mãe e se encardiam, depois eu deixava seus pezinhos de molho numa bacia com água e sabão em pó Omo, para que assim se limpassem de tão encardidos que ficavam. Pediatras de plantão, isto pode? Obs:- Eram só os pés, OK! Eles adoravam.


Uma dica, que tal inventarem um sabonete líquido que tire o encardido de terra dos pezinhos dos nossos anjinhos. Não é uma boa idéia?


Vitor ao lado do Roberto segurando seu presente
Pensei que esta seria a última viagem que fazíamos em Barra Bonita – SP com nosso filho Vitor, mas não foi. Em julho deste mesmo ano (2008), voltamos novamente com ele para mais um passeio e desta vez ele já estava com sua cadeira de rodas motorizada e, devido ao tratamento de quimioterapia e a sua doença, Vitor estava mais cansado e tomava mais remédios. Tenho para mim que ele sentia dores nesta época, só que não reclamava. Este foi nosso passeio de despedida com o Vitor e desta vez ficamos na casa dos amigos Roberto e Amália que, o conhecemos em razão do Vitor ter comprado o  quadro de argila do peixe Cachara, na banca deles em nossa viagem de janeiro 2008.    


Vitor caiu de sua cadeira de rodas motorizada neste passeio, mas por sorte não se machucou. Quem viu foi o Carlos, Roberto e a Vivian que estavam passeando com ele numa praça próximo da casa do Roberto, isto num domingo antes do jogo do Palmeiras.


Lembro-me que o Vitor quis assistir o jogo do Palmeiras pra só depois viajarmos para nossa cidade e, assim, esperamos acabar o jogo para podermos retornar para Cerqueira César – SP.


Vivian, Carlos e Vitor
Não foi um passeio legal desta vez, pois o Vitor não pescou os peixes que tanto queria; Neste dia ventou muito e, assim, não estava bom para pescaria, isto sem contar que o Vitor não se sentia muito bem e nós estávamos muito preocupados com ele e com o tratamento que não parecia estar resolvendo.


Nem sei como tivemos tanta força para procurar fazer suas vontades e distraí-lo para passar o tempo e procurar mostrar a ele que poderia fazer ainda muitas coisas das quais gostava, como por exemplo: pescar.      


Talvez muitos de vocês se perguntem o que faz uma mãe ficar escrevendo sobre seu filho que já não está mais aqui. Pois para aqueles que não conseguem ainda entender a dimensão do meu amor e do Carlos pelo nosso filho Vitor que partiu, eu lhes digo: Nossa intenção é que nossa história mais a história do Vitor, possa ajudar muitas pessoas a refletir mais sobre suas vidas e procurarem dar mais valor a ela, a sua família, a seus filhos, aos seus amigos e, também, a ter mais aceitação e amor ao próximo!  


Não queremos que tudo o que vivemos ao lado do nosso filho Vitor que, partiu antes mesmo de completar seus 13 anos e, também de tudo o que ele passou antes de partir enfrentando a doença, seja esquecido. Enquanto ele for lembrado, ele permanecerá vivo em nossos corações e se fará presente em nossas vidas. Hoje sei que seu sofrimento e o nosso não foi em vão, pois através da divulgação de sua história real, ele tem ajudado muitas pessoas e mudou a vida delas para melhor, isto tenho certeza, um exemplo disto são as mensagens que chegam para nós pelos e-mails e nas caixas de comentários de sua historinha no site www.saudadeeadeus.com.br, o qual foi o primeiro que divulgou sua história.


Lembro-me que dois dias antes do Vitor partir, ele me falou que rezava para quem fosse do mau, virasse do bem e que ele gostaria de ajudar as pessoas. Hoje vejo o desejo de meu filho sendo realizado, através da divulgação de sua história, do exemplo de vida que ele deixou.


Apesar de estar sendo muito difícil para nós darmos continuidade na história de nosso filho Vitor, tenho feito o possível para falar dos momentos que vivemos com tamanha dor em nossos corações e em outros momentos tão divertidos e alegres que vivemos ao seu lado. A saudade nos toma conta e, revendo suas fotos, meu Deus! Que vontade de abraçá-lo, beijá-lo e até mesmo de pegá-lo no colo.


Mas a vida segue em frente e, às vezes, penso que todos se esqueceram que eu e o Carlos perdemos um de nossos tesouros que foi o Vitor, embora saiba que nossos familiares e amigos talvez não queiram tocar no assunto para não nos fazer sofrer. 


Me perdoem se com estes relatos, faço correr lágrimas dos olhos das pessoas que tanto amo e que me ama também, só peço que me entendam pois infelizmente nada no mundo poderá fazer com que eu me esqueça de meu filho Vitor e do quanto ele foi, é e sempre será importante em minha vida e também na vida de outras pessoas.


Vou colocar alguns comentários postados, dentre os muitos, para que vocês tenham noção da importância da história de nosso filho Vitor estar sendo divulgada. Se vocês quiserem ver mais, é só acessar o site acima e conferirem esses e outros comentários de pessoas que leram a história dele."

Alguns dos comentários recebidos por Carlos e Viviani, pais do Guerreiro Vitor:

  Antonio Celso http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
Viviani e Amaral, como o próprio guerreiro Vitor disse: "Minha história ainda não terminou, tem mais ainda só que ainda não escrevi, em breve continuarei". O guerreiro simplesmente trocou a "armadura" que estava gasta e desconfortável, e substituiu por uma nova vestimenta, limpa, leve e muito mais agradável. O guerreiro Vitor simplesmente está em uma outra dimensão, invisível aos olhos da carne. Até porque “os mortos são os invisíveis, não os ausentes". Viviani e Amaral vocês foram agraciados com o maior empréstimo que o Senhor dos Mundos pode conceder à criatura humana. Lhes desejo muita fé, muita força, muita paz e muitas felicidades. O guerreiro continua a sua história!!!!!!!!!



  Nanci-silva http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
O guerreiro Vitor continua sua história ao lado do senhor, que papel mais importante!!!! E tão difícil para nós os pais que ficamos aqui, tenho dois filhos e a partir desse momento espero mudar, ser mais amável e compreensiva pois sou sozinha meu marido fica em São Paulo e as crianças me dão muito trabalho. Era o que eu estava precisando para saber que em minha casa está tudo certo, e que devo agradecer todos os dias porque graças a DEUS meus filhos nem ficam doentes são apenas crianças sapequinhas. Muito obrigada por ter me dado essa oportunidade de estar mudando em relação a eles para mim a história da vida de Vitor serve como aprendizado. Desejo aos pais muita luz, muita fé, paz e felicidades.


  Helena Noering http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
Adorei as histórias do seu filho, me lembra muito eu mesma quando era pequena escrevendo no meu diário kkkkk
Eu sei que nada no mundo vai amenizar a dor que vocês estão sentindo... Eu perdi meu padrinho a um bom tempo atrás, quando ainda era criança. Eu era realmente muito próxima dele. Sabe aquelas pessoas que simplesmente não tem como odiar, de tão legais que elas são? Ele sem dúvida tornou a minha infância muito mais mágica. Quando ele morreu, foi como se a minha infância tivesse morrido. Neste exato momento eu virei adolescente.
Agora, com 19 anos, já aprendi a lidar com a dor, mas sinto muitas saudades dele. A cada conquista, fico pensando: "nossa, eu queria que o Lars visse, ele ia ficar tão orgulhoso!".
Acredito que a gente nunca "sara" de verdade. A forma que encontrei de lidar com a perda foi "um dia, quando chegar a minha hora, eu vou poder ver ele de novo, e vou poder passar com ele toda uma eternidade". Façam o melhor que puderem de suas vidas, ajudem os que precisam, para ter um lugar ao lado do seu filho no céu, e assim ficar com ele por toda a eternidade. Acreditem que o momento de agora é apenas uma separação periódica, que ele foi um garoto muito bom, por isso já foi tão cedo para o céu...
Abraços, Helena.



  Erica http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
Não tenho nem palavras....
Pois nós que somos adultos nos entregamos a qualquer problema e muitas vezes achamos que o nosso é maior do que os dos outros!
A história do Vitor é uma verdadeira lição de vida para todas as pessoas independente da idade!
Pais do Vitor se sintam escolhidos por ele pois não importa onde ele esteja e sim que ele é e sempre será de vocês.


  Silvia http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
oi Viviani, as vezes quando estou sem forças para continuar minha trajetória, procuro no computador fontes de força e mais uma vez me carreguei,lendo esta bela e forte historia de vida do Vitor, eu também perdi minha filha e as vezes as forças se acabam, mas é só olhar para o lado que encontramos pessoas que tiveram a mesma dor, muito obrigado por ter essa coragem de compartilhar sua vida,muita força para vocês.


  Lilian http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
História linda e emocionante de um lutador que passou por tudo isso, mas cumpriu sua missão na terra de ensinar a muitos a nunca desistir e sempre lutar e também me mostrar que apesar dos problemas, temos que dar valor á vida, ao invés de reclamarmos, temos que agradecer a Deus por tudo que temos.E, assim como ele foi um guerreiro,também teve pais maravilhosos que sempre estiveram ao seu lado lutando junto,tenho certeza que hoje ele lá do céu, está sempre iluminando a vida de vocês Viviani e Amaral.
Um beijo



  Victor Hugo http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
Nossa... eu sou uma pedra no sentido emocional. Mas o que esse garoto passou em relato que ele mesmo escreveu, onde se vê maturidade, e ao lado a inocência de uma criança. Me emocionou como eu nunca tinha emocionado, me tirou muitas lagrimas, e também muito orgulho deste pequeno grande homem. Sem nem sequer ter o conhecido, ele me ensinou muito hoje.



  Rafaeldanzi http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
Obrigado Vitor! Por me dar a oportunidade de ler a sua história, e com base nela, lutar para realizar os meus sonhos, assim como você lutou e mostrou a sua honra e o seu espírito guerrilheiro! (Agradecimento aos pais, por ter sido os responsáveis por gerar esse espírito iluminado e ao Vítor, que pode não estar lendo, mas todo o nosso afeto está se refletindo nele.)


  Lucianomelias http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
É incrível aprender a lição de uma vida inteira, através da história de um menino de apenas 12 anos.
Abençoado anjo iluminado que, com apenas 12 anos, trouxe tanta força e sabedoria à todos em sua volta !!!
Um grande beijo nos corações de seus familiares !!!
Tenhamos sempre a certeza de que nada escapa à mão do PAI criador !!!


  Jessica http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
Nossa que história emocionante. Obrigado por me proporcionar nesses momentos que li este longo texto, muita reflexão e força pra que jamais desista de meus sonhos . Me interessei ainda mais quando vi que ele nasceu em Avaré - SP, pois moro praticamente do lado, cidade de Itaí - SP .
Realmente ele é um grande exemplo de vida !


  Thiago Monteiro http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
São nesses momentos em que eu, uma pessoa saudável, por mais que negue, não dou o valor que a minha vida merece. Com a idade do Vitor, eu não enfrentava nenhum problema grande e muitas vezes pensei em me matar... e hoje, li a história dele e vi na inocência representada por ele, uma força de um guerreiro, a sabedoria de um sábio, a experiência de um ancião e a bondade de um anjo. Com toda certeza essa história me fará repensar em sobre como me viro com meus problemas que comparados ao dele são probleminhas, mas que admito que não tenho a força de vontade que ele possui.
Sinto muito aos pais, a perda na forma física desse anjo, mas tenho certeza que na forma espiritual ele sempre estará com vocês. Na pequena passagem que ele teve na terra, já mudou várias vidas, e a minha se inclui, passarei a dar maior valor a tudo o que tenho, a que enfrento e ao que conquisto.
Vitor, um exemplo de força de vontade.


  Isis_miller_ http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
cada um tem seu papel aqui na terra e, o Vitor tão pequeno fez o dele com essa historia que deixou, fez mostrar o quanto é importante darmos valor a nossa vida,pedimos muitas coisas a Deus mas nunca agradecemos pelo o melhor que ele nos deu, que é o Don da vida e Vitor veio nos mostrar isso. Deus já está olhando por vocês e tenho certeza que o Vitor está num lugar melhor,do que nessa vida sofredora.
Continuem passando essa mensagem porque é linda e o mundo merece saber o que é a vida.


Fabiana Piassi - http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm  
Não sei nem o que dizer, apenas digo que sei qual é o sentimento nesse momento pois assim como Vitor,meu pai também tem Câncer, mas da mesma forma que o Vitor meu pai também tem toda sua família ao seu lado...
Não tenho duvidas que hoje Vitor é uma das estrelas mais brilhantes do Céu..
Vitor obrigada pela história, pois ela nos ensina muitas coisas como por exemplo a nunca desistir.
Fabiana Carla Piassi, Jundiaí- São Paulo


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

15 anos do Guerreiro Vitor


Se estivesse entre nós Vitor faria hoje 15 anos. Infelizmente Deus possui planos que nem sempre é como nós desejamos.
Para comemorar esta data, teremos hoje depoimentos de sua avó Maria Luiza e de seus pais. Ao final do post, o blogue fez uma pequena homenagem.
Depoimento da avó/madrinha Maria Luiza:
Vitor com sua madrinha/avó



"Eu não era só avó do Vitor, ele também era meu afilhado de batismo.

Ele era um neto muito querido, amigo de pesca do vô Zé Lovison.

Quando ele saía do colégio, pois o colégio dele ficava na mesma avenida que nós os avós moramos, ele as vezes passava em casa. Um certo dia, quando tudo aconteceu, ele chegou em casa e disse:  - Oi vó! Que cheiro de feijão gostoso! Eu estava preparando o jantar e, como ele gostava do meu feijão, ele comeu um prato de feijão, mas primeiro ele colocou a mochila em cima da mesa que tenho na área e disse: - Sabe vó! Eu estou com uma dor nas costas, vim da escola andando como um bêbado, meus coleguinhas até vieram gozando de mim. Eu disse: -Vitor! Vamos no quarto da vovó que tenho um aparelho de fazer massagem. Peguei o aparelho e o Vitor deitou na minha cama, ergui a camisa dele, vi que as costas estava um pouco inchada e fiz uma massagem nele com uma pomada de arnica. Ele deu uma melhorada e foi jogar bola no meu quintal com o priminho dele que estava em casa, mais o Vitor caía muito.

O que aconteceu daquele dia em diante já foi contado na sua historinha e, agora, também está sendo contado pela minha filha Viviani.

Quando a Viviani e o Carlos, pais do Vitor, precisaram de nós, estávamos todos doentes. O avô do Vitor, meu esposo, em agosto de 2008, infartou e estava internado em São Paulo - SP; A mãe do Carlos, dona Maria, em maio de 2008, estava internada na UNESP de Botucatu-SP, pois operou de chagas no intestino e eu, Maria Luiza, em setembro de 2008, internada no Hospital de Jaú – SP, operada da cirurgia da coluna.

O Vitor quando estava internado na UNESP de Botucatu-SP, ligou para mim quando eu estava internada em Jaú-SP, dizendo que ele ia ter alta e, queria saber se eu iria ter alta também. Então eu disse: -Vitor! Se Deus quiser vou embora amanhã!

Quando recebi alta e cheguei em casa, o Vitor veio me visitar e, trouxe-me de presente uma imagem de Nossa Senhora com Jesus no colo e retribuiu todo carinho e atenção que eu dava a ele quando ele chegava do hospital. Vitor com sua cadeirinha de roda motorizada, entrou em meu quarto, deu três voltinhas e disse: -Vó! Fomos todos pro pau, eu, o vô e a vó Maria (avó paterna) e você, mas ninguém morreu, quando todos nós ficarmos bem, precisa um caminhão para levarmos para Aparecida do Norte, pois ele era devoto de Nossa Senhora Aparecida.

Na noite de sua partida para o céu, levaram-me para vê-lo, eu estava acamada e com um dreno nas costas. Sentei perto dele, rezei um terço da misericórdia, mas nem passou em minha cabeça que seria o ultimo dia de vida dele.

Beijei-o e disse: - Vitor! Vó te ama! E ele respondeu bem baixinho: -Eu também!
Vitor partiu por volta de 23h40min de um domingo, só que minha família, que são 5 filhas, 5 genros, 1 filho, 1 nora e 13 netos(hoje) deixaram para avisar eu e meu esposo, só de manhã, poupando-nos.

Três meses depois que o Vitor partiu, meu esposo, o vó Zé, infartou novamente, mas com a graça de Deus ele está bem. O que nos fortalece é um altar que tenho em minha casa. Coloquei uma foto do Vitor junto com Jesus e todos os meus santinhos. Quando preciso, ajoelho diante do altar e peço muitas forças para vencer nesta vida.

Nos aniversários do Vitor, que é em 25 de outubro, eu todo ano dava um tênis para ele e, mandava ele escolher na loja de calçados, Casa Progresso.Depois de sua doença, teve um período que ele voltou a andar, então deu tempo de presenteá-lo com um lindo tênis,  em seu último aniversário aqui com a gente, quando ele completou seus 12 anos.

15 anos – 25/10/2010.
Parabéns Vitor!
Deus te abençoe!
Desta Vó que te amou e ainda te ama, esteja você onde estiver.
Maria Luiza Lovison."

Depoimento de sua mãe Viviane:


"Daremos uma pausa nos relatos da vida do Vitor e em sua história para que façamos uma homenagem a ele pelo dia de seu aniversário que é hoje, vinte e cinco de outubro, Vitor se estivesse aqui estaria completando seus 15 anos, mas esteja ele onde estiver, sei que poderá receber todo nosso amor e carinho, o qual sempre recebeu de nós seus pais e de sua irmã Vivian, familiares e amigos. Sempre comemorávamos os seus aniversários com festa e em clima de muita alegria, pois o Vitor, assim como nós, sempre gostou de festa e ele adorava ganhar presentes nesta data tão especial que era comemorado o dia de seu nascimento e, todos os seus aniversários foram registrados com fotos que eu e seu pai tirávamos.

Vitor, a mamãe não se esquece de você um só dia, um só minuto, quero que saiba que a mamãe e o papai estão dando continuidade a sua história, a nossa história a qual vivemos juntos e, tenho certeza de que Deus é justo e por isso sei que sempre permitirá que você esteja entre nós, pois te amamos e sempre te amaremos por toda eternidade. Sei que estarás sempre ao nosso lado, esteja onde estiver olharás por nós e por todos aqueles que você tanto amou e sei que ainda ama. Jamais te esqueceremos, passe o tempo que passar.

Vitor sempre gostou de comemorar seus aniversários com muita alegria.

Certa vez, no mês de setembro de 2008, estando em sua cadeira de rodas e lutando contra o tumor na medula, disse a mim, sua mãe: “O melhor presente que eu já ganhei, foi a minha vida!”

Sei que apesar de tudo que passou, em um ano e cinco meses, lutando para viver, você foi muito feliz, antes e até mesmo durante sua enfermidade. Filho abençoado, iluminado e guerreiro!

Querido filho, você sempre estará em nosso coração e, não importa onde esteja, desejamos a você muitas felicidades, você merece tudo de bom e belo, pois sabemos que você vive, pois o espírito é imortal. Temos muito orgulho de você! Você nos ensinou muito! Fomos muito felizes com você ao nosso lado. Pena que você foi tão cedo, sentimos muito a sua falta!

Não é fácil continuar a vida sem você aqui, mas nossa missão ainda não terminou e temos certeza que você será sempre o nosso anjo guerreiro a nós ajudar a cumpri-la, pois graças a Deus temos a Vivian e agora também a Clarinha, a qual se parece muito com você Vitor. Elas precisam muito de nós e, nós delas.
Se você estivesse aqui, tenho certeza de que iria adorar sua irmãzinha caçula, assim como ficou feliz quando a Vivian nasceu.
Infelizmente não pudemos trocar de lugar com você, quando adoeceu.

Também sabemos que você não queria que tivesse sido com a gente e com ninguém de nossa família o que aconteceu com você.

Parabéns filho amado! Sempre te amaremos!
Deus te abençoe!
Com amor e carinho,
Seus pais Viviani e Carlos."

Mensagem da Vivian pela passagem do aniversário de seu irmão Vitor:

“Vitor! Feliz aniversário!
Eu te amo e nunca vou te esquecer e, parabéns pelos seus 15 anos!”
Vivian!

Homenagem do blogueiro ao Aniversário do Guerreiro alviverde:

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A História de um Guerreiro de 12 anos - Em Sorocaba, fazendo Radioterapia

Hoje irei dar continuidade na história do Vítor, com mais um grande depoimento de sua mãe e para minha surpresa e de voces leitores, um trechinho do diário de sua irmã Vivian. Na postagem de hoje, observei que tanto nas palavras do Vítor, quanto de sua mãe, que a radioterapia teve um papel secundário naquele momento. A união desta família prevalece sobre todas as dificuldades.
Vítor com suas primas Ana e Corina


"Eu, em Sorocaba, Fazendo Radioterapia


Eu fui para Sorocaba fazer radioterapia, comecei a fazer no dia 23/05/07, foi a minha primeira consulta, eu fui com minha mãe, meu pai e minha tia Cris e, estava chovendo na Avenida Washington Luiz onde fica a clínica Nucleon, local onde eu ia fazer 28 sessões.


No primeiro dia eu, meu pai e minha mãe dormimos no apartamento da tia Cris. Eu fiquei feliz por estar ao lado dos meus primos Renatinho e Rodrigo, e de meus tios Almyr e Cristina por poder matar a saudade.


Vitor com seu primos Renatinho e Rodrigo
 e seu amigo Vinicius
Nós três, eu, “Digo” e “Nato” (apelidos dos meus primos Rodrigo e Renatinho) jogamos vídeo game PS1 o dia inteiro; No segundo dia eu acordei 08:30 horas para fazer radioterapia, foram comigo a tia Cris, minha mãe e meu pai. Eu gostei muito das enfermeiras de lá, elas são muitos legais e simpáticas. Depois minha mãe foi embora, então ficou eu e meu pai em Sorocaba com minha tia Cris, tio Almyr e meus primos. Nós ficamos lá todos os dias. Além disso, no outro dia, depois da rádio, meu pai levou eu, “Nato” a tia Cris no Shopping para eu conhecer e, compramos um sorvete do McDonalds. Eu pedi um com casquinha de chocolate, com chocolate no meio. Custo do sorvete R$ 3,00 reais, e nós nos divertimos muito, depois todos voltamos para o apartamento e, contamos para “Digo” que, ficou com um pouco de inveja, mais depois entendeu e, o tio Almyr, nem me lembro se contamos pra ele, mas acho que a tia Cris contou.


No outro dia, depois da rádio, meu pai nos levou para passear, para sair um pouco do apartamento, então eu conheci uns amigos do “Nato”, e conheci também um barzinho que tinha lá embaixo do apartamento, depois disso, nós fomos lá na rua comprar cartão telefônico para poder falar com mamãe, e também comprar um jornal de esportes para papai ler. Então tia Cris nos chamou para tomar café da tarde, depois eu e “Nato” jogamos vídeo game. “Digo” chegou a tarde e eles foram treinar bola na quadra do apartamento e após, fomos dormir.


No outro dia, depois da rádio, meu pai foi procurar o setor de fisioterapia no Hospital de Sorocaba para mim e lá, esperamos mais ou menos duas horas para sermos atendidos e, então, as sessões ficaram assim: as 2ª, 4ª, e 6ª feiras, e começavam as  02:00 horas da tarde e terminavam as 06:00 horas.


Os fisioterapeutas se chamavam Maikon e Viviane. Eles judiavam muito de mim com os exercícios, eu chegava na casa da tia Cris esgotado, mais depois que eu saía da fisioterapia, meu pai sempre comprava um sorvetinho para mim.


No outro dia, depois da rádio, meu pai me levou para eu ver os preços do vídeo game PS2 que ia dar-me de presente de aniversário adiantado. No outro dia, ele me levou de novo na mesma loja e compramos o PS2, que foi meu presente de aniversário e, após, aproveitamos e fomos passear no Mercadão, lá vendiam um monte de coisas legais, como moedas antigas, notas antigas, frutas, feijão, arroz..., tudo que possa pensar. Do lado de fora, ficavam pessoas vendendo e trocando coisas, do tipo: eu troco esse meu relógio pelo seu, meu telefone pelo seu ventilador, e assim por diante. Após, voltamos para o apartamento da tia Cris com PS2 e instalamos na televisão do quarto do “Nato” e “Digo”.


No começo eu me empolguei com o vídeo game e esqueci que o “Nato” estava ao meu lado e queria jogar também, daí a tia Cris me deu uma bronca, então eu coloquei um jogo que dava para nós dois jogarmos ao mesmo tempo. Rodrigo chegou, daí eu coloquei um jogo que nós três gostávamos, e jogamos a noite inteira. Ficamos com vontade de não parar mais de jogar, não queríamos mais parar, mais paramos e fomos dormir.


No outro dia eu tive uma surpresa na rádio, pois a enfermeira disse que tinha uma loja na cidade, ela viu que eu gostava muito de boné e me deu o endereço de sua loja, e falou para eu ir lá e pegar um boné de presente, não importava o preço, podia ser do mais caro, do mais bonito. Então eu peguei um azul escuro, bem bonito e fui embora para casa da titia Cris, Na chegada tomei um banho e fui jogar vídeo game com meus primos. Comemos e depois, a noite, vimos a série Lost, sua 3ª temporada e no final, meu primo “Nato” que estava dormindo na sala, foi levado pelo tio Almyr para sua cama, e dormindo ele foi falando: “pára pai, pára pai...” foi muito engraçado e, em seguida, fomos dormir.


No outro dia, depois da rádio e da fisioterapia, eu só fiquei jogando vídeo game e, a noite, nós fomos assistir de novo a série Lost e, de novo, no final, meu primo “Nato” dormiu e quando o tio Almyr levou ele para cama, ele dizia assim: “quero frango, quero frango”,  foi demais. Depois dessa vez, ele não fez mais isso. No outro dia, meu pai levou eu, “Nato” e a tia Cris no Supermercado Carrefour fazer compras.


Cerqueira César - SP, 30/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"

Depoimentos de sua mãe e um pequeno trecho do diário da Vivian:


"Hoje vou falar um pouco de como foi difícil a época em que o Vitor e o Carlos ficaram em Sorocaba-SP.


O Vitor precisava fazer sessões de radioterapia e a Dra Lied nos encaminhou para a cidade de Sorocaba-SP, por lá ser um lugar melhor para este tipo de tratamento.


Vítor com os tios Cristina e Almyr
O dia em fomos levar o Vitor para Sorocaba-SP, pela 1ª vez depois que ele foi operado e iria iniciar o tratamento lá, tivemos que emprestado o carro dos meus pais, uma Parati branca, pois nós tínhamos um fusquinha verde e nele não cabia a cadeiras de rodas. Neste dia chegamos em Sorocaba-Sp a noite e, para piorar a Parati “pifou”, isto mesmo, ela parou de pegar assim que chegamos a Sorocaba-SP  e, então, ligamos para meu cunhado Almyr  e ele veio nos buscar com seu veículo e depois o Carlos e o Almyr voltaram para ver  o que teria acontecido com a Parati, ainda bem que, o Carlos foi verificar melhor e viu que tinha uma mangueira de água solta no motor e, ele mesmo arrumou, pois o motor havia fervido. Eu, o Vitor e a Vivian, enquanto isto, já estávamos acomodados no apartamento de minha irmã Cristina e, o Vitor já se distraia com os seus primos Rodrigo e Renatinho.


Tempo de provações. A gente com o filho doente e sem poder andar, com aquela doença ingrata e impiedosa e o mundo desabando ao nosso redor, por dentro e por fora.


Juro que não sei como agüentamos tantas dificuldades de uma só vez. Mas para frente vou relatar porque acabei de lhes dizer isto, mas as pessoas que acompanharam toda trajetória de nossa luta e de nosso filho, entendem o que digo.


Nestes momentos é que acredito que as orações que fazíamos é que nos mantínhamos de pé e firmes em fazer tudo que fosse preciso para que nosso filho fosse curado. Nesta época eu acreditava que existia uma possibilidade de cura.


Quantas vezes entrei sozinha nos consultórios do hospital da UNESP para falar com os médicos que cuidavam do Vitor e, com a Dra. Lied, a oncologista responsável pela quimioterapia infantil. Ouvia desde o início tudo que uma mãe que ama, jamais sonha em ouvir a respeito de um filho que é tão querido e amado e, para o qual sonha com que há de melhor para ele.


O Carlos ficava com o Vitor do lado de fora depois que ele era consultado para distraí-lo e, então, eu conversava com os médicos da neurocirurgia e com a Dra. Lied, a qual o Vitor tinha muito carinho e nós também. 


Bem..., voltando a falar do período que o Vitor fez radioterapia.


Minha irmã Cristina (a tia aspirina) e meu cunhado Almyr, moram em Sorocaba-SP em um apartamento no 3º andar e não possui elevador. O Carlos subia e descia com o Vitor no colo três andares, as vezes seis vezes ao dia, porque de manhã levava o Vitor na Radioterapia, na Clínica Nucleon e, a tarde, na fisioterapia do Hospital de Sorocaba-SP, sem contar que o Vitor gostava de descer para ver seus primos jogarem futebol na quadra do prédio. Não consigo nem imaginar o tamanho da força que Deus deu ao Carlos e ao Vitor nesta época.


Numa certa vez quando o Carlos estava subindo com o Vitor, ele acabou tropeçando e caiu com o Vitor no colo, mas graças a Deus o Vitor caiu em cima do Carlos e não se machucou e nem o Carlos. 


Neste período eu estava em Cerqueira César-SP com a Vivian. Precisava estar ao lado da Vivian também, pois ela sentia muito a nossa falta, principalmente de mim, sua mãe.
Também cuidei para que ela fosse a escola e não perdesse o ano letivo, pois ela estava fazendo a 3ª série na Escola Avelino Pereira.


Vítor, Carlos (pai), Vivian e
amiguinha Roberta
Nós almoçávamos e jantávamos na casa de minha mãe, depois vínhamos dormir em casa. Tínhamos uma vizinha chamada Márcia que tem uma menina que se chama Roberta e tem a idade da Vivian, então ela vinha brincar em casa, assim a Vivian se distraia um pouco e não ficava tão triste. A Márcia também me ajudou bastante nesta época, íamos na igreja rezar pelo Vitor. Eu e a Vivian tínhamos uma a outra e, nós conversávamos bastante a noite, antes de dormir. Sentíamos muita falta do Carlos e do Vitor. Foi um período muito difícil para nós quatro. A Vivian dormia na cama comigo, ela me dava forças para suportar a saudade que sentia do Vitor e do Carlos que estavam em Sorocaba-SP.


Vítor com Vinícius, seu melhor amigo
Sei que a Vivian sofreu muito e ainda sofre. Ela sempre me diz que chora por dentro para não nos deixar tristes. Ela rezava muito para o Vitor sarar, pois eles sempre foram muitos apegados, apesar de terem umas briguinhas básicas de irmãos. A diferença de idade deles é de 3 anos e 4 meses e, por isso Vivian sempre ficava atrás do Vitor desde pequena. Quando ele ia brincar na casa do Vinícius, ela queria ir junto e, o Vitor segurava em sua mãozinha e mesmo contrariado a levava junto. As amiguinhas dela também quando vinham em casa brincar com a Vivian, também brincavam com o Vitor e com seu amigo Vinícius. Nossa casa era um entra e sai de crianças, uma festa. Tenho relatos da Vivian em seu diário, na época que o Vitor estava doente, que ela acreditava que o Vitor iria sarar, com sua permissão ela me autorizou a relatar a vocês com as palavrinhas que ela aos seus 09 anos nos escreveu, como segue:  


“Comunicado
De: Vivian
Para: Mamãe e papai.
Assunto: Meus pais é demais.
Mamãe e papai, no momento em que a gente está passando é difícil, sempre com lágrimas nos olhos ou um sorriso no rosto.
Mas sempre vamos ter fé em Deus e nunca desista. Deus está olhando em nossa família.
Principalmente no Vitor, na vó e o vô e eu tenho fé que Deus vai mandar um milagre pra gente.
Vivian
Assinatura”


Obs:- O Carlos somente corrigiu três errinhos de português dela. (pasando,senpre e soriso)


Enquanto a Vivian estava na escola no período da tarde, eu tirava forças para continuar vendendo as lingeries e, assim, me distraia um pouco para que o tempo passasse mais rápido e aqueles dias intermináveis sem o Vitor e o Carlos acabassem logo. Foi a primeira que em  12 anos de casados, fiquei longe do Carlos também.


Nesta época nós tínhamos um cachorro, o Beethoven, que está com a gente até hoje, o Vitor ganhou da tia Lúcia e sempre gostou de jogar bola com ele. Vitor e  Beethoven tinham um carinho muito grande um pelo outro, quando o Vitor estava na cadeira de rodas e eu abria a porta da sala e, o Beethoven que era  e é obediente não entrava, então o Vitor se aproximava da porta e ele colocava sua cabeça perto do Vitor para ser acariciado. Era emocionante! Só que o Beethoven é o cachorro do Vitor, da Vivian e agora também da Clarinha.Também tínhamos o Fred, um hamster marrom , ou seja, um rato de estimação que as crianças ganharam de sua prima Aninha. 


O Vitor adorava o Fred. Ele e o Vinícius, seu melhor amigo de infância, sempre faziam casinhas com bloquinhos de madeira pelo chão da sala para brincar com o Fred. Lembro que o Vitor e a Vivian ganharam o Fred em janeiro de 2007 assim que chegaram da viagem que fizeram a São Paulo-SP. Depois eles juntaram o dinheiro que tinham para comprar uma gaiola com rodinha dentro para o Fred, pois o Vitor e a Vivian recebiam mesada todo mês no valor de R$10,00 cada. Esta mesada foi a maneira que o Carlos encontrou para as crianças pararem de chupar o dedo e largarem de seus cheirinhos (o Vitor chupava o dedo da mão direita com uma fraldinha e, a Vivian também chupava o dedo da mão direita com uma cobertinha). As crianças levaram a proposta do Carlos a sério, só que no começo, quando eles estavam dormindo, eles automaticamente esqueciam e chupavam o dedo, quando eu levantava de madrugada para cobri-los, eu via mas não tirava o dedo deles da boca, pois tinha dó.


No dia seguinte o Carlos me perguntava se eles estavam chupando o dedo enquanto dormiam e eu, mentia dizendo que não. Mas foi esta tática do Carlos de dar a mesada, que deu certo, em pouco tempo eles não chupavam mais seus dedos. Tenho a fraldinha do Vitor e o cheirinho da Vivian que é um pedaço do que sobrou de sua cobertinha, guardados até hoje. A Vivian recebe sua mesada até hoje, mais a do Vitor, depois que ele partiu.


Detalhe:- As crianças compraram o Fred escondido de nós e, esconderam ele no barracão da casa do vô Zé, mas minha mãe acabou contanto para o Carlos e depois para mim que fomos conhecer o mais novo membro de nossa família, o qual nos deu grande alegria e “trabalho”. Vendo que estavam tão felizes, nós não ficamos zangados com eles, mas só advertimos que eles iriam ter que ajudar a cuidar também.
Vítor, Vivian e Fred


O Fred partiu em janeiro de 2009. Nós sentimos muito e a Vivian chorou. Me lembro que íamos viajar para Aparecida do Norte neste dia.


Depois que o Vitor foi operado, nós compramos para ele alguns peixinhos e ele gostou de um em especial e, a tia Léia deu-lhe de presente. Chegamos em casa e o Carlos montou o aquário para ele na sala, de frente para o sofá onde ele ficava deitado. Pena que alguns dias depois, os peixinhos morreram porque estava muito frio e não tínhamos aquecedor de aquário. Vitor sempre adorou peixes, desde pequeno.


Vítor com sua mãe Viviani no
Hotel Lagoa
Sorte que neste mesmo dia que compramos os peixinhos, ele também ganhou um peixe Beta que ficava em um aquário pequeno, de sua prima Corina e por ser mais resistente, foi o único que sobreviveu. O Carlos sempre limpou os aquários dos peixes e, limpava a gaiola do Fred.
O Vitor mesmo estando sem poder andar, fazia questão de tratar dos peixes e do Fred com a ajuda de sua irmã Vivian. Penso que as crianças aprendem a ter responsabilidades com seus pais, talvez quando eles ainda são pequenos, não cumpram direito suas tarefas mas, tendo sempre o bom exemplo, um dia irão ser adultos responsáveis.


Continuo outro dia.


Um grande abraço desta mãe que se sente feliz em poder falar dos momentos felizes da vida do Vitor e em dar continuidade a história que ele não pode terminar de escrever.
Viviani."

Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

carlosalbertodoamaral@hotmail.com

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Uma mãe com "M" Maiúsculo

Me perguntaram por estes dias o motivo de estar postando uma história de um garoto que nem está entre nós num blogue de futebol. Este mesmo leitor sentia falta de minhas opiniões para este momento conturbado alviverde com troca de presidente, inimigos históricos tentando uma suposta aliança e outros conchavos. Prefiro fazer uma pausa sobre estes assuntos.

Além do garoto Vítor ser um palmeirense "roxo" como ele próprio diz, só este  motivo bastaria para estar postando, mas optei por estar publicando sua história e os depoimentos de seus pais, para mostrar que a vida não é só o dinheiro, o futebol ou a religião, é muito mais que isso. Por muitas vezes deixamos de privilegiar coisas que realmente faz sentido em nossas vidas. Peço mais uma vez a reflexão e vamos aprender um pouco mais com as histórias do garoto Vítor e sua família.

O próximo capítulo da história do Vítor será do dia que fez a radioterapia, mas antes de dar continuidade, Viviani, a mãe guerreira nos mandou mais um relato:


"Hoje nossa pequena Clara está completando nove meses de vida e ela mais a Vivian, nossas meninas Palmeirenses, são as responsáveis por termos forças para seguir em frente, pois a dor da saudade que sentimos do Vitor, penso ser insuperável e, este mês de outubro nos trazem muitas lembranças por ocasião de seu aniversário que é em 25 de outubro como já contei.



Quando penso que meu filho Vitor, se estivesse aqui, estaria prestes a completar seus 15 anos, meu Deus, eu seria a mãe mais feliz do mundo se aquela doença ingrata não o tivesse levado de nós tão cedo e de forma tão sofrida, se fosse para ele escolher o que teria em sua festa de aniversário, ele com certeza ia pedir churrasco e feijoada.


Vocês já pararam para pensar que o homem já inventou muitas coisas essenciais e outras nem tanto de um tempo para cá, como por exemplo: Computador, celular, TV digital, etc., só que a cura do câncer, ou pelo menos uma vacina contra esta doença, ainda não inventaram, seria bom se as crianças, quando nascessem, pudessem tomar para ficarem protegidas e imunes por esta doença. É pena que até agora o homem não tenha conseguido nada tão eficaz. Será que falta empenho ou mesmo interesse dos órgãos Públicos e Federais para destinarem mais recursos em pesquisas, não só aqui no Brasil como também no exterior?


Em minhas orações peço constantemente que apareça a cura para esta doença ou que apareça uma vacina que a extermine, ou seja, que faça esta doença desaparecer para sempre, se é que é possível. Pena que o leite materno que previne tantas doenças infecciosas não previna o câncer,pois eu amamentei o Vitor até ele completar 2 anos e 2 meses de idade.


Sou mãe de um filho guerreiro e, por isso, procuro ser guerreira também. Não gosto de levar tristeza as pessoas. Procuro viver minha vida da maneira que vivia quando o Vitor ainda estava aqui, por isso faço as coisas que ele gostava de fazer e, também as comidas que ele sempre gostou de comer.  Uma mãe com M maiúsculo jamais se esquece de um filho e nem das coisas que ele gostava.  Tenho certeza de que assim, esteja ele onde estiver, estará feliz por mim e, também deixo minhas filhas Vivian e Clara e as pessoas que me querem bem, felizes. Não me esqueço nenhum dia de meu filho Vitor, meu primeiro pensamento é para ele e, o ultimo pensamento do dia também.


Me lembro que ele desde que ficou doente, ele precisava de mim para sair de sua cama, então quando ele acordava ele me chamava e dizia essas palavras: “bom dia mãe! Bença mãe!Eu te amo mãe! “ e depois dizia que queria levantar   e quando eu o pegava no colo, ele sempre me dava um beijo bem demorado em meu rosto.Como sinto saudades dos seus beijinhos, tinha um beijo que apelidamos de “beijo de esquimó” que era quando encostávamos nariz com nariz, coisas de mãe e filho. Graças a Deus também tenho a Vivian a qual também me dá muito beijos e a Clarinha já está quase aprendendo também. A vida continua... e o amor que tenho pelos meus filhos: Vitor, Vivian e Clara é o que me move a seguir em frente, sempre procurando ser uma mãe cada dia melhor.


O Vitor assim como a Vivian e seus priminhos, sempre gostaram de chupar cana que seu avô Zé Lovison descascava para eles e, colocava em potinhos ou bacias para nos finais de semana eles chuparem e, assim era e ainda é.


Por ocasião, me lembro que quando o Vitor estava na UTI de Botucatu-SP, logo após ser operado e estar se recuperando, meu pai foi visitá-lo e levou cana para ele chupar. Algumas enfermeiras nem sabiam o que era cana e foram perguntar para o médico responsável pela UTI naquele dia, que estava de plantão, se poderia deixar o Vitor chupar a cana que seu avô levou. Sorte que o médico sabia o que era e deixou. O Vitor adorou e o vô Zé ficou feliz vendo seu netinho Vitor chupando a cana que ele com todo seu amor tinha descascado para uma ocasião tão triste e ao mesmo tempo feliz. Triste porque o Vitor estava ali num hospital, numa UTI sem poder se levantar e mexer suas perninhas, bem diferente de quando ele chupava a cana na casa de seu avô Zé e sua Vó Maria que, era entre uma brincadeira e outra e jogando futebol com seus priminhos. Ao mesmo tempo feliz porque ele resistiu àquela cirurgia tão arriscada e, estava vivo e podia chupar a cana que tanto gostava.


Tenho em meu coração a certeza que esta cana meu pai descascou com lágrimas nos olhos e com um aperto enorme em seu coração, embora tenha também a certeza que a alegria que meu pai sentia naquele momento, por saber que seu neto estava bem apesar de tudo e podia ainda chupar da cana que ele mesmo plantou em seu quintal, o deixou feliz. Só mesmo o vô Zé para ter tido esta idéia. Alguém conhece outra pessoa que levou cana em uma UTI pediátrica?


Para o pessoal da UNESP foi um fato inédito!


Minhas lembranças cheias de emoções afloraram neste momento. Vejam fotos de Vitor com seu avô Zé e vó Maria Luiza quando o Vitor tinha se recuperado da cirurgia e voltou a andar, mesmo com dificuldades, depois de ter feito a radioterapia e a quimioterapia oral. Nesta foto o Vitor aparece fazendo o que ele mais gostava de fazer e que o vô Zé sempre gostou, que é pescar.


Queria agradecer ao carinho dos leitores que estão seguindo a história do Vitor e a de minha família também, contada por ele e agora por nós.
Nem sempre é possível saber sobre qual fato vou relatar, pois depende muito do que sinto no dia, de minha inspiração e de minhas lembranças. Porém sinto que falo sobre o que o Vitor iria gostar que eu contasse, bem é isso. Obrigada!
Continuo no próximo capítulo.




Vou tentar escrever sobre o dia que descobri que o Vitor tinha um tumor de alto grau de malignidade, enquanto ele ainda estava na UTI.


Viviani, mãe do guerreiro Vitor Lovison do Amaral."


Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

carlosalbertodoamaral@hotmail.com

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A História de um Guerreiro de 12 anos - O dia da Cirurgia

Continuando a história do Vítor, um pequeno guerreiro de 12 anos contando o difícil dia de sua cirurgia. Apesar de estar lidando com algo novo em sua vida, perceba toda sua alegria e vivacidade. Mais abaixo teremos um depoimento de sua mãe sobre o dia da cirurgia e alguns dias que antecederam.

"O Dia da Minha Cirurgia - 29/04/07 - Domingo


No dia 28/04/07, num sábado, eu fui fazer uma ressonância magnética em Bauru, era minha primeira vez, eu fiquei com medo de levar a agulhada do contraste. Eu achei meio estranho o barulho da máquina, mas eu fiquei calmo porque minha tia Léia e meu pai estavam lá.


Minha mãe e meu tio Fábio estavam me esperando lá fora, dando forças. Depois do exame eu esperei uns 20 minutos e apareceu o resultado com uma médica japonesa. Ela disse que eu tinha um tumor, e fui direto para Botucatu aonde me internaram.


Já no outro dia me levaram para a cirurgia que durou 8 horas. É..., 8 horas mesmo! Foi uma cirurgia microscópica, e, depois disso eu consegui abrir o olho inteiro e eu vi meu pai, minha mãe e minha tia Vânia, e mais uma outra pessoa que ainda não sei quem era. Depois fui acordar só ás 6 da manhã. No outro dia não conseguia mexer as pernas e mal movimenta o pescoço, e o pior de tudo, não controlava minhas fezes. Foi difícil acostumar com aquelas enfermeiras, até bonitinhas, enfiando um tubo no meu pipi para eu fazer xixi, ai como dói aquilo.


Foi difícil comer aquela comida de hospital, eu estava acostumado com a comida da minha mãe. Depois de um tempo eu comecei a receber muitas visitas, como tia Vanda, tia Léia, tia Vânia, minha vovó, meu vovô, meu tio Zezito, minha tia Ana Lúcia e, meu tio Marcelo, mais conhecido como “Turco” etc.


Depois de certo tempo, a minha médica Lied me deu alta e eu vim embora para casa, que felicidade encontrar meus amigos e jogar vídeo game. Eu jogava ainda os PS 1, mais até que era legal, o PS 2 vem em outro capítulo.


Veio um monte de gente rezar e até orar, eu nem sou crente, olha o que fizeram eu passar..., que sacanagem fizeram comigo, eu nem podia sair correndo, dava vontade mais não conseguia, fazer o que pô, eu sou católico, será que não tava escrito na minha testa, vinha até gente falar para eu virar São Paulino e até um Corintiano, que absurdo! Eu sou Palmeirense roxo! Somos campeões não perdedores.


Bateu uma vontade de pescar, meu pai e minha mãe me levaram no pesque-pague e, peguei um peixe corintiano, por isso que o peixe tava com uma cara de tonto, ele era tão feio que nem deveriam cobrar aquele peixe com cara de idiota, por isso que era corintiano, mas deu pra divertir, além disso, não peguei só aquele peixe, peguei mais dois ”estes eram Palmeirense”, estes sim eram bonitos, estes eu podia pagar e,  assim, acabou a pescaria aquele dia.


Depois meu tio Fábio me convidou para um churrasco na casa dele, eu queria carne mal passada, que nós apelidamos de “aquela” e, assim, foi uma boa parte da minha vida.


Cerqueira César-SP, 29/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"

Depoimento de Viviani, mãe de Vítor:


"Relembrando...


No dia 28 de abril foi diagnosticado o tumor que o Vitor tinha, um tumor na medula, era num sábado e chegamos no Hospital da UNESP em Botucatu - SP a noitinha, eu fui para o quarto do hospital com meu filho Vitor e, logo em seguida vieram os médicos da neurocirurgia falar comigo.


Neste momento eu estava sozinha com o Vitor, estava neste quarto desde sexta-feira (27/04/2007), dia em que o Vitor foi hospitalizado pela 1ª vez.Neste quarto ficavam mais crianças também. Era um quarto tipo pré-atendimento, um lugar onde a gente ficou até descobrir o que o Vitor tinha. E então, como ia lhe dizendo, os médicos da neurocirurgia vieram me falar a respeito de como seria a cirurgia, do tempo que iria demorar do risco que o Vitor correria  e, também, de suas prováveis seqüelas. Meus Deus! Eu ouvi tudo aquilo de pé, isto mesmo, eu estava de pé, sozinha e passada com tudo o que estava acontecendo. Neste instante meu mundo desabou.


Vi a gravidade da doença e já temia a perda de meu filho. Não tinha outro jeito, diante dos fatos autorizei que fizessem a cirurgia a qual foi marcada para o dia 29/04/2007, num domingo, começaria pela manhã.


Como a vida nos prega cada peça!


Lembro que neste dia 29/04/2007 iria ter um churrasco da turma do futebol o qual o Carlos fazia parte, ele era o goleiro do time e o Vitor sempre o acompanhava nos jogos, sendo seu gandula. Neste dia os dois, o Vitor e o Carlos, iriam participar de um churrasco de confraternização com o pessoal do futebol. Tinha tudo para ser mais um final de semana feliz.


Me lembro também que, o Vitor estava esperando ansioso e feliz para o campeonato de pesca que iria ter no dia 01/05/2007 em nossa cidade, em comemoração ao Dia do Trabalho. Este campeonato sempre ocorreu em nossa cidade por conta desde 01/05 e, sempre levávamos as crianças e eles adoravam ver os peixes. Quem pescasse o peixe maior, menor, mais pesado e maior quantidade, recebiam troféus e presentes (vara de pesca, molinete, etc...). Também vendiam sorvetes, salgadinhos, churrasquinho e refrigerantes neste evento e, o Vitor adorava tudo isto. Coisas que crianças e adultos também gostam. Era um clima de muita festa, encontrávamos amigos e batíamos papo.


Por isso a preocupação do Vitor de ser operado naquele final de semana, pois ele iria perder o campeonato de pesca e, também, o churrasco com o pessoal do futebol.


Vitor estava medicado e por isso não tinha dores e apesar de tudo, ele estava tranqüilo e explicamos a ele sobre sua cirurgia com calma, mas lhe falando que tudo iria ficar bem e que ele ia estar dormindo e não sentiria nada e, assim que tirassem o tumor que estava em suas costas, ele não iria mais sentir dores. 


Antes do Vitor ser operado, ele estava perdendo os movimentos de sua  perna direita, quase não conseguia mais andar, por falta de equilíbrio. Foi o lado que o tumor começou a prejudicar a princípio, no começo de tudo.


No sábado dia 28/04, minha irmã Vanda que mora em Avaré-SP veio para Botucatu-SP junto com seu esposo Marcelo, meu cunhado de apelido “Turco”, assim que soube da gravidade da doença do Vitor e que ele seria operado. Ela veio para ficar comigo, naquela noite de sábado, antes da cirurgia. Na primeira noite que o Vitor ficou hospitalizado, em 27/04, fui eu quem dormiu com ele. Lá as mães e os pais que ficam com seus filhos, dormem sentados em cadeiras em péssimas condições (quebradas). Fico revoltada em saber que os deputados e senadores usufruem de melhor conforto do que os pais que estão com seus filhos nos leitos dos hospitais. 


Também neste mesmo dia (28/04), o Carlos foi quem dormiu com o Vitor no Hospital e no dia seguinte, pela manhã, eles foram colocados em um quarto na enfermaria da pediatria com outras crianças que estavam lá internadas. Eu e minha irmã Vanda, tínhamos ido dormir na  casa de  minha prima de 2º grau, na casa da Vera e do Wanderley, os quais o Vitor chama carinhosamente em sua historinha de  “mãezinha” e “Luxemburgo”, apelidos que o Vitor colocou carinhosamente e merecidamente neles, pois a Vera era uma mãe para nós e, o Wanderley se parece com o Luxemburgo que na época era técnico do Palmeiras. Eles nos ajudaram muito neste e em outras épocas, pois ficamos na casa deles por várias vezes quando o Vitor era hospitalizado, porque no Hospital da UNESP só podia dormir uma pessoa com o Vitor, então quando o Carlos dormia no hospital, eu ficava na casa deles e vice-versa.


Vera (mãezinha), Vítor e Wanderley (Luxemburgo)


A Vera (mãezinha) e suas irmãs Vilma e Vanda (irmã da Vera) , perderam sua mãe com câncer, minha tia Lola (tia de 2º grau). Por isso elas sabiam o que eu e o Carlos estávamos passando, elas nos deram muita força durante o período da doença do nosso guerreiro Vitor.


Quando cheguei ao hospital, na manhã do dia 29/04/2007, o Carlos já havia dado banho no Vitor e já tinha vestido ele com a roupa que iria para o centro cirúrgico.


Vendo meu filho com seu lindo cabelinho preto molhado e com um sorriso nos lábios e o Carlos ao seu lado, senti uma emoção muito forte que, só meu coração de mãe pode descrever, olhei-os e diante do risco que sabia que meu filho correria naquela cirurgia que iria se realizar, pedi a Deus que o protegesse e que não o levasse de mim.


Não queria me lembrar deste dia e daquela cena. Pai e filho juntos naquele quarto de hospital, num domingo que tinha tudo para eles estarem se divertindo no churrasco do pessoal do futebol. Neste momento que escrevo meus olhos se encheram de lágrimas e a saudade de meu filho se tornou mais forte e o amor que sinto pelo Carlos, meu esposo e pai dos meus filhos, se tornou mais forte também,  pois com todo amor e carinho, ele cuidou  e me ajudou a cuidar do Vitor em todos os momentos de sua vida. 


Nossa família, meu pai e minha mãe, a mãe do Carlos, a Geni tia do Carlos,  mais a irmã do Carlos, a Ana Lúcia e seu esposo Marcel, minha irmã Vânia e meu cunhado Beto, mais minha irmã Vanda e meu cunhado Marcelo, a Vera(mãezinha) e o Wanderley(Luxemburgo) e, a nossa filhinha Vivian, estavam todos conosco na sala de espera da UTI enquanto o Vitor estava sendo operado naquele dia tão difícil para todos nós e que mudou todos os nossos sonhos que tínhamos para o Vitor. Tenho certeza que Jesus também estava presente em nossas vidas naquele momento tão difícil, senão não teríamos sidos todos tão fortes. Durante a cirurgia, a cada uma hora, eles nos traziam noticiais de como estava nosso filho e, se a cirurgia estava transcorrendo bem. A cirurgia durou oito horas e, quando terminou, me lembro que o médico cirurgião veio falar comigo e com o Carlos e, neste momento, todos nossos familiares acima citados estavam conosco, inclusive nossa filha Vivian. Ele disse que tinham conseguido tirar 98% do tumor, mas que nós voltaríamos para casa com um bebê, usando fraldas e sem poder andar, ele também falou que ia depender muito da recuperação do Vitor e que isto ele não podia prever, somente com o passar do tempo para se ter certeza se o Vitor iria se recuperar ou não, isto é, voltar a andar. Ouvimos atentamente suas observações, com lágrimas nos olhos. Para nós andar seria o de menos, mas é lógico que não foi fácil para todos nós ouvirmos aquelas palavras vinda de um médico a respeito de nosso filho que já estava se tornando um homenzinho que adorava correr, andar de bicicleta, subir em árvores e principalmente jogar futebol, pois ainda não sabíamos se aquele tumor que havia sido retirado era benigno ou maligno e, se poderia voltar novamente. Conclusão: O pior estava por vir e, eu e o Carlos, não sabíamos ainda a gravidade da doença de nosso filho querido e amado Vitor. 


Obs I:  Peço desculpas se me esqueci de alguém que estava com a gente naquele dia da cirurgia do Vitor. Confesso que não me lembro muito bem daquele dia, pois estava muito nervosa com tudo o que estava se passando e, também, deram calmante para eu e o Carlos  tomarmos.


Obs II:  Quem não pôde estar com a gente lá em Botucatu-SP, ficou rezando e torcendo para que tudo desse certo com o Vitor durante e depois da cirurgia.


Continuo no próximo capítulo.


Viviani."


Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

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Os grifos no texto de Vítor e de sua mãe é de responsabilidade deste blogueiro.