Mostrando postagens com marcador guerreiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerreiro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A História de um Guerreiro de 12 Anos - As estrelas agradecem

Neste trecho, chega-se ao final da história do guerreiro Vítor. Hoje abandonei o script História + Depoimento da mãe e deixarei apenas a história do garoto.

O motivo que tomei esta decisão, inclusive sem combinar com seu pai Carlos, é para valorizar num único post, o depoimento de sua mãe Viviani, uma mãe espetacular, fora de série, além dos depoimentos que receberam na publicação de no site Saudades e Adeus.

Todo o aprendizado que recebemos no decorrer de nossa vida, deve ser valorizado. Partindo de uma criança então, a valorização é bem maior, pois o sentimento é puro.

Sobre o título da postagem, não tenho dúvidas que Vitor, o guerreiro palmeirense, deixou de brilhar junto a  nós, para passar sua luz lá de cima, iluminando a todos.


"Eu, em Botucatu, Fazendo Quimioterapia (Continuação...)


Voltei para Botucatu no dia 05 de maio a fim de realizar mais uma sessão de quimioterapia, ou seja, iria fazer mais quatro sessões por mês. Como esta nova quimioterapia era mais forte do que as outras, pois eu estava passando muito mal, a Dra. Lied resolveu fazer apenas três sessões.  Como sempre, comecei a passar mal, tinha vômitos, tremores, fraqueza e meu xixi não estava mais saindo normalmente. Como fiquei desidratado de tanto vomitar e não me alimentar direito, as veias dos meus braços e de minhas mãos sumiram, ou seja, as enfermeiras Bianca, “Léo”, Vandinha, Valéria e “Chico” não conseguiam pegá-las para eu continuar as sessões de quimioterapia. Foi necessário então pegar veias dos meus pés. Fiquei com os braços e as mãos cheias de picadas e roxas pelas agulhadas que levei. Foi difícil terminar esta sessão de quimioterapia. No último dia, a Dra. Lied pediu para a Bianca e um outro enfermeiro, passar uma sonda no meu pipi para que eu pudesse fazer xixi, porque eu estava com um “bexigão”, ou seja, minha barriga estava estufada.


Após, fomos embora para casa. Não foi fácil acostumar com a sonda, pois tinha que estar com ela dia e noite e, de vez em quando, tinha que esvaziar a bolsa. Comecei a ficar com febre que chegou a 40 graus, e também tive tremores pelo corpo todo. No dias das mães, o médico da Argentina, Dr. Elias Mateus e sua esposa,  estiveram em minha casa para uma nova consulta e, após me consultar, deixou mais remédios de homeopatia.


No dia seguinte, como estava passando mal, com febre alta e tremedeiras pelo corpo, veio em minha casa, na parte da manhã, uma enfermeira que trabalha no laboratório de minha tia “Léia” e colheu meu sangue para fazer exames. A tarde saiu o resultado, e então foi constatado que minha defesa estava muito baixa. No dia seguinte, ou seja, dia 12 de maio fui parar novamente no hospital de Botucatu, onde a Dra. Lied já me esperava para mais uma internação, e lá comecei a tomar antibióticos, pois estava novamente com infecção.


Foi colhido mais sangue meu para verificar que tipo de bactéria eu tinha. Após, o exame constou que eu estava com infecção no sangue pelo corpo todo. Novamente uma nova infecção das “brava”, comecei a inchar, inchei tanto que meu saquinho parecia uma bexiga cheia , não comia quase nada, fiquei muito fraco, dormia quase o dia todo e tomava muitos remédios, tanto pela boca, como pela veia. Tomei sangue, plaquetas e soro a vontade. Ficava dia e noite deitado, tomava banho na cama e quase não falava, pois tinha muito sono. Tive várias picadas nos braços e mãos para retirada de meu sangue e para receber medicamentos, às vezes minhas veias cansavam e ficavam roxas e doloridas.  As enfermeiras não mais conseguiam achar veias boas em minhas mãos e braços e, então, comecei a tomar soro e medicamentos nas veias de meus pés. Algumas veias de meus pés também cansaram e também ficaram roxas. Já estava ficando difícil achar veias pelo meu corpo. As enfermeiras de lá, ou seja, da enfermaria da pediatria eram todas legais, pois me tratavam com muito carinho. Lá vendi alguns de meus livrinhos.


Uma médica de nome Paula que lá trabalha, comprou para mim um queijo fresco, uma barra de chocolate e um saquinho de cereal de chocolate para eu comer, essa médica era muito legal para mim, me tratava com muito carinho.


A psicóloga de nome Maria Izabel que também lá trabalha, sempre ia me visitar, pois ela gosta muito de mim e eu dela. Já faz tempo que ela acompanha o meu tratamento e sempre me dando forças para continuar a luta. Também vendi para ela um livrinho meu.


Não foi fácil ficar internado desta vez, pois tive que ficar deitado o tempo todo. Meu passa-tempo era assistir televisão. Recebi muitas visitas quando estava internado, lá estiveram minhas tias Ana Lúcia, Luciana e Vânia, meus tios “Beto”, Zézito e Marcel, meus primos Mateus, Murilo, Daniel e Ana Amélia. Também estiveram lá meus avós José e Maria, Vanderlei, Vera, Vilma e Tiago também foram me visitar.  Minha mãe me visitou todos os dias, e ficou comigo duas noites. Meu pai e uma enfermeira de nome Nivia que lá trabalha, foram convidados por um casal (João e Silvana) para que fossem padrinhos de batizado de seu filho André de apenas quatro meses, que lá estava internado por cirrose hepática.


Não fui ao batizado, pois, como já tinha permissão para deixar o quarto, nessa hora eu estava na escolinha de informática de lá, mas sei que o batizado foi feito por um padre e foi realizado no quarto em que André estava internado. Os médicos das dores, Drs. José Pedro e André também iam me consultar todos os dias, e também iam nutricionistas, fisioterapeutas e médicos plantonistas. Um fato muito engraçado aconteceu comigo quando lá estive internado, pois um médico radiologista que disse ser corintiano foi até meu quarto, perguntou se eu me chamava Vitor, perguntou também que time eu torcia, e eu disse a ele que era palmeirense e, então, ele disse brincando que só ia realizar aquele exame de encéfalo em mim porque eu era palmeirense. Como eu estava meio sonolento, ele perguntou para minha mãe se eu tinha tido convulsão, e, minha mãe disse que não, e ficou sem entender nada, até mesmo a enfermeira Nivia que estava trocando meu soro naquela hora, não notou que o exame estava sendo feito na pessoa errada, ou seja, o Vitor que iria fazer aquele exame não era eu, e sim um outro Vitor que também lá estava internado, em outro quarto. O exame foi feito em mim por uma máquina, ele colocou vários fios em minha cabeça. No final de tudo, não ficamos sabendo do resultado, é mole.


Minha avó Maria, mãe do meu pai, recebeu noticia do médico do hospital de Botucatu, que iria ser internada na terça-feira, ou seja, no dia 14 de maio para ser operada no dia seguinte. Meu pai me disse que minha avó ia ser operada de chagas no intestino. Meu pai me contou também que chagas é uma doença que as pessoas que moravam em sítios, em casas de madeira ou de barro, eram picadas por um bicho de nome barbeiro, que transmitia essa doença (chagas). Fiquei sabendo que minha avó tinha feito a cirurgia que demorou horas, e não passou bem na cirurgia, pois demorou para se recuperar.


No dia 20 de maio, como eu já estava bem melhor, recebi alta e voltei para minha casa, mas minha avó ficou lá se recuperando. Após alguns dias ela teve complicações, e novamente teve que fazer uma nova cirurgia, agora de emergência. Minha avó ficou de coma induzido, pois teve uma infecção generalizada.  Ela ainda passou por uma terceira cirurgia devido a uma nova complicação e, após, foi transferida para a UTI daquele hospital, onde ficou em recuperação.


Dia 3 de junho, voltei com meus pais e minha irmã para o hospital de Botucatu para retorno com a Dra. Lied que, após me consultar, disse que iria mandar um enfermeiro tirar minha sonda para ver se eu conseguia fazer xixi normalmente. Foi o enfermeiro “Chico” que tirou minha sonda e, após, voltamos para nossa casa. Como é gostoso ficar sem a sonda. Graças a Deus, aos poucos, comecei a fazer xixi normalmente. Minhas pernas continuam repuxando sem eu querer, não dói, mas me incomoda, e tomo remédio para isso, mas ele não faz muito efeito. Não sinto nenhuma dor, aos poucos vou voltando ao normal. Passeio com minha cadeira de roda em vários lugares desta cidade. Vou sozinho até a casa de minha avó, mãe da minha mãe.


Almoçando no Shopping
Dia 11 de junho fomos até Bauru onde fiz uma nova ressonância, onde ficou constatado que o tumor tinha diminuído, ficamos felizes e aproveitamos para almoçar no Shopping. Parei de tomar morfina no dia 12, pois graças a Deus eu não estava mais sentindo dores, e também parei de tomar o Decadron, Omeprazol e Humectol D.


Resolvi criar codornas num viveiro que meu avô tinha em seu quintal. Comprei quatro codornas a R$ 2,50 cada, com o dinheiro que eu ganhava com as vendas de meu livrinho. Comprei também o bebedouro e ração para elas. Eu fiquei responsável de cuidar das codornas, mas os dias estavam muitos frios nesta época e, como eu acordava muito tarde, meu avô achou melhor me dar o viveiro de presente para mim e, então, meu pai, meu avô, meu tio Ismael e o amigo do meu pai que tem uma camioneta e que se chama “Índio”, trouxeram o viveiro até minha casa e ele foi colocado no fundo do meu quintal com as minhas quatro codornas. Como o viveiro era grande, meu pai então comprou mais codornas, elas começaram a botar.


Dia 18 de junho retornei ao Hospital de Botucatu para a Dra. Leid me examinar e, como eu tinha ficado muito ruim com a última quimioterapia, ela disse que eu iria fazer esta nova quimioterapia via oral, com comprimidos, e então me passou sete comprimidos de nome Vepesid, eram enormes, pareciam ovos de codorna, só faltavam as pintinhas pretas. Comecei a tomar tais comprimidos no dia 23 e era um por dia, eu tomava a noite antes de dormir. Os comprimidos me deixavam com o estomago ruim e sem fome, às vezes eu vomitava um pouco.


Ganhei um computador usado de uma empresa de São Paulo, de nome Rochtief, a qual meu pai tinha há tempos mandado um e-mail pedindo um computador para mim. Eles trouxeram o computador em minha casa e, como eu já tinha um computador, este ficou para minha irmã Vivian.


Dia 11 de julho, novamente o médico da Argentina e sua esposa estiveram em minha casa, ele me consultou e deixou mais remédios parar eu tomar, disse que meu tratamento estava indo bem e que era para eu continuar.


Vivian, Vítor e juliana, funcionária do CDI
Meus pais me levaram na cidade de Bauru fazer uma nova ressonância magnética (Craniana e Cervical) e levamos a Patrícia que trabalha em casa, junto, pois ela nunca tinha ido para Bauru, fiz a ressonância no CDI, e depois fomos para o Shopping passear e, em seguida, assistimos um filme super legal em um dos cinemas do Shopping, e depois fomos até o McDonalds comer um lanche e, como já era noite, voltamos para nossa cidade. Apesar de fazer a ressonância, foi uma viagem legal, pois divertimos muito.


Minha história ainda não terminou, tem mais ainda, só que ainda não escrevi.


Em breve continuarei!" (Esta foi a última parte da emocionante história de Vitor, pois, depois disso, ele não conseguiu mais escrever)


Cerqueira César - SP, agosto de 2008.       
Vitor Lovison do Amaral. 

_________________________________

Depoimento dos Pais de Vitor

"...Nascemos para transformar um pedacinho do mundo em que vivemos.


Com certeza, nosso filho Vitor fez a sua parte, pois um filho é complemento, uma benção, uma jóia preciosa, não destruição de sonhos.


Desejamos a todos que tiveram a oportunidade de ler a história do nosso filho Vitor, muita saúde, amor, união, paz e muita fé!  Viviani e Amaral.


Obs.: No dia 31/12/2008, ficamos sabendo através da Dra. Lied, para nossa alegria que, o remédio quimioterápico de nome Temodal, o qual o Vitor fez uso, agora é distribuído de forma gratuita na UNESP de Botucatu - SP, para pacientes que tem o mesmo tipo de tumor que o Vitor tinha, ou seja, no sistema nervoso central."

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A História de um Guerreiro de 12 anos - Fazendo Quimioterapia

Depois de algum tempo resolvendo problemas familiares, voltarei a publicar a história do pequeno Vitor, A História de um Guerreiro de 12 anos. Na postagem de hoje, Vitor vai descrever como foi a primeira etapa de sua quimioterapia. Em seguida, mais lembranças no depoimento de sua mãe Viviani.


"Eu, Fazendo Quimioterapia


No dia 03/07/07, ainda em Sorocaba, comecei a fazer quimioterapia via oral, com remédio chamado Temodal, no início eu tomava dois comprimidos num dia e um no outro. Esse remédio me dava sono, náusea, vômito e tirava minha fome. Tomava esse remédio por cinco dias no mês, junto com outros remédios para não ter muitos efeitos colaterais. O Temodal era um remédio muito forte, ele podia cair os meus cabelos, mais não caiu.


Vitor com sua tia Lúcia e o cachorro Zeca,
irmão do Beethoven
Continuei com o tratamento em Cerqueira César, só que daí eu já tomava dois comprimidos por cinco dias seguidos, todas as noites, antes de eu dormir. Comecei a fazer fisioterapia com as fisioterapeutas Junia e Fernanda, elas são legais. Também continuei indo em Botucatu nas consultas mensais com a doutora Lied, isso sem contar que fazia um exame de sangue, sempre antes de começar a quimioterapia. Minha tia Léia que é farmacêutica é quem vinha colher meu sangue. Voltei a andar, não como sempre, mais andando dentro do possível. Voltei a fazer várias coisas normais que eu fazia antes, brincar até de bola com meu amigo Vinícius e Wesley. Eu ia até a casa de minha avó brincar e também nas casas dos meus amigos e primos.


Voltei a pescar e sempre estava usando um colete que foi colocado em mim após a cirurgia, ainda quando estava na UTI. Esse colete eu só tirava para dormir. Fazia ressonância magnética de três em três meses na cidade de Bauru, e outras em Botucatu para ver se o tumor tinha sumido. Eu também passava pelos médicos da neurocirurgia para eles me avaliarem. Tomei o Temodal por sete meses, então comecei a sentir novamente as pernas bambas, minha mamãe ligou para a doutora Lied, falando de minha situação e, então, a doutora Lied pediu para fazer uma nova ressonância magnética, para ver o que estava acontecendo.


Fomos para Bauru no dia 04/12/07 e fizemos a ressonância magnética, então constatou que o tumor tinha voltado. Parei de andar e comecei a usar fraldas descartáveis, pois não controlava mais o xixi e o coco. Levamos o resultado para a doutora Lied ver, então ela suspendeu o Temodal e disse que buscaria um outro recurso para mim, para combater o tumor que havia voltado. Então ela decidiu fazer a quimioterapia na minha veia. Eu iria fazer dez sessões seguidas de quimioterapia no mês, só descansava no sábado e domingo e, ainda, voltava mais um dia do mesmo mês para fazer mais uma sessão.  Para fazer esta quimioterapia, a doutora Lied disse que eu precisava por um aparelhinho chamado portokate para receber a quimioterapia com maior segurança.


Fiquei internado em Botucatu para fazer a cirurgia, e um médico meio japonês colocou o portokate em mim, do lado direito do meu peito, para não machucar minhas veias e, não ter perigo de estourá-las quando eu estiver fazendo a quimioterapia, pois se estourasse uma veia, podia ferir e queimar meu braço, pois o remédio era muito forte. Na mesma semana comecei receber a quimioterapia na minha veia e só na semana seguinte é que poderia receber a quimioterapia através do portokate, neste período também fiz três ressonâncias magnéticas.


Desta vez o medicamento era mais forte que o Temodal e também judiou mais de mim. Eu sentia náuseas, diarréias, vômitos, ficava sem fome e fraco; comecei a tomar soro também.                 


Num final de semana, do mês de janeiro, meus pais me levaram para passear de barco na cidade de Barra Bonita, foi legal, andamos e almoçamos no barco, fomos até próximo da Eclusa e tiramos fotos, depois fomos ver as barraquinhas que ficam ali próximo aonde se pesca, e numa delas eu me interessei por um peixe grande, feito de argila que estava num quadro de madeira, acabei comprando ele por R$ 40,00, era um peixe de nome Cachara, o vendedor fez um desconto para mim, pois paguei em dinheiro com minha mesada.


Depois fomos pescar no rio Tiete ao lado dos barcos, pescamos vários peixes, mas começou a chover e tivemos que parar pois a chuva estava muito forte, então resolvemos dormir em Barra Bonita e ficamos numa pousada legal, isto sem dizer que eu estava de cadeiras de rodas, no outro dia, logo de manhã, fomos pescar no mesmo lugar, mas logo começou a chover de novo e tivemos que parar e, então, fomos almoçar em uma lanchonete que fica próximo onde estávamos pescando; em seguida fomos dar uma volta nas barraquinhas novamente.


Minha mãe e minha irmã Vivian compraram algumas lembrancinhas para elas e, quando estávamos no carro para voltar para nossa casa, apareceu o pai do vendedor do peixe e disse que o peixe que eu comprei era premiado, e iria fazer um quadro com outro peixe para mim, ele pegou nosso endereço, telefone e disse que viria em nossa casa passear e trazer meu prêmio. Levamos todos os peixes que pescamos para nossa casa, e meu pai ficou limpando eles até meia noite. No outro dia eu tinha que acordar cedo para ir fazer quimioterapia em Botucatu, foi uma aventura.


Quando nos íamos para Botucatu fazer quimioterapia, alguns dias ficávamos na casa da Vera e do Vanderlei “Luxemburgo” para eu não cansar muito das viagens e para meu pai também economizar nas viagens. Vera, Vanderlei e seu filho Tiago, são legais para mim.


Eu ganhei uma cadeira de rodas motorizada; essa cadeira meu pai ganhou de uma empresa de farmácia de nome Apsen que fica em São Paulo, através da Internet. Gostei da cadeira, pois ela me leva para onde eu quero.


Fiz a sessão de quimioterapia pelo portokate no mês de fevereiro, porém, peguei uma infecção da “brava”, tive febre alta e tremia muito, por isso fui internado e acabei indo parar na UTI, novamente, para que fosse feito uma nova cirurgia para retirar o portokate, pois os médicos descobriram que minha infecção era no portokate. Fiz amizade com as enfermeiras e com as médicas da enfermaria, elas são legais, tinha até uma médica que era da Argentina, ela falava meio enrolada, mais dava para entender. Fiquei internado por dezoito dias lá na enfermaria, no isolamento, tomando antibiótico por causa da infecção que peguei; meu pai ficou comigo no hospital nesses dias e, durante este tempo, nós brincamos de truco, xadrez, rouba-monte, cara a cara, pega vareta, dominó etc..., num parquinho que ficava do lado de fora da enfermaria.


Também assistimos televisão, jogamos vídeo game juntos; ele me levava na escolinha e na informática que tinha lá; também me dava banho e me trocava. Recebemos muitas visitas de tios, avós, primos e primas. Assistimos na televisão o jogo do Palmeiras contra o São Paulo, foi vitória do palmeiras 4 X 1, foi demais, até ganhei uma Pepsi  que apostei com o Vanderlei que, até agora não me pagou, mas ele disse que vai pagar. Lá participamos de um aniversário de uma menina que também estava internada e, também, participamos de uma festinha de Páscoa; ganhei um ovo de Páscoa e um refrigerante neste dia.


O homem da loja de Barra Bonita veio em casa, com sua esposa e amigos e trouxe meu presente, um peixe de argila num quadro de madeira, era um Dourado e, também trouxe um pescador de argila, eles eram legais, disseram que quando fossemos para Barra Bonita passear era para avisar eles, para irmos conhecer suas casas.


Meus pais conseguiram um médico da Argentina para me ver, ele veio até a minha casa e se chama Elias Mateus, ele é médico de homeopatia e, após a consulta ele deixou vários remédios homeopáticos para eu tomar e outro para eu fazer inalação. Ele tomou café da tarde em nossa casa, tiramos fotos junto com ele, e eu até mostrei a ele meus hamster. Esse tratamento é para ajudar nos efeitos ruins da quimioterapia, ele virá uma vez por mês para me ver e trazer mais remédios.


Meu tratamento estava indo bem até que surgiu uma dor muito forte em minhas costas, próximo do tumor. Meus pais ficaram preocupados com minha dor e telefonaram para a doutora Lied, que pediu para fazer uma ressonância urgente. Fomos para Bauru e fiz uma ressonância das costas. Depois meus pais me levaram para Botucatu junto com o resultado da ressonância, e a Doutora Lied receitou uns remédios para minha dor. Passei a tomar mais remédios, sendo que um é de quatro em quatro horas, graças a Deus a dor passou. Voltamos depois para Botucatu para eu passar com outros médicos, médicos que entendem de dores, e me deram mais remédios.


Começou a trabalhar em casa uma mulher que se chama Cleide, ela é legal, faz café, chá e coisas gostosas para mim, quando eu peço.  Eu dei para Cleide um filhote de hamster, ela gostou muito e disse que ia dar para sua filha cuidar. Dei outro filhote de hamster para a Rosana que trabalha com meu pai. Coloquei minha hamster de nome “Biriguete” para namorar o meu hamster “Fred” na mesma gaiola, para eles terem filhinhos. Meu tio Fábio fez um churrasco na casa dele para nós e, neste dia, ganhei um peixe grande, um pintado, de um amigo de meus pais que se chama Hércules.


Vitor com seus tios e com Gabriel ainda
 na barriga de sua tia Léia
Ganhei também algumas tilápias e traíras de um amigo nosso que tem um pesque-pague em Cerqueira César. A nova quimioterapia que estou fazendo é muito forte, faço quatro sessões por mês, o dia todo. Ela fez eu perder metade de meus cabelos e, os remédios que estou tomando, fez eu ficar um pouco gordo. Vem várias pessoas me visitar em casa. Tem muitas pessoas rezando por mim. A Cleide que trabalha em casa disse que arrumou um outro emprego e vai sair de casa, mas mamãe e papai já providenciaram outra mulher para trabalhar em nossa casa, no lugar dela.


Minha tia Léia ganhou bebê no Hospital de Avaré, ele se chama Gabriel, um novo priminho São Paulino, é mole!


Se você quiser ler o resto desta história, compre a folha seguinte. (ainda estou escrevendo).






Cerqueira César - SP, 03/05/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"


Depoimento de Viviani:

Vivian - irmã de Vitor e torcedora alviverde
"Vivian também é Palmeirense roxa e torce para valer quando o Palmeiras joga. Ela gosta de jogar futebol e ficou com o uniforme do Palmeiras que era do Vitor e com a chuteira também. Haja coração para nós pais.


O Vitor apelidou sua irmãzinha Vivian de “Viva” ainda quando eu estava grávida dela, pois como ele não sabia falar direito, ele a chamava de “Viva” e assim ficou. Há pouco tempo achei o significado do nome da Vivian que quer dizer viva, com vida.
Um dia a Vivian falou que queria que fosse com ela a doença, porque menina brinca mais de boneca, casinha, isto é, a brincadeira é mais parada do que as brincadeiras de menino, devido ao fato do Vitor estar sem andar e não poder jogar bola como tanto gostava.


O Vitor um dia disse que ainda bem que essa doença não foi com a Vivian, pois ela é muito fraquinha e não ia agüentar. Eu ouvia e pensava: Meu Deus que filhos maravilhosos o Sr. me deu.


Meu coração de mãe sangrava cada dia, a cada hora e a cada minuto. Mas eu estava de pé, cuidando dos meus filhos. Chorei muitas vezes debaixo do chuveiro quando o Vitor não estava em casa e, também na igreja. Quando foi diagnosticado que o tumor voltou, corri para uma rua perto de casa, no bairro onde moro e gritei, chorei e depois me refiz para prosseguir até o fim.


Jovina com Clara, irmã do Vitor
Vitor e seu amigo Mauricio
Eu não tinha empregada doméstica antes do Vitor adoecer, tinha somente uma diarista, a Jovina a qual estava conosco desde que me casei e tive o Vitor e depois a Vivian, Jovina trabalha também de diarista na casa de minha mãe (vó Maria) e por isso é como se fizesse parte de nossa família. Me lembro que quando estava grávida do Vitor, nós duas fomos limpar o Lions Clube local onde foi realizado o meu casamento. O Vitor, desde que nós nos mudamos para nossa casa própria, no mesmo bairro que a Jovina mora, se tornou amigo do filho dela, o Maurício, eles jogavam bola juntos no campinho perto de casa, jogavam vídeo-game e jogos no computador. Maurício vinha sempre visitar e fazer companhia ao Vitor na época que ele estava doente.


Infelizmente quando o tumor do Vitor voltou, em 03 de dezembro de 2007, numa 2ª feira o Vitor começou a perder os movimentos de suas pernas pela 2ª vez e, neste dia, a Jovina estava fazendo faxina em nossa casa e, presenciou tudo. Tivemos então que correr com ele para um lado e para o outro, fazendo novamente mais exames de ressonância magnética e, logo em seguida, ele começou quimioterapia venal. Foi nesta época que ele teve que usar fraldas e eu e o Carlos é que dávamos banho e trocávamos ele. Neste período também, por causa da quimioterapia, ele passava muito mal, enjoava muito e vomitava bastante. Vitor ficava vários dias sem comer. Ele chupava muitas laranjas trazidas pelo meu tio Atílio, pois era o que ele conseguia ingerir. Até o cheiro de minha comida, que ele tanto gostava, fazia ele enjoar. Eu mantinha sua caminha sempre limpinha e cheirosa, seu quarto sempre arrumadinho, como ele sempre gostou e fazia de tudo para ele com todo amor e carinho.


Eu e o Carlos quando trocávamos ele, fazíamos brincadeiras para distraí-lo e ele acabava rindo, se descontraindo. O cansaço e o estresse neste período começou a pesar. Era muito sofrimento para mim e para o Carlos ver nosso filho sofrendo. Precisávamos ser fortes e passar tranqüilidade para ele, por isso eu fazia de tudo para que tivéssemos a mesma rotina de sempre em nossa casa. Recebíamos muitas visitas, por conta disto, o Vitor resolveu imprimir um papel no seu computador, cobrando pedágio para quem viesse visitá-lo com os horários e valores e, colou na porta do seu quarto o papel. A Lúcia, minha prima, mas que todos a chamam de tia Lúcia, pagava o pedágio trazendo acerola para o Vitor, pois ele gostava muito de chupar esta fruta. 


Como a Jovina não podia trabalhar em casa mensalmente (foi com muita tristeza em meu coração que tive que dispensá-la), pois ela fazia faxina em outras casas também, minhas irmãs me aconselharam a arrumar alguém para trabalhar em casa todos os dias, para que naquele momento tão difícil que nós estávamos vivendo, eu não me preocupasse com o serviço da casa (lavar roupas, passar, limpar a casa e o quintal) pois assim eu poderia me dedicar totalmente ao Vitor e a Vivian também. E quando eu precisasse sair para fazer compras no supermercado, ir a padaria, levar e buscar a Vivian na escola, o Vitor não ficaria sozinho, porque o Carlos estava no serviço.


Vitor com tios Zezito e Luciana
Neste período teve pessoas boas que me auxiliaram, como a Cleide que veio trabalhar em casa no mês de fevereiro de 2008. Foi meu irmão Zezito e minhas irmãs Léia e Vânia que  pagavam ela para mim, mas quem cuidada do Vitor em tempo integral era somente eu e o Carlos. Foi bom ter alguém para me ajudar com os afazeres domésticos para que eu pudesse cuidar exclusivamente do Vitor.


Como o Carlos ia para o serviço, durante o dia eu trocava o Vitor e dava seus remédios. Me lembro que uma única vez a Cleide precisou me ajudar a trocar o Vitor e ele, então constrangido, fechou os olhos e  levou seu bracinhos na frente tampando seus olhos e ela, disse a ele com muito carinho, que ela também tinha filhos e era para ele vê-la como uma mãe ou até mesmo como uma avó. Nesta época o Vitor estava pesado e, às vezes, era difícil para mim trocá-lo sozinha, mas  nas outras vezes que se seguiram e o Carlos não estava em casa para me ajudar, eu sempre procurei não pedir mais ajuda para não ver meu filho envergonhado, pois ele já estava virando um homenzinho. Meu Deus! Quanto sofrimento para nós, mas principalmente para ele.


Ele gostava da minha comida e por isso raramente a Cleide cozinhava para nós, mas me lembro até hoje como era a sopa que ela nos fazia e nós tomávamos quando chegávamos cansados e tristes de Botucatu-SP.


A Vivian até hoje não esquece os bolinhos de arroz que ela fazia para nós. O Vitor adorava que ela fizesse café da tarde para ele, pois ela sempre levava o café para ele no seu quarto, onde ele ficava no seu computador ou no vídeo game. Alias foi a Cleide que ajudou o Vitor dar o nome a sua história, se me lembro ela sugeriu “guerreiro”.


Cleide é uma senhora boa e humilde, ela é budista e me ensinou a meditar. O Vitor ouvia eu meditando e começava a me imitar, tirando sarro dizendo: “ não miorengui quiosque” e dizia que era para dar fome nele.


Cleide e Vitor
Teve um dia que o Vitor pediu para a Cleide que fosse com ele caçar formigas e a Cleide topou. E o Vitor foi com sua cadeira de rodas motorizada, eles entraram num terreno perto de casa, onde tinha um cupinzeiro e, a Cleide com seu pé desmanchava o cupinzeiro e pegava as formigas para o Vitor que, colocava dentro de uma caixa. Eles voltaram para casa com muitas formigas. A Cleide não se esquece disso até hoje e, tenho certeza de que nunca esquecerá. 


Segue foto dele com a Cleide.


Obs:- Um dia quando ela presenciou o Vitor chegando mal de Botucatu-SP, ela foi para o nosso quintal chorar e eu tive que pedir para que ela não chorasse pois o Vitor poderia ouvir. Ela não queria ver o Vitor sofrendo e pediu para sair de nossa casa, pois ela perdeu sua mãe com câncer também, quando ainda era pequena. Com a saída dela veio a Patrícia que divertia muito o Vitor e a gente com seu jeito simples, alegre e despojado de ser.


Vitor um dia me pediu para que levasse a Patrícia para conhecer o shopping e o cinema de Bauru-SP e, quando fomos fazer mais uma ressonância nele na CDI de Bauru-SP, levemos Patrícia junto. Vitor também quis levá-la para conhecer a UNESP de Botucatu-SP, o Mac. Donald’s e o Supermercado Pão de Açúcar, onde ele mostrou a ela os peixes congelados que vendiam lá, ela ficou encantada. No Mac. Donald’s o Vitor falou para ela escolher o lanche que quisesse que a gente ia pagar. Ele era muito gentil com ela e nasceu uma bela amizade entre eles e nós também.


Patrícia, Vitor e sua irmã Vivian
Patrícia tem um jeito divertido de falar, me lembro da expressão usada por ela para se referir a sua casa, ela dizia: “meu barraco” e o Vitor a imitava; dois dias antes dele partir, ele me disse que iria construir no futuro um barraco para ele perto de nossa casa. Patrícia nos fez rir muito num dos momentos mais tristes de nossas vidas e da vida do Vitor, pelas palavras engraçadas que ela dizia e pelas coisas divertidas que ela nos contava. Deus põe as pessoas certas nos momentos certos. Depois que o Vitor partiu, Ela neste período fazia companhia para mim que procurava me restabelecer pela perda do Vitor, ela ficou com a gente até janeiro de 2009. Após sua saída, voltei a ter somente diarista.  


Segue foto dele com a Patrícia.


Na época da doença do Vitor, eu mandei fazer vários cartãozinho com fotos dele, com seu nome completo e com os seguintes disseres: “Orem pela cura de nosso filho Vitor Lovison do Amaral de 12 anos – Pais Amaral, Viviani e sua irmã Vivian” e distribuía em todos os lugares que eu ia. Perdi a conta de quanto cartãozinho como este foi feito. 


Continuo outro dia.


Viviani."     

Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

carlosalbertodoamaral@hotmail.com
_________________________________________
Gostaria de dedicar este dia de Finados para as seguintes pessoas:

- Olinda de Paula Reis (avó paterna que já me enviou uma psicografia)
- Manuel Sebastião (avô materno)
- Ilce Domingues (Tia querida)
- Lucas de Oliveira Cunha (Ex-vizinho que morreu de acidente na rodovia que liga Uberaba-Uberlândia)
- Vô Zé (Avô materno de minha esposa que nem conheci)
- Vitor Lovison do Amaral (nosso guerreiro, que mesmo em outro plano espiritual, tem me ensinado muita coisa)
- Tatiana Madjarof (Uma garota especial que tem ajudado muitas pessoas a enviarem cartinhas de outros planos para seus familiares através do médium Celso em Uberaba)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A História de um Guerreiro de 12 anos - O dia da Cirurgia

Continuando a história do Vítor, um pequeno guerreiro de 12 anos contando o difícil dia de sua cirurgia. Apesar de estar lidando com algo novo em sua vida, perceba toda sua alegria e vivacidade. Mais abaixo teremos um depoimento de sua mãe sobre o dia da cirurgia e alguns dias que antecederam.

"O Dia da Minha Cirurgia - 29/04/07 - Domingo


No dia 28/04/07, num sábado, eu fui fazer uma ressonância magnética em Bauru, era minha primeira vez, eu fiquei com medo de levar a agulhada do contraste. Eu achei meio estranho o barulho da máquina, mas eu fiquei calmo porque minha tia Léia e meu pai estavam lá.


Minha mãe e meu tio Fábio estavam me esperando lá fora, dando forças. Depois do exame eu esperei uns 20 minutos e apareceu o resultado com uma médica japonesa. Ela disse que eu tinha um tumor, e fui direto para Botucatu aonde me internaram.


Já no outro dia me levaram para a cirurgia que durou 8 horas. É..., 8 horas mesmo! Foi uma cirurgia microscópica, e, depois disso eu consegui abrir o olho inteiro e eu vi meu pai, minha mãe e minha tia Vânia, e mais uma outra pessoa que ainda não sei quem era. Depois fui acordar só ás 6 da manhã. No outro dia não conseguia mexer as pernas e mal movimenta o pescoço, e o pior de tudo, não controlava minhas fezes. Foi difícil acostumar com aquelas enfermeiras, até bonitinhas, enfiando um tubo no meu pipi para eu fazer xixi, ai como dói aquilo.


Foi difícil comer aquela comida de hospital, eu estava acostumado com a comida da minha mãe. Depois de um tempo eu comecei a receber muitas visitas, como tia Vanda, tia Léia, tia Vânia, minha vovó, meu vovô, meu tio Zezito, minha tia Ana Lúcia e, meu tio Marcelo, mais conhecido como “Turco” etc.


Depois de certo tempo, a minha médica Lied me deu alta e eu vim embora para casa, que felicidade encontrar meus amigos e jogar vídeo game. Eu jogava ainda os PS 1, mais até que era legal, o PS 2 vem em outro capítulo.


Veio um monte de gente rezar e até orar, eu nem sou crente, olha o que fizeram eu passar..., que sacanagem fizeram comigo, eu nem podia sair correndo, dava vontade mais não conseguia, fazer o que pô, eu sou católico, será que não tava escrito na minha testa, vinha até gente falar para eu virar São Paulino e até um Corintiano, que absurdo! Eu sou Palmeirense roxo! Somos campeões não perdedores.


Bateu uma vontade de pescar, meu pai e minha mãe me levaram no pesque-pague e, peguei um peixe corintiano, por isso que o peixe tava com uma cara de tonto, ele era tão feio que nem deveriam cobrar aquele peixe com cara de idiota, por isso que era corintiano, mas deu pra divertir, além disso, não peguei só aquele peixe, peguei mais dois ”estes eram Palmeirense”, estes sim eram bonitos, estes eu podia pagar e,  assim, acabou a pescaria aquele dia.


Depois meu tio Fábio me convidou para um churrasco na casa dele, eu queria carne mal passada, que nós apelidamos de “aquela” e, assim, foi uma boa parte da minha vida.


Cerqueira César-SP, 29/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"

Depoimento de Viviani, mãe de Vítor:


"Relembrando...


No dia 28 de abril foi diagnosticado o tumor que o Vitor tinha, um tumor na medula, era num sábado e chegamos no Hospital da UNESP em Botucatu - SP a noitinha, eu fui para o quarto do hospital com meu filho Vitor e, logo em seguida vieram os médicos da neurocirurgia falar comigo.


Neste momento eu estava sozinha com o Vitor, estava neste quarto desde sexta-feira (27/04/2007), dia em que o Vitor foi hospitalizado pela 1ª vez.Neste quarto ficavam mais crianças também. Era um quarto tipo pré-atendimento, um lugar onde a gente ficou até descobrir o que o Vitor tinha. E então, como ia lhe dizendo, os médicos da neurocirurgia vieram me falar a respeito de como seria a cirurgia, do tempo que iria demorar do risco que o Vitor correria  e, também, de suas prováveis seqüelas. Meus Deus! Eu ouvi tudo aquilo de pé, isto mesmo, eu estava de pé, sozinha e passada com tudo o que estava acontecendo. Neste instante meu mundo desabou.


Vi a gravidade da doença e já temia a perda de meu filho. Não tinha outro jeito, diante dos fatos autorizei que fizessem a cirurgia a qual foi marcada para o dia 29/04/2007, num domingo, começaria pela manhã.


Como a vida nos prega cada peça!


Lembro que neste dia 29/04/2007 iria ter um churrasco da turma do futebol o qual o Carlos fazia parte, ele era o goleiro do time e o Vitor sempre o acompanhava nos jogos, sendo seu gandula. Neste dia os dois, o Vitor e o Carlos, iriam participar de um churrasco de confraternização com o pessoal do futebol. Tinha tudo para ser mais um final de semana feliz.


Me lembro também que, o Vitor estava esperando ansioso e feliz para o campeonato de pesca que iria ter no dia 01/05/2007 em nossa cidade, em comemoração ao Dia do Trabalho. Este campeonato sempre ocorreu em nossa cidade por conta desde 01/05 e, sempre levávamos as crianças e eles adoravam ver os peixes. Quem pescasse o peixe maior, menor, mais pesado e maior quantidade, recebiam troféus e presentes (vara de pesca, molinete, etc...). Também vendiam sorvetes, salgadinhos, churrasquinho e refrigerantes neste evento e, o Vitor adorava tudo isto. Coisas que crianças e adultos também gostam. Era um clima de muita festa, encontrávamos amigos e batíamos papo.


Por isso a preocupação do Vitor de ser operado naquele final de semana, pois ele iria perder o campeonato de pesca e, também, o churrasco com o pessoal do futebol.


Vitor estava medicado e por isso não tinha dores e apesar de tudo, ele estava tranqüilo e explicamos a ele sobre sua cirurgia com calma, mas lhe falando que tudo iria ficar bem e que ele ia estar dormindo e não sentiria nada e, assim que tirassem o tumor que estava em suas costas, ele não iria mais sentir dores. 


Antes do Vitor ser operado, ele estava perdendo os movimentos de sua  perna direita, quase não conseguia mais andar, por falta de equilíbrio. Foi o lado que o tumor começou a prejudicar a princípio, no começo de tudo.


No sábado dia 28/04, minha irmã Vanda que mora em Avaré-SP veio para Botucatu-SP junto com seu esposo Marcelo, meu cunhado de apelido “Turco”, assim que soube da gravidade da doença do Vitor e que ele seria operado. Ela veio para ficar comigo, naquela noite de sábado, antes da cirurgia. Na primeira noite que o Vitor ficou hospitalizado, em 27/04, fui eu quem dormiu com ele. Lá as mães e os pais que ficam com seus filhos, dormem sentados em cadeiras em péssimas condições (quebradas). Fico revoltada em saber que os deputados e senadores usufruem de melhor conforto do que os pais que estão com seus filhos nos leitos dos hospitais. 


Também neste mesmo dia (28/04), o Carlos foi quem dormiu com o Vitor no Hospital e no dia seguinte, pela manhã, eles foram colocados em um quarto na enfermaria da pediatria com outras crianças que estavam lá internadas. Eu e minha irmã Vanda, tínhamos ido dormir na  casa de  minha prima de 2º grau, na casa da Vera e do Wanderley, os quais o Vitor chama carinhosamente em sua historinha de  “mãezinha” e “Luxemburgo”, apelidos que o Vitor colocou carinhosamente e merecidamente neles, pois a Vera era uma mãe para nós e, o Wanderley se parece com o Luxemburgo que na época era técnico do Palmeiras. Eles nos ajudaram muito neste e em outras épocas, pois ficamos na casa deles por várias vezes quando o Vitor era hospitalizado, porque no Hospital da UNESP só podia dormir uma pessoa com o Vitor, então quando o Carlos dormia no hospital, eu ficava na casa deles e vice-versa.


Vera (mãezinha), Vítor e Wanderley (Luxemburgo)


A Vera (mãezinha) e suas irmãs Vilma e Vanda (irmã da Vera) , perderam sua mãe com câncer, minha tia Lola (tia de 2º grau). Por isso elas sabiam o que eu e o Carlos estávamos passando, elas nos deram muita força durante o período da doença do nosso guerreiro Vitor.


Quando cheguei ao hospital, na manhã do dia 29/04/2007, o Carlos já havia dado banho no Vitor e já tinha vestido ele com a roupa que iria para o centro cirúrgico.


Vendo meu filho com seu lindo cabelinho preto molhado e com um sorriso nos lábios e o Carlos ao seu lado, senti uma emoção muito forte que, só meu coração de mãe pode descrever, olhei-os e diante do risco que sabia que meu filho correria naquela cirurgia que iria se realizar, pedi a Deus que o protegesse e que não o levasse de mim.


Não queria me lembrar deste dia e daquela cena. Pai e filho juntos naquele quarto de hospital, num domingo que tinha tudo para eles estarem se divertindo no churrasco do pessoal do futebol. Neste momento que escrevo meus olhos se encheram de lágrimas e a saudade de meu filho se tornou mais forte e o amor que sinto pelo Carlos, meu esposo e pai dos meus filhos, se tornou mais forte também,  pois com todo amor e carinho, ele cuidou  e me ajudou a cuidar do Vitor em todos os momentos de sua vida. 


Nossa família, meu pai e minha mãe, a mãe do Carlos, a Geni tia do Carlos,  mais a irmã do Carlos, a Ana Lúcia e seu esposo Marcel, minha irmã Vânia e meu cunhado Beto, mais minha irmã Vanda e meu cunhado Marcelo, a Vera(mãezinha) e o Wanderley(Luxemburgo) e, a nossa filhinha Vivian, estavam todos conosco na sala de espera da UTI enquanto o Vitor estava sendo operado naquele dia tão difícil para todos nós e que mudou todos os nossos sonhos que tínhamos para o Vitor. Tenho certeza que Jesus também estava presente em nossas vidas naquele momento tão difícil, senão não teríamos sidos todos tão fortes. Durante a cirurgia, a cada uma hora, eles nos traziam noticiais de como estava nosso filho e, se a cirurgia estava transcorrendo bem. A cirurgia durou oito horas e, quando terminou, me lembro que o médico cirurgião veio falar comigo e com o Carlos e, neste momento, todos nossos familiares acima citados estavam conosco, inclusive nossa filha Vivian. Ele disse que tinham conseguido tirar 98% do tumor, mas que nós voltaríamos para casa com um bebê, usando fraldas e sem poder andar, ele também falou que ia depender muito da recuperação do Vitor e que isto ele não podia prever, somente com o passar do tempo para se ter certeza se o Vitor iria se recuperar ou não, isto é, voltar a andar. Ouvimos atentamente suas observações, com lágrimas nos olhos. Para nós andar seria o de menos, mas é lógico que não foi fácil para todos nós ouvirmos aquelas palavras vinda de um médico a respeito de nosso filho que já estava se tornando um homenzinho que adorava correr, andar de bicicleta, subir em árvores e principalmente jogar futebol, pois ainda não sabíamos se aquele tumor que havia sido retirado era benigno ou maligno e, se poderia voltar novamente. Conclusão: O pior estava por vir e, eu e o Carlos, não sabíamos ainda a gravidade da doença de nosso filho querido e amado Vitor. 


Obs I:  Peço desculpas se me esqueci de alguém que estava com a gente naquele dia da cirurgia do Vitor. Confesso que não me lembro muito bem daquele dia, pois estava muito nervosa com tudo o que estava se passando e, também, deram calmante para eu e o Carlos  tomarmos.


Obs II:  Quem não pôde estar com a gente lá em Botucatu-SP, ficou rezando e torcendo para que tudo desse certo com o Vitor durante e depois da cirurgia.


Continuo no próximo capítulo.


Viviani."


Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

carlosalbertodoamaral@hotmail.com


Os grifos no texto de Vítor e de sua mãe é de responsabilidade deste blogueiro.

sábado, 16 de outubro de 2010

Fotos e Relatos

Hoje farei uma pausa na história de nosso guerreiro.

Antes de dar continuidade na história do Vítor, achei pertinente postar mais depoimentos de sua mãe, falando de quando ainda era um bebê, e o período pré-doença.

Peço que leiam todo o texto da Viviane e façam uma reflexão que este blogueiro fez, que é a que devemos amar a todo instante todos que estão nos rodeando, pais, filhos, parentes queridos e amigos. Infelizmente não sabemos o dia de amanhã. Pode ser tarde e não saberemos.


"Como havia contado anteriormente, o Vitor quando nasceu foi direto para o bercinho aquecido, pois ele estava com dificuldade para respirar, havia engolido um pouco da sujeirinha durante o trabalho de parto. Ele ficou com sua testinha um pouco roxa ao nascer, mas graças a Deus ele ficou bem e viemos para casa e o Vitor crescia com muita saúde. Ele era um bebê tranqüilo e muito feliz. Vitor mamou no peito até dois anos e dois meses de idade. Quando o Vitor nasceu eu parei de trabalhar fora, pois eu trabalhava de fotógrafa e como era empregada não ganhava muito. Então não compensava continuar trabalhando e também eu mesmo queria cuidar do Vitor. Eu mesma fazia sua papinha e cuidava dele em tempo integral com a ajuda do Carlos que sempre foi um super pai, muito presente e participativo. Mesmo assim continuei  a tirar fotos de alguns eventos, trabalhava por conta e então o Carlos era quem olhava o Vitor para eu sair fotografar. 


Ironia do destino, eu sempre tirei muitas fotos dos meus filhos. Registrava tudo, tudo mesmo. Cada momento, cada sorriso e até seus machucados.


Ah! Eu conheci o pai do Vitor, meu esposo numa cerimônia religiosa enquanto eu fotografava um casamento o qual ele foi convidado. Tenho certeza que foi Deus que nos uniu para trazer ao mundo nosso filho Vitor, um espírito de muita luz e muita sabedoria.


Eu sabia que o Carlos seria um bom pai, pois ele gostava muito de crianças e brincava muito com meus sobrinhos. O Carlos ganhou até o apelido de “Tio Bichão”  por causa dos bichos que imitava brincando na piscina, com as crianças pequenas da família, na época em que namorávamos. O Carlos sempre foi e é um super pai.


Bom, outro dia em conto mais sobre nós e nosso começo de vida a três, ou seja, eu, o Carlos e o Vitor. Afinal tenho certeza que este realmente é um tempo que o Vitor gostaria muito de reviver, um tempo que ele tinha muita saúde, corria, brincava, jogava bola e era muito feliz. Quem não quer reviver algo tão bom, não é mesmo! E confesso, sinto mais alegria em escrever sobre este tempo que nos foi e ainda nos é tão precioso. Dizem que recordar é viver, então eu vivo, ele vive, Certo!


Beijos nos corações. Viviani!"



O ano de 2007, antes da doença do Vitor!

"Vamos lá,...


O ano de 2007 tinha tudo para ser um ano cheio de alegrias e realizações.



Férias, janeiro de 2007 levamos as crianças para passear em Bauru-SP, fomos ao shopping e zoológico pela primeira vez. Chovia muito e a viagem em si foi uma aventura. Nesta época tínhamos um fusquinha verde e durante a viagem entrava água dentro dele e o Vitor e a Vivian tinham que ir com os pés em cima do banco do carro para não se molharem, sem contar que o Carlos errou o caminho e por isso a viagem ficou mais longa.


Levamos as crianças ao McDonald´s e ao Habib’s. Fomos ao cinema juntos pela primeira vez e assistimos o filme “Por água abaixo”, demos boas risadas. O Vitor estava já com seus 11 anos e a Vivian prestes a completar seus 8 aninhos em fevereiro de 2007.


Em 2007 foi o ano em que estávamos melhor financeiramente.


Desde 2005 eu comecei a vender lingerie, mas eu era comissionada, então resolvi que já era hora de me tornar independente e é por isso que também fomos a Bauru-SP neste dia para que eu fizesse minha 1ª compra de lingerie da marca Provence, neste dia o Vitor e a Vivian também estavam comigo. Sei que voltamos de Bauru-SP bem a noitinha e o Vitor e a Vivian dormiram no banco de trás do fusquinha. Eu e o Carlos olhamos um para o outro e sentimos emocionados por vê-los tão felizes, embora estivessem cansados.Naquele momento olhando para os nossos filhos, sentíamos muito abençoados por Deus e, sabíamos o quanto éramos felizes.


Realmente aquele dia foi muito especial para eles e principalmente para nós pais, por poder proporcionar a eles esta viagem.




O Vitor e a Vivian também brincaram muito no parquinho do shopping e eu para variar tirei muitas fotos deste dia inesquecível.


2007 também foi o ano que o Vitor e a Vivian foram para São Paulo  – SP na casa de seus primos Daniel e Ana Amélia e, de lá, eles foram para Santos-SP conhecer a praia pela 1ª vez.


Também foi a primeira vez que eu e o Carlos ficamos longe das crianças.


Minha irmã Vânia, ou melhor, a tia Vânia mora em São Paulo-SP, ela é médica pediatra, foi ela quem ficou com o Vitor na UTI na 1ª noite, depois que ele saiu da cirurgia. Quando ele acordou da anestesia ele pediu uma Coca-Cola, mas ele ainda não podia beber nada.


Bem, quando as crianças me ligaram dizendo que estavam na praia, eu e o Carlos ficamos emocionados e gratos à minha irmã Vânia, ao meu cunhado Beto e aos meus sobrinhos Aninha e Daniel, por proporcionar aos nossos filhos aquele momento tão especial e feliz. Pena não estarmos lá para vermos suas carinhas de felicidade.              


(Palavras do blogueiro: Escrever este post na hora do almoço vendo este prato é pura maldade...rsssss)


Voltaram para casa cheios de fotos e presentes para nós. Trouxeram também areia e conchinhas da praia de Santos – SP.


Foi sem dúvida mais uma viagem inesquecível para eles, é só ver as fotos que a gente não tem dúvidas disto.


Em 2007 o Vitor estava fazendo a 6ª série do primeiro grau, na Escola Professor José Leite Pinheiro e era muito querido pelas professoras, em especial pela Professora de Português chamada Benedita.


Vitor estava tendo um pouco de dificuldade com sua letra, ele sempre falava que a letra dele era feia e a professora pedia que ele melhorasse. Não sei ao certo, talvez já fosse reflexo de sua doença. 


Um dia quando fui buscar o Vitor na escola e dei carona para seu amigo Wesley, o Vitor reclamou que o professor de Educação física deu um exercício muito difícil e que doeu suas costas e, então, o Wesley disse que ele também sentiu dores. Esta foi a primeira vez que me lembro do Vitor se queixar de dores nas costas. Me lembro que disse ao Vitor que da próxima vez que o professor mandasse fazer este exercício, ele não fizesse, explicando o porque.  Então somente depois quando o Vitor começou a reclamar novamente, passado alguns dias, foi que o levamos ao médico e, como vocês poderão ler em sua historinha, foi somente através da ressonancia magnática que foi descoberto que ele tinha um tumor. Então era o tumor que o Vitor tinha que causava as dores, o tumor devia estar crescendo e comprimindo sua medula. Nunca poderiamos imaginar algo tão grave! 


Como uma mãe como eu tão zelosa não percebi antes! Até hoje me faço esta pergunta.


Segundo minha irmã Léia, se nós tivéssemos descoberto antes o tumor do Vitor, isto é, antes dele começar a ter dor, o Vitor só teria sofrido mais.


O Vitor estava magrinho, mas como ele sempre foi magro e eu e o Carlos quando crianças também, achamos normal.


O Vitor se alimentava bem para a idade dele. Pelo menos eu achava. Ele sempre gostou de frutas e sua verdura preferida era alface. Quando pequeno, mais ou menos quando tinha 1 ano e meio, ele comia até quiabo.


Sempre tivemos em casa muitas frutas e verduras. Aliás nossa horta feita pelo Carlos foi uma condição imposta pelo Vitor quando mudamos para nossa casa própria em 1999. O Vitor disse que só se mudaria se seu pai fizesse uma horta no quintal da nossa casa nova e é claro, que o Carlos fez e, a nossa horta existe até hoje. O Vitor tinha somente 4 anos quando fez este pedido.


Nossas verduras sempre foram plantadas sem agrotóxicos, ou seja, verduras orgânicas.


Teve uma época que tínhamos bastante verdura e era comum o Vitor com sua bicicletinha verde sair vendendo alface para a vizinhança, sua irmã Vivian também o ajudava. O dinheirinho era dividido para eles ou colocado em nosso cofrinho. Tempo felizes!





Continuarei outro dia.


Sinto que devo escrever sobre nossa vida, sobre o Vitor principalmente e, o tempo em que ele esteve com a gente e tinha muita saúde.


Fiquem com Deus


Com carinho!


Viviani, mãe do Vitor.


Cerqueira César-SP, 15 de outubro de 2010."


Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

 carlosalbertodoamaral@hotmail.com



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A História de um Guerreiro de 12 anos - O começo de Tudo

Desde que decidi publicar a história de Vítor, achei que deveria sempre colocar seu texto em primeiro para em seguida os depoimentos de seus pais. Mas hoje peço licença ao nosso guerreiro para postar primeiramente o depoimento de sua mãe, Viviani que nos enviou um texto emocionante.

Antes de ver pela ótica do Vítor o início dos males que o levou ao fim de seu corpo físico, vale a pena ler pelas palavras de sua mãe o verdadeiro início, quando ela soube da gravidez e mais outros detalhes.


"Essa quem lhe escreve é a mãe do pequeno grande guerreiro Vitor.


Hoje acordei com o pensamento cheio de lembranças de meu querido, amado e inesquecível filho. Mas antes de falar mais sobre ele, achei que deveria contar-lhes um pouco de mim e de como o Vitor chegou em nossas vidas, isto é, de seu nascimento, pois este mês é o mês do aniversário deste grande guerreiro que, se estivesse aqui, estaria completando seus quinze anos de vida. Por isso achei que deveria falar sobre sua vinda para este mundo.


Na época eu tinha vinte e três anos e o Carlos trinta e três, nós namorávamos há apenas dois anos, mas estávamos muito apaixonados, sempre falávamos em ter filhos e o desejo do Carlos era ser pai. Apesar do Vitor não ter sido planejado, foi um filho que nós dois queríamos muito ter e o amamos desde o exato momento que descobrimos que eu estava grávida em 17 de março de 1995. Sem contar que, no dia 03 de março, eu já havia feito um exame e tinha dado negativo e então ficamos muito triste e, depois de 14 dias que repeti o exame, pois o Carlos me pediu que fizesse um exame de sangue, só então foi confirmada a gravidez para nossa alegria.  Neste mesmo ano, no dia 03 de junho de 95, nos casamos e o Vitor já estava com a gente, tive uma gravidez tranqüila e preparamos tudo com muito amor e carinho para sua chegada, morávamos numa casa de aluguel que só tinha um quarto e então o bercinho do Vitor era do lado de nossa cama e ele dormia pertinho de mim. Ah! Que saudade!


Bem, então como era meu primeiro filho, decidi que iria esperar para ver se o Vitor nasceria de parto normal. Chegando o mês de outubro já estava tudo pronto para a chegada do Vitor. Um mês muito bonito particularmente para mim, pois é o mês de Nossa Senhora Aparecida, o qual  eu e meu esposo somos devotos e, coincidência ou não, o Vitor sempre gostou muito de Nossa Senhora e, sempre estava colocando suas fitinhas no braço e fazia seus pedidos, principalmente no período de sua doença, é também o mês do dia das crianças e  o aniversário de nossa cidade chamada Cerqueira César-SP.


Na verdade, o Vitor estava previsto para nascer no mês de novembro, pelas contas do meu médico, mas o Vitor adiantou quinze dias. Me lembro que comecei sentir-me mal uns quatro dias antes dele nascer, fui para o Hospital de Avaré-SP e até me prepararam para fazer o parto, mas ainda não era a hora e o médico me mandou de volta para casa e disse que era para eu prestar atenção aos movimentos do meu bebê, ou seja, do Vitor. Eu e o Carlos ficamos muito preocupados e, então, eu colocava um palhacinho que tocava musiquinha em cima da minha barriga para que o Vitor ouvisse e assim ele mexia e nós nos acalmávamos.




No dia 24 de outubro, passei por consulta médica e, então, foi colhido o líquido da placenta o que indicou que estava na hora do Vitor nascer. Fui internada para ganhar o Vitor de parto normal, mas eu não estava tendo dilatação e, o Vitor e eu começamos a sofrer, então a cesariana teve que ser de emergência e foi assim que o Vitor nasceu no dia 25 de outubro de 1995, às 03h15min, pesando 2.950 gramas e com 46 centímetros. Nem pude ver ele direito pois ele teve que ir rápido para o bercinho aquecido. Quase o perdi no dia que ele nasceu, mas sua missão ainda era um pouco maior e eu tive a benção de ter meu filho comigo por 12 anos e 11 meses. E é por isso que hoje vocês estão tendo a oportunidade de ler sobre meu filho Vitor, porque ele nasceu, viveu, foi muito amado, feliz, muito amou  e muitas alegrias no deu, mas infelizmente sofreu com sua doença, a qual o levou tão cedo de nós, mas ele muito nos ensinou e uma grande lição de vida a todos deixou.


Um detalhe muito especial foi que quando soubemos pela ultrassonografia de que iríamos ter um menininho foi que o Carlos, mesmo antes do Vitor nascer, comprou para ele a camiseta oficial do Palmeiras. A camisetinha do Verdão ficava dentro do bercinho do Vitor a espera do pequeno Palmeirense. Vitor tem muitas fotos com este camiseta que foi a primeira camiseta que ele vestiu. Sua irmã Vivian também já usou a mesma camiseta e, até a Clarinha que nasceu em 19 de janeiro deste ano, pode também vestir a mesma camiseta que seu  irmão Vitor ganhou de seu pai, há quinze anos atrás. 




Vou enviar fotos dele e de suas irmãs, com a mesma camiseta, assim que possível.


Como pode ver, Vitor já nasceu Palmeirense e suas irmãs também.


Com todo o meu amor e carinho de mãe, escrevi estas palavras com o coração cheio de afeto e saudades, de um tempo que nos foi tão especial e que, nem mesmo a distância e a morte do corpo físico de meu filho, (porque acredito que o espírito dele está vivo, esteja onde estiver, estará sempre ao meu lado para me dar forças a continuar a minha missão de mãe), poderá apagar ou fazer-nos esquecer do imenso amor que sentimos um pelo outro.


Foi com o Vitor que me tornei mãe pela 1ª vez e, foi com ele que aprendi a ser mãe e, tenho certeza que fiz o melhor que pude, sempre procurei passar bons princípios e valores para ele, ensinando a respeitar desde pequeno os animais, os mais velhos, etc... tendo sempre respeito pela vida. Éramos felizes com coisas simples, como brincar em um parquinho, ir a prainha, tomar café e almoçar na casa da vó Maria e brincar com seus primos no quintal da casa de sua avó e vô Zé e, também de ir de pescar com seu pai e avô Zé.
                       
Também, sempre rezávamos  juntos antes de dormir, uma oração para o anjo da guarda dele.


Sou Viviani, filha, esposa, mãe amorosa e dedicada e é claro Palmeirense!


Obs: outro dia escreverei mais.


Cerqueira César-SP, 14 de outubro de 2010."

Emocionante, para dizer o mínimo, mas agora vamos para a continuação do texto de nosso guerreiro.

"O Começo de Tudo

No dia 25/04/07 eu fui para Escola, até o recreio estava tudo normal, chegou as duas últimas aulas de história, a aula que eu mais gosto, com minha professora Neiva, eu já comecei sentir algo de estranho nas minhas pernas, eu pensei que fosse cansaço.

E voltando para minha casa, eu fui brincando que eu era um bêbado, porque eu ia tropeçando em qualquer coisa. Então decidi passar na casa da minha avó e de meu avô, minha avó pegou um aparelho de fazer massagem e passou nas minhas costas pra ver se melhorava a dor, depois disso aproveitei que meu primo Renatinho estava na minha vovó e joguei bola com ele, mesmo estando com as pernas bêbadas consegui jogar, até ganhei, mas levei uns “frangos”.

Depois paramos de jogar bola e fomos jogar um jogo de tabuleiro, depois minha mãe me levou para o hospital, para o doutor me ver e tentar descobrir o que seria a dor. O nome dele era Doutor Carlos, ele falou que era dor muscular, além disso, lá eu vi um homem que se engasgou com um osso de porco e, precisava fazer uma cirurgia para tirar, me deu calafrios de ver aquilo, depois fui embora.

Dormi, acordei no outro dia com as pernas muito bambas, quase caindo e cansando muito para andar. Minha mãe ligou para tia Léia e combinaram de me levar para o hospital de Avaré para os médicos me verem. No hospital, titia Léia teve que me levar no colo até lá no hospital, o médico deu umas marteladas no meu joelho, para ver o meu reflexo. Ele me encaminhou para uma Clínica que não deu muito certo, estava cheia.

Daí me levaram para uma outra Clínica particular, o doutor me viu andando e, de cara falou que tinha algo comprimindo a minha medula e, poderia ser uma hérnia de disco. Minha mãe ficou muitíssima preocupada comigo, já ligou para tia Vânia, para sua mãe e para todo mundo dando a notícia, daí o doutor já pediu uma ressonância magnética de situação de emergência para o outro dia; então eu faria a ressonância magnética.

Voltei para casa e tomei um banho, comecei a receber visitas de tios e avós; depois comi uma comida muito boa que minha mãe preparou para mim. Fui dormir, acordei a noite com dor nas costas, não podíamos fazer nada para melhorar, só no outro dia eles me levariam  para Botucatu, fazer a ressonância magnética para ver o que ia dar; foi difícil dormir, mas consegui. No outro dia, acordei sem conseguir andar direito; mamãe e papai ficaram desesperados comigo, então, fomos eu, tio Zezito, papai e mamãe para Botucatu, bem cedinho, para ser consultado pelos médicos de lá.

Cerqueira César - SP, 01/05/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"




Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.

 carlosalbertodoamaral@hotmail.com