Me perguntaram por estes dias o motivo de estar postando uma história de um garoto que nem está entre nós num blogue de futebol. Este mesmo leitor sentia falta de minhas opiniões para este momento conturbado alviverde com troca de presidente, inimigos históricos tentando uma suposta aliança e outros conchavos. Prefiro fazer uma pausa sobre estes assuntos.
Além do garoto Vítor ser um palmeirense "roxo" como ele próprio diz, só este motivo bastaria para estar postando, mas optei por estar publicando sua história e os depoimentos de seus pais, para mostrar que a vida não é só o dinheiro, o futebol ou a religião, é muito mais que isso. Por muitas vezes deixamos de privilegiar coisas que realmente faz sentido em nossas vidas. Peço mais uma vez a reflexão e vamos aprender um pouco mais com as histórias do garoto Vítor e sua família.
O próximo capítulo da história do Vítor será do dia que fez a radioterapia, mas antes de dar continuidade, Viviani, a mãe guerreira nos mandou mais um relato:
"Hoje nossa pequena Clara está completando nove meses de vida e ela mais a Vivian, nossas meninas Palmeirenses, são as responsáveis por termos forças para seguir em frente, pois a dor da saudade que sentimos do Vitor, penso ser insuperável e, este mês de outubro nos trazem muitas lembranças por ocasião de seu aniversário que é em 25 de outubro como já contei.
Quando penso que meu filho Vitor, se estivesse aqui, estaria prestes a completar seus 15 anos, meu Deus, eu seria a mãe mais feliz do mundo se aquela doença ingrata não o tivesse levado de nós tão cedo e de forma tão sofrida, se fosse para ele escolher o que teria em sua festa de aniversário, ele com certeza ia pedir churrasco e feijoada.
Vocês já pararam para pensar que o homem já inventou muitas coisas essenciais e outras nem tanto de um tempo para cá, como por exemplo: Computador, celular, TV digital, etc., só que a cura do câncer, ou pelo menos uma vacina contra esta doença, ainda não inventaram, seria bom se as crianças, quando nascessem, pudessem tomar para ficarem protegidas e imunes por esta doença. É pena que até agora o homem não tenha conseguido nada tão eficaz. Será que falta empenho ou mesmo interesse dos órgãos Públicos e Federais para destinarem mais recursos em pesquisas, não só aqui no Brasil como também no exterior?
Em minhas orações peço constantemente que apareça a cura para esta doença ou que apareça uma vacina que a extermine, ou seja, que faça esta doença desaparecer para sempre, se é que é possível. Pena que o leite materno que previne tantas doenças infecciosas não previna o câncer,pois eu amamentei o Vitor até ele completar 2 anos e 2 meses de idade.
Sou mãe de um filho guerreiro e, por isso, procuro ser guerreira também. Não gosto de levar tristeza as pessoas. Procuro viver minha vida da maneira que vivia quando o Vitor ainda estava aqui, por isso faço as coisas que ele gostava de fazer e, também as comidas que ele sempre gostou de comer. Uma mãe com M maiúsculo jamais se esquece de um filho e nem das coisas que ele gostava. Tenho certeza de que assim, esteja ele onde estiver, estará feliz por mim e, também deixo minhas filhas Vivian e Clara e as pessoas que me querem bem, felizes. Não me esqueço nenhum dia de meu filho Vitor, meu primeiro pensamento é para ele e, o ultimo pensamento do dia também.
Me lembro que ele desde que ficou doente, ele precisava de mim para sair de sua cama, então quando ele acordava ele me chamava e dizia essas palavras: “bom dia mãe! Bença mãe!Eu te amo mãe! “ e depois dizia que queria levantar e quando eu o pegava no colo, ele sempre me dava um beijo bem demorado em meu rosto.Como sinto saudades dos seus beijinhos, tinha um beijo que apelidamos de “beijo de esquimó” que era quando encostávamos nariz com nariz, coisas de mãe e filho. Graças a Deus também tenho a Vivian a qual também me dá muito beijos e a Clarinha já está quase aprendendo também. A vida continua... e o amor que tenho pelos meus filhos: Vitor, Vivian e Clara é o que me move a seguir em frente, sempre procurando ser uma mãe cada dia melhor.
O Vitor assim como a Vivian e seus priminhos, sempre gostaram de chupar cana que seu avô Zé Lovison descascava para eles e, colocava em potinhos ou bacias para nos finais de semana eles chuparem e, assim era e ainda é.
Por ocasião, me lembro que quando o Vitor estava na UTI de Botucatu-SP, logo após ser operado e estar se recuperando, meu pai foi visitá-lo e levou cana para ele chupar. Algumas enfermeiras nem sabiam o que era cana e foram perguntar para o médico responsável pela UTI naquele dia, que estava de plantão, se poderia deixar o Vitor chupar a cana que seu avô levou. Sorte que o médico sabia o que era e deixou. O Vitor adorou e o vô Zé ficou feliz vendo seu netinho Vitor chupando a cana que ele com todo seu amor tinha descascado para uma ocasião tão triste e ao mesmo tempo feliz. Triste porque o Vitor estava ali num hospital, numa UTI sem poder se levantar e mexer suas perninhas, bem diferente de quando ele chupava a cana na casa de seu avô Zé e sua Vó Maria que, era entre uma brincadeira e outra e jogando futebol com seus priminhos. Ao mesmo tempo feliz porque ele resistiu àquela cirurgia tão arriscada e, estava vivo e podia chupar a cana que tanto gostava.
Tenho em meu coração a certeza que esta cana meu pai descascou com lágrimas nos olhos e com um aperto enorme em seu coração, embora tenha também a certeza que a alegria que meu pai sentia naquele momento, por saber que seu neto estava bem apesar de tudo e podia ainda chupar da cana que ele mesmo plantou em seu quintal, o deixou feliz. Só mesmo o vô Zé para ter tido esta idéia. Alguém conhece outra pessoa que levou cana em uma UTI pediátrica?
Para o pessoal da UNESP foi um fato inédito!
Minhas lembranças cheias de emoções afloraram neste momento. Vejam fotos de Vitor com seu avô Zé e vó Maria Luiza quando o Vitor tinha se recuperado da cirurgia e voltou a andar, mesmo com dificuldades, depois de ter feito a radioterapia e a quimioterapia oral. Nesta foto o Vitor aparece fazendo o que ele mais gostava de fazer e que o vô Zé sempre gostou, que é pescar.
Queria agradecer ao carinho dos leitores que estão seguindo a história do Vitor e a de minha família também, contada por ele e agora por nós.
Nem sempre é possível saber sobre qual fato vou relatar, pois depende muito do que sinto no dia, de minha inspiração e de minhas lembranças. Porém sinto que falo sobre o que o Vitor iria gostar que eu contasse, bem é isso. Obrigada!
Continuo no próximo capítulo.
Vou tentar escrever sobre o dia que descobri que o Vitor tinha um tumor de alto grau de malignidade, enquanto ele ainda estava na UTI.
Viviani, mãe do guerreiro Vitor Lovison do Amaral."
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
A História de um Guerreiro de 12 anos - O dia da Cirurgia
Continuando a história do Vítor, um pequeno guerreiro de 12 anos contando o difícil dia de sua cirurgia. Apesar de estar lidando com algo novo em sua vida, perceba toda sua alegria e vivacidade. Mais abaixo teremos um depoimento de sua mãe sobre o dia da cirurgia e alguns dias que antecederam.
"O Dia da Minha Cirurgia - 29/04/07 - Domingo
No dia 28/04/07, num sábado, eu fui fazer uma ressonância magnética em Bauru, era minha primeira vez, eu fiquei com medo de levar a agulhada do contraste. Eu achei meio estranho o barulho da máquina, mas eu fiquei calmo porque minha tia Léia e meu pai estavam lá.
Minha mãe e meu tio Fábio estavam me esperando lá fora, dando forças. Depois do exame eu esperei uns 20 minutos e apareceu o resultado com uma médica japonesa. Ela disse que eu tinha um tumor, e fui direto para Botucatu aonde me internaram.
Já no outro dia me levaram para a cirurgia que durou 8 horas. É..., 8 horas mesmo! Foi uma cirurgia microscópica, e, depois disso eu consegui abrir o olho inteiro e eu vi meu pai, minha mãe e minha tia Vânia, e mais uma outra pessoa que ainda não sei quem era. Depois fui acordar só ás 6 da manhã. No outro dia não conseguia mexer as pernas e mal movimenta o pescoço, e o pior de tudo, não controlava minhas fezes. Foi difícil acostumar com aquelas enfermeiras, até bonitinhas, enfiando um tubo no meu pipi para eu fazer xixi, ai como dói aquilo.
Foi difícil comer aquela comida de hospital, eu estava acostumado com a comida da minha mãe. Depois de um tempo eu comecei a receber muitas visitas, como tia Vanda, tia Léia, tia Vânia, minha vovó, meu vovô, meu tio Zezito, minha tia Ana Lúcia e, meu tio Marcelo, mais conhecido como “Turco” etc.
Depois de certo tempo, a minha médica Lied me deu alta e eu vim embora para casa, que felicidade encontrar meus amigos e jogar vídeo game. Eu jogava ainda os PS 1, mais até que era legal, o PS 2 vem em outro capítulo.
Veio um monte de gente rezar e até orar, eu nem sou crente, olha o que fizeram eu passar..., que sacanagem fizeram comigo, eu nem podia sair correndo, dava vontade mais não conseguia, fazer o que pô, eu sou católico, será que não tava escrito na minha testa, vinha até gente falar para eu virar São Paulino e até um Corintiano, que absurdo! Eu sou Palmeirense roxo! Somos campeões não perdedores.
Bateu uma vontade de pescar, meu pai e minha mãe me levaram no pesque-pague e, peguei um peixe corintiano, por isso que o peixe tava com uma cara de tonto, ele era tão feio que nem deveriam cobrar aquele peixe com cara de idiota, por isso que era corintiano, mas deu pra divertir, além disso, não peguei só aquele peixe, peguei mais dois ”estes eram Palmeirense”, estes sim eram bonitos, estes eu podia pagar e, assim, acabou a pescaria aquele dia.
Depois meu tio Fábio me convidou para um churrasco na casa dele, eu queria carne mal passada, que nós apelidamos de “aquela” e, assim, foi uma boa parte da minha vida.
Cerqueira César-SP, 29/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"
Depoimento de Viviani, mãe de Vítor:
"Relembrando...
No dia 28 de abril foi diagnosticado o tumor que o Vitor tinha, um tumor na medula, era num sábado e chegamos no Hospital da UNESP em Botucatu - SP a noitinha, eu fui para o quarto do hospital com meu filho Vitor e, logo em seguida vieram os médicos da neurocirurgia falar comigo.
Neste momento eu estava sozinha com o Vitor, estava neste quarto desde sexta-feira (27/04/2007), dia em que o Vitor foi hospitalizado pela 1ª vez.Neste quarto ficavam mais crianças também. Era um quarto tipo pré-atendimento, um lugar onde a gente ficou até descobrir o que o Vitor tinha. E então, como ia lhe dizendo, os médicos da neurocirurgia vieram me falar a respeito de como seria a cirurgia, do tempo que iria demorar do risco que o Vitor correria e, também, de suas prováveis seqüelas. Meus Deus! Eu ouvi tudo aquilo de pé, isto mesmo, eu estava de pé, sozinha e passada com tudo o que estava acontecendo. Neste instante meu mundo desabou.
Vi a gravidade da doença e já temia a perda de meu filho. Não tinha outro jeito, diante dos fatos autorizei que fizessem a cirurgia a qual foi marcada para o dia 29/04/2007, num domingo, começaria pela manhã.
Como a vida nos prega cada peça!
Lembro que neste dia 29/04/2007 iria ter um churrasco da turma do futebol o qual o Carlos fazia parte, ele era o goleiro do time e o Vitor sempre o acompanhava nos jogos, sendo seu gandula. Neste dia os dois, o Vitor e o Carlos, iriam participar de um churrasco de confraternização com o pessoal do futebol. Tinha tudo para ser mais um final de semana feliz.
Me lembro também que, o Vitor estava esperando ansioso e feliz para o campeonato de pesca que iria ter no dia 01/05/2007 em nossa cidade, em comemoração ao Dia do Trabalho. Este campeonato sempre ocorreu em nossa cidade por conta desde 01/05 e, sempre levávamos as crianças e eles adoravam ver os peixes. Quem pescasse o peixe maior, menor, mais pesado e maior quantidade, recebiam troféus e presentes (vara de pesca, molinete, etc...). Também vendiam sorvetes, salgadinhos, churrasquinho e refrigerantes neste evento e, o Vitor adorava tudo isto. Coisas que crianças e adultos também gostam. Era um clima de muita festa, encontrávamos amigos e batíamos papo.
Por isso a preocupação do Vitor de ser operado naquele final de semana, pois ele iria perder o campeonato de pesca e, também, o churrasco com o pessoal do futebol.
Vitor estava medicado e por isso não tinha dores e apesar de tudo, ele estava tranqüilo e explicamos a ele sobre sua cirurgia com calma, mas lhe falando que tudo iria ficar bem e que ele ia estar dormindo e não sentiria nada e, assim que tirassem o tumor que estava em suas costas, ele não iria mais sentir dores.
Antes do Vitor ser operado, ele estava perdendo os movimentos de sua perna direita, quase não conseguia mais andar, por falta de equilíbrio. Foi o lado que o tumor começou a prejudicar a princípio, no começo de tudo.
No sábado dia 28/04, minha irmã Vanda que mora em Avaré-SP veio para Botucatu-SP junto com seu esposo Marcelo, meu cunhado de apelido “Turco”, assim que soube da gravidade da doença do Vitor e que ele seria operado. Ela veio para ficar comigo, naquela noite de sábado, antes da cirurgia. Na primeira noite que o Vitor ficou hospitalizado, em 27/04, fui eu quem dormiu com ele. Lá as mães e os pais que ficam com seus filhos, dormem sentados em cadeiras em péssimas condições (quebradas). Fico revoltada em saber que os deputados e senadores usufruem de melhor conforto do que os pais que estão com seus filhos nos leitos dos hospitais.
Também neste mesmo dia (28/04), o Carlos foi quem dormiu com o Vitor no Hospital e no dia seguinte, pela manhã, eles foram colocados em um quarto na enfermaria da pediatria com outras crianças que estavam lá internadas. Eu e minha irmã Vanda, tínhamos ido dormir na casa de minha prima de 2º grau, na casa da Vera e do Wanderley, os quais o Vitor chama carinhosamente em sua historinha de “mãezinha” e “Luxemburgo”, apelidos que o Vitor colocou carinhosamente e merecidamente neles, pois a Vera era uma mãe para nós e, o Wanderley se parece com o Luxemburgo que na época era técnico do Palmeiras. Eles nos ajudaram muito neste e em outras épocas, pois ficamos na casa deles por várias vezes quando o Vitor era hospitalizado, porque no Hospital da UNESP só podia dormir uma pessoa com o Vitor, então quando o Carlos dormia no hospital, eu ficava na casa deles e vice-versa.
A Vera (mãezinha) e suas irmãs Vilma e Vanda (irmã da Vera) , perderam sua mãe com câncer, minha tia Lola (tia de 2º grau). Por isso elas sabiam o que eu e o Carlos estávamos passando, elas nos deram muita força durante o período da doença do nosso guerreiro Vitor.
Quando cheguei ao hospital, na manhã do dia 29/04/2007, o Carlos já havia dado banho no Vitor e já tinha vestido ele com a roupa que iria para o centro cirúrgico.
Vendo meu filho com seu lindo cabelinho preto molhado e com um sorriso nos lábios e o Carlos ao seu lado, senti uma emoção muito forte que, só meu coração de mãe pode descrever, olhei-os e diante do risco que sabia que meu filho correria naquela cirurgia que iria se realizar, pedi a Deus que o protegesse e que não o levasse de mim.
Não queria me lembrar deste dia e daquela cena. Pai e filho juntos naquele quarto de hospital, num domingo que tinha tudo para eles estarem se divertindo no churrasco do pessoal do futebol. Neste momento que escrevo meus olhos se encheram de lágrimas e a saudade de meu filho se tornou mais forte e o amor que sinto pelo Carlos, meu esposo e pai dos meus filhos, se tornou mais forte também, pois com todo amor e carinho, ele cuidou e me ajudou a cuidar do Vitor em todos os momentos de sua vida.
Nossa família, meu pai e minha mãe, a mãe do Carlos, a Geni tia do Carlos, mais a irmã do Carlos, a Ana Lúcia e seu esposo Marcel, minha irmã Vânia e meu cunhado Beto, mais minha irmã Vanda e meu cunhado Marcelo, a Vera(mãezinha) e o Wanderley(Luxemburgo) e, a nossa filhinha Vivian, estavam todos conosco na sala de espera da UTI enquanto o Vitor estava sendo operado naquele dia tão difícil para todos nós e que mudou todos os nossos sonhos que tínhamos para o Vitor. Tenho certeza que Jesus também estava presente em nossas vidas naquele momento tão difícil, senão não teríamos sidos todos tão fortes. Durante a cirurgia, a cada uma hora, eles nos traziam noticiais de como estava nosso filho e, se a cirurgia estava transcorrendo bem. A cirurgia durou oito horas e, quando terminou, me lembro que o médico cirurgião veio falar comigo e com o Carlos e, neste momento, todos nossos familiares acima citados estavam conosco, inclusive nossa filha Vivian. Ele disse que tinham conseguido tirar 98% do tumor, mas que nós voltaríamos para casa com um bebê, usando fraldas e sem poder andar, ele também falou que ia depender muito da recuperação do Vitor e que isto ele não podia prever, somente com o passar do tempo para se ter certeza se o Vitor iria se recuperar ou não, isto é, voltar a andar. Ouvimos atentamente suas observações, com lágrimas nos olhos. Para nós andar seria o de menos, mas é lógico que não foi fácil para todos nós ouvirmos aquelas palavras vinda de um médico a respeito de nosso filho que já estava se tornando um homenzinho que adorava correr, andar de bicicleta, subir em árvores e principalmente jogar futebol, pois ainda não sabíamos se aquele tumor que havia sido retirado era benigno ou maligno e, se poderia voltar novamente. Conclusão: O pior estava por vir e, eu e o Carlos, não sabíamos ainda a gravidade da doença de nosso filho querido e amado Vitor.
Obs I: Peço desculpas se me esqueci de alguém que estava com a gente naquele dia da cirurgia do Vitor. Confesso que não me lembro muito bem daquele dia, pois estava muito nervosa com tudo o que estava se passando e, também, deram calmante para eu e o Carlos tomarmos.
Obs II: Quem não pôde estar com a gente lá em Botucatu-SP, ficou rezando e torcendo para que tudo desse certo com o Vitor durante e depois da cirurgia.
Continuo no próximo capítulo.
Viviani."
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
Os grifos no texto de Vítor e de sua mãe é de responsabilidade deste blogueiro.
"O Dia da Minha Cirurgia - 29/04/07 - Domingo
No dia 28/04/07, num sábado, eu fui fazer uma ressonância magnética em Bauru, era minha primeira vez, eu fiquei com medo de levar a agulhada do contraste. Eu achei meio estranho o barulho da máquina, mas eu fiquei calmo porque minha tia Léia e meu pai estavam lá.
Minha mãe e meu tio Fábio estavam me esperando lá fora, dando forças. Depois do exame eu esperei uns 20 minutos e apareceu o resultado com uma médica japonesa. Ela disse que eu tinha um tumor, e fui direto para Botucatu aonde me internaram.
Já no outro dia me levaram para a cirurgia que durou 8 horas. É..., 8 horas mesmo! Foi uma cirurgia microscópica, e, depois disso eu consegui abrir o olho inteiro e eu vi meu pai, minha mãe e minha tia Vânia, e mais uma outra pessoa que ainda não sei quem era. Depois fui acordar só ás 6 da manhã. No outro dia não conseguia mexer as pernas e mal movimenta o pescoço, e o pior de tudo, não controlava minhas fezes. Foi difícil acostumar com aquelas enfermeiras, até bonitinhas, enfiando um tubo no meu pipi para eu fazer xixi, ai como dói aquilo.
Foi difícil comer aquela comida de hospital, eu estava acostumado com a comida da minha mãe. Depois de um tempo eu comecei a receber muitas visitas, como tia Vanda, tia Léia, tia Vânia, minha vovó, meu vovô, meu tio Zezito, minha tia Ana Lúcia e, meu tio Marcelo, mais conhecido como “Turco” etc.
Depois de certo tempo, a minha médica Lied me deu alta e eu vim embora para casa, que felicidade encontrar meus amigos e jogar vídeo game. Eu jogava ainda os PS 1, mais até que era legal, o PS 2 vem em outro capítulo.
Veio um monte de gente rezar e até orar, eu nem sou crente, olha o que fizeram eu passar..., que sacanagem fizeram comigo, eu nem podia sair correndo, dava vontade mais não conseguia, fazer o que pô, eu sou católico, será que não tava escrito na minha testa, vinha até gente falar para eu virar São Paulino e até um Corintiano, que absurdo! Eu sou Palmeirense roxo! Somos campeões não perdedores.
Bateu uma vontade de pescar, meu pai e minha mãe me levaram no pesque-pague e, peguei um peixe corintiano, por isso que o peixe tava com uma cara de tonto, ele era tão feio que nem deveriam cobrar aquele peixe com cara de idiota, por isso que era corintiano, mas deu pra divertir, além disso, não peguei só aquele peixe, peguei mais dois ”estes eram Palmeirense”, estes sim eram bonitos, estes eu podia pagar e, assim, acabou a pescaria aquele dia.
Depois meu tio Fábio me convidou para um churrasco na casa dele, eu queria carne mal passada, que nós apelidamos de “aquela” e, assim, foi uma boa parte da minha vida.
Cerqueira César-SP, 29/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"
Depoimento de Viviani, mãe de Vítor:
"Relembrando...
No dia 28 de abril foi diagnosticado o tumor que o Vitor tinha, um tumor na medula, era num sábado e chegamos no Hospital da UNESP em Botucatu - SP a noitinha, eu fui para o quarto do hospital com meu filho Vitor e, logo em seguida vieram os médicos da neurocirurgia falar comigo.
Neste momento eu estava sozinha com o Vitor, estava neste quarto desde sexta-feira (27/04/2007), dia em que o Vitor foi hospitalizado pela 1ª vez.Neste quarto ficavam mais crianças também. Era um quarto tipo pré-atendimento, um lugar onde a gente ficou até descobrir o que o Vitor tinha. E então, como ia lhe dizendo, os médicos da neurocirurgia vieram me falar a respeito de como seria a cirurgia, do tempo que iria demorar do risco que o Vitor correria e, também, de suas prováveis seqüelas. Meus Deus! Eu ouvi tudo aquilo de pé, isto mesmo, eu estava de pé, sozinha e passada com tudo o que estava acontecendo. Neste instante meu mundo desabou.
Vi a gravidade da doença e já temia a perda de meu filho. Não tinha outro jeito, diante dos fatos autorizei que fizessem a cirurgia a qual foi marcada para o dia 29/04/2007, num domingo, começaria pela manhã.
Como a vida nos prega cada peça!
Lembro que neste dia 29/04/2007 iria ter um churrasco da turma do futebol o qual o Carlos fazia parte, ele era o goleiro do time e o Vitor sempre o acompanhava nos jogos, sendo seu gandula. Neste dia os dois, o Vitor e o Carlos, iriam participar de um churrasco de confraternização com o pessoal do futebol. Tinha tudo para ser mais um final de semana feliz.
Me lembro também que, o Vitor estava esperando ansioso e feliz para o campeonato de pesca que iria ter no dia 01/05/2007 em nossa cidade, em comemoração ao Dia do Trabalho. Este campeonato sempre ocorreu em nossa cidade por conta desde 01/05 e, sempre levávamos as crianças e eles adoravam ver os peixes. Quem pescasse o peixe maior, menor, mais pesado e maior quantidade, recebiam troféus e presentes (vara de pesca, molinete, etc...). Também vendiam sorvetes, salgadinhos, churrasquinho e refrigerantes neste evento e, o Vitor adorava tudo isto. Coisas que crianças e adultos também gostam. Era um clima de muita festa, encontrávamos amigos e batíamos papo.
Por isso a preocupação do Vitor de ser operado naquele final de semana, pois ele iria perder o campeonato de pesca e, também, o churrasco com o pessoal do futebol.
Vitor estava medicado e por isso não tinha dores e apesar de tudo, ele estava tranqüilo e explicamos a ele sobre sua cirurgia com calma, mas lhe falando que tudo iria ficar bem e que ele ia estar dormindo e não sentiria nada e, assim que tirassem o tumor que estava em suas costas, ele não iria mais sentir dores.
Antes do Vitor ser operado, ele estava perdendo os movimentos de sua perna direita, quase não conseguia mais andar, por falta de equilíbrio. Foi o lado que o tumor começou a prejudicar a princípio, no começo de tudo.
No sábado dia 28/04, minha irmã Vanda que mora em Avaré-SP veio para Botucatu-SP junto com seu esposo Marcelo, meu cunhado de apelido “Turco”, assim que soube da gravidade da doença do Vitor e que ele seria operado. Ela veio para ficar comigo, naquela noite de sábado, antes da cirurgia. Na primeira noite que o Vitor ficou hospitalizado, em 27/04, fui eu quem dormiu com ele. Lá as mães e os pais que ficam com seus filhos, dormem sentados em cadeiras em péssimas condições (quebradas). Fico revoltada em saber que os deputados e senadores usufruem de melhor conforto do que os pais que estão com seus filhos nos leitos dos hospitais.
Também neste mesmo dia (28/04), o Carlos foi quem dormiu com o Vitor no Hospital e no dia seguinte, pela manhã, eles foram colocados em um quarto na enfermaria da pediatria com outras crianças que estavam lá internadas. Eu e minha irmã Vanda, tínhamos ido dormir na casa de minha prima de 2º grau, na casa da Vera e do Wanderley, os quais o Vitor chama carinhosamente em sua historinha de “mãezinha” e “Luxemburgo”, apelidos que o Vitor colocou carinhosamente e merecidamente neles, pois a Vera era uma mãe para nós e, o Wanderley se parece com o Luxemburgo que na época era técnico do Palmeiras. Eles nos ajudaram muito neste e em outras épocas, pois ficamos na casa deles por várias vezes quando o Vitor era hospitalizado, porque no Hospital da UNESP só podia dormir uma pessoa com o Vitor, então quando o Carlos dormia no hospital, eu ficava na casa deles e vice-versa.
Vera (mãezinha), Vítor e Wanderley (Luxemburgo)
A Vera (mãezinha) e suas irmãs Vilma e Vanda (irmã da Vera) , perderam sua mãe com câncer, minha tia Lola (tia de 2º grau). Por isso elas sabiam o que eu e o Carlos estávamos passando, elas nos deram muita força durante o período da doença do nosso guerreiro Vitor.
Quando cheguei ao hospital, na manhã do dia 29/04/2007, o Carlos já havia dado banho no Vitor e já tinha vestido ele com a roupa que iria para o centro cirúrgico.
Vendo meu filho com seu lindo cabelinho preto molhado e com um sorriso nos lábios e o Carlos ao seu lado, senti uma emoção muito forte que, só meu coração de mãe pode descrever, olhei-os e diante do risco que sabia que meu filho correria naquela cirurgia que iria se realizar, pedi a Deus que o protegesse e que não o levasse de mim.
Não queria me lembrar deste dia e daquela cena. Pai e filho juntos naquele quarto de hospital, num domingo que tinha tudo para eles estarem se divertindo no churrasco do pessoal do futebol. Neste momento que escrevo meus olhos se encheram de lágrimas e a saudade de meu filho se tornou mais forte e o amor que sinto pelo Carlos, meu esposo e pai dos meus filhos, se tornou mais forte também, pois com todo amor e carinho, ele cuidou e me ajudou a cuidar do Vitor em todos os momentos de sua vida.
Nossa família, meu pai e minha mãe, a mãe do Carlos, a Geni tia do Carlos, mais a irmã do Carlos, a Ana Lúcia e seu esposo Marcel, minha irmã Vânia e meu cunhado Beto, mais minha irmã Vanda e meu cunhado Marcelo, a Vera(mãezinha) e o Wanderley(Luxemburgo) e, a nossa filhinha Vivian, estavam todos conosco na sala de espera da UTI enquanto o Vitor estava sendo operado naquele dia tão difícil para todos nós e que mudou todos os nossos sonhos que tínhamos para o Vitor. Tenho certeza que Jesus também estava presente em nossas vidas naquele momento tão difícil, senão não teríamos sidos todos tão fortes. Durante a cirurgia, a cada uma hora, eles nos traziam noticiais de como estava nosso filho e, se a cirurgia estava transcorrendo bem. A cirurgia durou oito horas e, quando terminou, me lembro que o médico cirurgião veio falar comigo e com o Carlos e, neste momento, todos nossos familiares acima citados estavam conosco, inclusive nossa filha Vivian. Ele disse que tinham conseguido tirar 98% do tumor, mas que nós voltaríamos para casa com um bebê, usando fraldas e sem poder andar, ele também falou que ia depender muito da recuperação do Vitor e que isto ele não podia prever, somente com o passar do tempo para se ter certeza se o Vitor iria se recuperar ou não, isto é, voltar a andar. Ouvimos atentamente suas observações, com lágrimas nos olhos. Para nós andar seria o de menos, mas é lógico que não foi fácil para todos nós ouvirmos aquelas palavras vinda de um médico a respeito de nosso filho que já estava se tornando um homenzinho que adorava correr, andar de bicicleta, subir em árvores e principalmente jogar futebol, pois ainda não sabíamos se aquele tumor que havia sido retirado era benigno ou maligno e, se poderia voltar novamente. Conclusão: O pior estava por vir e, eu e o Carlos, não sabíamos ainda a gravidade da doença de nosso filho querido e amado Vitor.
Obs I: Peço desculpas se me esqueci de alguém que estava com a gente naquele dia da cirurgia do Vitor. Confesso que não me lembro muito bem daquele dia, pois estava muito nervosa com tudo o que estava se passando e, também, deram calmante para eu e o Carlos tomarmos.
Obs II: Quem não pôde estar com a gente lá em Botucatu-SP, ficou rezando e torcendo para que tudo desse certo com o Vitor durante e depois da cirurgia.
Continuo no próximo capítulo.
Viviani."
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
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Os grifos no texto de Vítor e de sua mãe é de responsabilidade deste blogueiro.
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sábado, 16 de outubro de 2010
Fotos e Relatos
Hoje farei uma pausa na história de nosso guerreiro.
Antes de dar continuidade na história do Vítor, achei pertinente postar mais depoimentos de sua mãe, falando de quando ainda era um bebê, e o período pré-doença.
Peço que leiam todo o texto da Viviane e façam uma reflexão que este blogueiro fez, que é a que devemos amar a todo instante todos que estão nos rodeando, pais, filhos, parentes queridos e amigos. Infelizmente não sabemos o dia de amanhã. Pode ser tarde e não saberemos.
"Como havia contado anteriormente, o Vitor quando nasceu foi direto para o bercinho aquecido, pois ele estava com dificuldade para respirar, havia engolido um pouco da sujeirinha durante o trabalho de parto. Ele ficou com sua testinha um pouco roxa ao nascer, mas graças a Deus ele ficou bem e viemos para casa e o Vitor crescia com muita saúde. Ele era um bebê tranqüilo e muito feliz. Vitor mamou no peito até dois anos e dois meses de idade. Quando o Vitor nasceu eu parei de trabalhar fora, pois eu trabalhava de fotógrafa e como era empregada não ganhava muito. Então não compensava continuar trabalhando e também eu mesmo queria cuidar do Vitor. Eu mesma fazia sua papinha e cuidava dele em tempo integral com a ajuda do Carlos que sempre foi um super pai, muito presente e participativo. Mesmo assim continuei a tirar fotos de alguns eventos, trabalhava por conta e então o Carlos era quem olhava o Vitor para eu sair fotografar.
Ironia do destino, eu sempre tirei muitas fotos dos meus filhos. Registrava tudo, tudo mesmo. Cada momento, cada sorriso e até seus machucados.
Ah! Eu conheci o pai do Vitor, meu esposo numa cerimônia religiosa enquanto eu fotografava um casamento o qual ele foi convidado. Tenho certeza que foi Deus que nos uniu para trazer ao mundo nosso filho Vitor, um espírito de muita luz e muita sabedoria.
Eu sabia que o Carlos seria um bom pai, pois ele gostava muito de crianças e brincava muito com meus sobrinhos. O Carlos ganhou até o apelido de “Tio Bichão” por causa dos bichos que imitava brincando na piscina, com as crianças pequenas da família, na época em que namorávamos. O Carlos sempre foi e é um super pai.
Bom, outro dia em conto mais sobre nós e nosso começo de vida a três, ou seja, eu, o Carlos e o Vitor. Afinal tenho certeza que este realmente é um tempo que o Vitor gostaria muito de reviver, um tempo que ele tinha muita saúde, corria, brincava, jogava bola e era muito feliz. Quem não quer reviver algo tão bom, não é mesmo! E confesso, sinto mais alegria em escrever sobre este tempo que nos foi e ainda nos é tão precioso. Dizem que recordar é viver, então eu vivo, ele vive, Certo!
Beijos nos corações. Viviani!"
O ano de 2007, antes da doença do Vitor!
"Vamos lá,...
O ano de 2007 tinha tudo para ser um ano cheio de alegrias e realizações.
Férias, janeiro de 2007 levamos as crianças para passear em Bauru-SP, fomos ao shopping e zoológico pela primeira vez. Chovia muito e a viagem em si foi uma aventura. Nesta época tínhamos um fusquinha verde e durante a viagem entrava água dentro dele e o Vitor e a Vivian tinham que ir com os pés em cima do banco do carro para não se molharem, sem contar que o Carlos errou o caminho e por isso a viagem ficou mais longa.
Levamos as crianças ao McDonald´s e ao Habib’s. Fomos ao cinema juntos pela primeira vez e assistimos o filme “Por água abaixo”, demos boas risadas. O Vitor estava já com seus 11 anos e a Vivian prestes a completar seus 8 aninhos em fevereiro de 2007.
Em 2007 foi o ano em que estávamos melhor financeiramente.
Desde 2005 eu comecei a vender lingerie, mas eu era comissionada, então resolvi que já era hora de me tornar independente e é por isso que também fomos a Bauru-SP neste dia para que eu fizesse minha 1ª compra de lingerie da marca Provence, neste dia o Vitor e a Vivian também estavam comigo. Sei que voltamos de Bauru-SP bem a noitinha e o Vitor e a Vivian dormiram no banco de trás do fusquinha. Eu e o Carlos olhamos um para o outro e sentimos emocionados por vê-los tão felizes, embora estivessem cansados.Naquele momento olhando para os nossos filhos, sentíamos muito abençoados por Deus e, sabíamos o quanto éramos felizes.
Realmente aquele dia foi muito especial para eles e principalmente para nós pais, por poder proporcionar a eles esta viagem.
O Vitor e a Vivian também brincaram muito no parquinho do shopping e eu para variar tirei muitas fotos deste dia inesquecível.
2007 também foi o ano que o Vitor e a Vivian foram para São Paulo – SP na casa de seus primos Daniel e Ana Amélia e, de lá, eles foram para Santos-SP conhecer a praia pela 1ª vez.
Também foi a primeira vez que eu e o Carlos ficamos longe das crianças.
Minha irmã Vânia, ou melhor, a tia Vânia mora em São Paulo-SP, ela é médica pediatra, foi ela quem ficou com o Vitor na UTI na 1ª noite, depois que ele saiu da cirurgia. Quando ele acordou da anestesia ele pediu uma Coca-Cola, mas ele ainda não podia beber nada.
Bem, quando as crianças me ligaram dizendo que estavam na praia, eu e o Carlos ficamos emocionados e gratos à minha irmã Vânia, ao meu cunhado Beto e aos meus sobrinhos Aninha e Daniel, por proporcionar aos nossos filhos aquele momento tão especial e feliz. Pena não estarmos lá para vermos suas carinhas de felicidade.
Voltaram para casa cheios de fotos e presentes para nós. Trouxeram também areia e conchinhas da praia de Santos – SP.
Foi sem dúvida mais uma viagem inesquecível para eles, é só ver as fotos que a gente não tem dúvidas disto.
Em 2007 o Vitor estava fazendo a 6ª série do primeiro grau, na Escola Professor José Leite Pinheiro e era muito querido pelas professoras, em especial pela Professora de Português chamada Benedita.
Vitor estava tendo um pouco de dificuldade com sua letra, ele sempre falava que a letra dele era feia e a professora pedia que ele melhorasse. Não sei ao certo, talvez já fosse reflexo de sua doença.
Um dia quando fui buscar o Vitor na escola e dei carona para seu amigo Wesley, o Vitor reclamou que o professor de Educação física deu um exercício muito difícil e que doeu suas costas e, então, o Wesley disse que ele também sentiu dores. Esta foi a primeira vez que me lembro do Vitor se queixar de dores nas costas. Me lembro que disse ao Vitor que da próxima vez que o professor mandasse fazer este exercício, ele não fizesse, explicando o porque. Então somente depois quando o Vitor começou a reclamar novamente, passado alguns dias, foi que o levamos ao médico e, como vocês poderão ler em sua historinha, foi somente através da ressonancia magnática que foi descoberto que ele tinha um tumor. Então era o tumor que o Vitor tinha que causava as dores, o tumor devia estar crescendo e comprimindo sua medula. Nunca poderiamos imaginar algo tão grave!
Como uma mãe como eu tão zelosa não percebi antes! Até hoje me faço esta pergunta.
Segundo minha irmã Léia, se nós tivéssemos descoberto antes o tumor do Vitor, isto é, antes dele começar a ter dor, o Vitor só teria sofrido mais.
O Vitor estava magrinho, mas como ele sempre foi magro e eu e o Carlos quando crianças também, achamos normal.
O Vitor se alimentava bem para a idade dele. Pelo menos eu achava. Ele sempre gostou de frutas e sua verdura preferida era alface. Quando pequeno, mais ou menos quando tinha 1 ano e meio, ele comia até quiabo.
Sempre tivemos em casa muitas frutas e verduras. Aliás nossa horta feita pelo Carlos foi uma condição imposta pelo Vitor quando mudamos para nossa casa própria em 1999. O Vitor disse que só se mudaria se seu pai fizesse uma horta no quintal da nossa casa nova e é claro, que o Carlos fez e, a nossa horta existe até hoje. O Vitor tinha somente 4 anos quando fez este pedido.
Nossas verduras sempre foram plantadas sem agrotóxicos, ou seja, verduras orgânicas.
Teve uma época que tínhamos bastante verdura e era comum o Vitor com sua bicicletinha verde sair vendendo alface para a vizinhança, sua irmã Vivian também o ajudava. O dinheirinho era dividido para eles ou colocado em nosso cofrinho. Tempo felizes!
Continuarei outro dia.
Sinto que devo escrever sobre nossa vida, sobre o Vitor principalmente e, o tempo em que ele esteve com a gente e tinha muita saúde.
Fiquem com Deus
Com carinho!
Viviani, mãe do Vitor.
Cerqueira César-SP, 15 de outubro de 2010."
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
Antes de dar continuidade na história do Vítor, achei pertinente postar mais depoimentos de sua mãe, falando de quando ainda era um bebê, e o período pré-doença.
Peço que leiam todo o texto da Viviane e façam uma reflexão que este blogueiro fez, que é a que devemos amar a todo instante todos que estão nos rodeando, pais, filhos, parentes queridos e amigos. Infelizmente não sabemos o dia de amanhã. Pode ser tarde e não saberemos.
"Como havia contado anteriormente, o Vitor quando nasceu foi direto para o bercinho aquecido, pois ele estava com dificuldade para respirar, havia engolido um pouco da sujeirinha durante o trabalho de parto. Ele ficou com sua testinha um pouco roxa ao nascer, mas graças a Deus ele ficou bem e viemos para casa e o Vitor crescia com muita saúde. Ele era um bebê tranqüilo e muito feliz. Vitor mamou no peito até dois anos e dois meses de idade. Quando o Vitor nasceu eu parei de trabalhar fora, pois eu trabalhava de fotógrafa e como era empregada não ganhava muito. Então não compensava continuar trabalhando e também eu mesmo queria cuidar do Vitor. Eu mesma fazia sua papinha e cuidava dele em tempo integral com a ajuda do Carlos que sempre foi um super pai, muito presente e participativo. Mesmo assim continuei a tirar fotos de alguns eventos, trabalhava por conta e então o Carlos era quem olhava o Vitor para eu sair fotografar.
Ironia do destino, eu sempre tirei muitas fotos dos meus filhos. Registrava tudo, tudo mesmo. Cada momento, cada sorriso e até seus machucados.
Ah! Eu conheci o pai do Vitor, meu esposo numa cerimônia religiosa enquanto eu fotografava um casamento o qual ele foi convidado. Tenho certeza que foi Deus que nos uniu para trazer ao mundo nosso filho Vitor, um espírito de muita luz e muita sabedoria.
Eu sabia que o Carlos seria um bom pai, pois ele gostava muito de crianças e brincava muito com meus sobrinhos. O Carlos ganhou até o apelido de “Tio Bichão” por causa dos bichos que imitava brincando na piscina, com as crianças pequenas da família, na época em que namorávamos. O Carlos sempre foi e é um super pai.
Bom, outro dia em conto mais sobre nós e nosso começo de vida a três, ou seja, eu, o Carlos e o Vitor. Afinal tenho certeza que este realmente é um tempo que o Vitor gostaria muito de reviver, um tempo que ele tinha muita saúde, corria, brincava, jogava bola e era muito feliz. Quem não quer reviver algo tão bom, não é mesmo! E confesso, sinto mais alegria em escrever sobre este tempo que nos foi e ainda nos é tão precioso. Dizem que recordar é viver, então eu vivo, ele vive, Certo!
Beijos nos corações. Viviani!"
O ano de 2007, antes da doença do Vitor!
"Vamos lá,...
O ano de 2007 tinha tudo para ser um ano cheio de alegrias e realizações.
Férias, janeiro de 2007 levamos as crianças para passear em Bauru-SP, fomos ao shopping e zoológico pela primeira vez. Chovia muito e a viagem em si foi uma aventura. Nesta época tínhamos um fusquinha verde e durante a viagem entrava água dentro dele e o Vitor e a Vivian tinham que ir com os pés em cima do banco do carro para não se molharem, sem contar que o Carlos errou o caminho e por isso a viagem ficou mais longa.
Levamos as crianças ao McDonald´s e ao Habib’s. Fomos ao cinema juntos pela primeira vez e assistimos o filme “Por água abaixo”, demos boas risadas. O Vitor estava já com seus 11 anos e a Vivian prestes a completar seus 8 aninhos em fevereiro de 2007.
Em 2007 foi o ano em que estávamos melhor financeiramente.
Desde 2005 eu comecei a vender lingerie, mas eu era comissionada, então resolvi que já era hora de me tornar independente e é por isso que também fomos a Bauru-SP neste dia para que eu fizesse minha 1ª compra de lingerie da marca Provence, neste dia o Vitor e a Vivian também estavam comigo. Sei que voltamos de Bauru-SP bem a noitinha e o Vitor e a Vivian dormiram no banco de trás do fusquinha. Eu e o Carlos olhamos um para o outro e sentimos emocionados por vê-los tão felizes, embora estivessem cansados.Naquele momento olhando para os nossos filhos, sentíamos muito abençoados por Deus e, sabíamos o quanto éramos felizes.
Realmente aquele dia foi muito especial para eles e principalmente para nós pais, por poder proporcionar a eles esta viagem.
O Vitor e a Vivian também brincaram muito no parquinho do shopping e eu para variar tirei muitas fotos deste dia inesquecível.
2007 também foi o ano que o Vitor e a Vivian foram para São Paulo – SP na casa de seus primos Daniel e Ana Amélia e, de lá, eles foram para Santos-SP conhecer a praia pela 1ª vez.
Também foi a primeira vez que eu e o Carlos ficamos longe das crianças.
Minha irmã Vânia, ou melhor, a tia Vânia mora em São Paulo-SP, ela é médica pediatra, foi ela quem ficou com o Vitor na UTI na 1ª noite, depois que ele saiu da cirurgia. Quando ele acordou da anestesia ele pediu uma Coca-Cola, mas ele ainda não podia beber nada.
Bem, quando as crianças me ligaram dizendo que estavam na praia, eu e o Carlos ficamos emocionados e gratos à minha irmã Vânia, ao meu cunhado Beto e aos meus sobrinhos Aninha e Daniel, por proporcionar aos nossos filhos aquele momento tão especial e feliz. Pena não estarmos lá para vermos suas carinhas de felicidade.
(Palavras do blogueiro: Escrever este post na hora do almoço vendo este prato é pura maldade...rsssss)
Voltaram para casa cheios de fotos e presentes para nós. Trouxeram também areia e conchinhas da praia de Santos – SP.
Foi sem dúvida mais uma viagem inesquecível para eles, é só ver as fotos que a gente não tem dúvidas disto.
Em 2007 o Vitor estava fazendo a 6ª série do primeiro grau, na Escola Professor José Leite Pinheiro e era muito querido pelas professoras, em especial pela Professora de Português chamada Benedita.
Vitor estava tendo um pouco de dificuldade com sua letra, ele sempre falava que a letra dele era feia e a professora pedia que ele melhorasse. Não sei ao certo, talvez já fosse reflexo de sua doença.
Um dia quando fui buscar o Vitor na escola e dei carona para seu amigo Wesley, o Vitor reclamou que o professor de Educação física deu um exercício muito difícil e que doeu suas costas e, então, o Wesley disse que ele também sentiu dores. Esta foi a primeira vez que me lembro do Vitor se queixar de dores nas costas. Me lembro que disse ao Vitor que da próxima vez que o professor mandasse fazer este exercício, ele não fizesse, explicando o porque. Então somente depois quando o Vitor começou a reclamar novamente, passado alguns dias, foi que o levamos ao médico e, como vocês poderão ler em sua historinha, foi somente através da ressonancia magnática que foi descoberto que ele tinha um tumor. Então era o tumor que o Vitor tinha que causava as dores, o tumor devia estar crescendo e comprimindo sua medula. Nunca poderiamos imaginar algo tão grave!
Como uma mãe como eu tão zelosa não percebi antes! Até hoje me faço esta pergunta.
Segundo minha irmã Léia, se nós tivéssemos descoberto antes o tumor do Vitor, isto é, antes dele começar a ter dor, o Vitor só teria sofrido mais.
O Vitor estava magrinho, mas como ele sempre foi magro e eu e o Carlos quando crianças também, achamos normal.
O Vitor se alimentava bem para a idade dele. Pelo menos eu achava. Ele sempre gostou de frutas e sua verdura preferida era alface. Quando pequeno, mais ou menos quando tinha 1 ano e meio, ele comia até quiabo.
Sempre tivemos em casa muitas frutas e verduras. Aliás nossa horta feita pelo Carlos foi uma condição imposta pelo Vitor quando mudamos para nossa casa própria em 1999. O Vitor disse que só se mudaria se seu pai fizesse uma horta no quintal da nossa casa nova e é claro, que o Carlos fez e, a nossa horta existe até hoje. O Vitor tinha somente 4 anos quando fez este pedido.
Nossas verduras sempre foram plantadas sem agrotóxicos, ou seja, verduras orgânicas.
Teve uma época que tínhamos bastante verdura e era comum o Vitor com sua bicicletinha verde sair vendendo alface para a vizinhança, sua irmã Vivian também o ajudava. O dinheirinho era dividido para eles ou colocado em nosso cofrinho. Tempo felizes!
Continuarei outro dia.
Sinto que devo escrever sobre nossa vida, sobre o Vitor principalmente e, o tempo em que ele esteve com a gente e tinha muita saúde.
Fiquem com Deus
Com carinho!
Viviani, mãe do Vitor.
Cerqueira César-SP, 15 de outubro de 2010."
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
A História de um Guerreiro de 12 anos - O começo de Tudo
Desde que decidi publicar a história de Vítor, achei que deveria sempre colocar seu texto em primeiro para em seguida os depoimentos de seus pais. Mas hoje peço licença ao nosso guerreiro para postar primeiramente o depoimento de sua mãe, Viviani que nos enviou um texto emocionante.
Antes de ver pela ótica do Vítor o início dos males que o levou ao fim de seu corpo físico, vale a pena ler pelas palavras de sua mãe o verdadeiro início, quando ela soube da gravidez e mais outros detalhes.
"Essa quem lhe escreve é a mãe do pequeno grande guerreiro Vitor.
Hoje acordei com o pensamento cheio de lembranças de meu querido, amado e inesquecível filho. Mas antes de falar mais sobre ele, achei que deveria contar-lhes um pouco de mim e de como o Vitor chegou em nossas vidas, isto é, de seu nascimento, pois este mês é o mês do aniversário deste grande guerreiro que, se estivesse aqui, estaria completando seus quinze anos de vida. Por isso achei que deveria falar sobre sua vinda para este mundo.
Na época eu tinha vinte e três anos e o Carlos trinta e três, nós namorávamos há apenas dois anos, mas estávamos muito apaixonados, sempre falávamos em ter filhos e o desejo do Carlos era ser pai. Apesar do Vitor não ter sido planejado, foi um filho que nós dois queríamos muito ter e o amamos desde o exato momento que descobrimos que eu estava grávida em 17 de março de 1995. Sem contar que, no dia 03 de março, eu já havia feito um exame e tinha dado negativo e então ficamos muito triste e, depois de 14 dias que repeti o exame, pois o Carlos me pediu que fizesse um exame de sangue, só então foi confirmada a gravidez para nossa alegria. Neste mesmo ano, no dia 03 de junho de 95, nos casamos e o Vitor já estava com a gente, tive uma gravidez tranqüila e preparamos tudo com muito amor e carinho para sua chegada, morávamos numa casa de aluguel que só tinha um quarto e então o bercinho do Vitor era do lado de nossa cama e ele dormia pertinho de mim. Ah! Que saudade!
Bem, então como era meu primeiro filho, decidi que iria esperar para ver se o Vitor nasceria de parto normal. Chegando o mês de outubro já estava tudo pronto para a chegada do Vitor. Um mês muito bonito particularmente para mim, pois é o mês de Nossa Senhora Aparecida, o qual eu e meu esposo somos devotos e, coincidência ou não, o Vitor sempre gostou muito de Nossa Senhora e, sempre estava colocando suas fitinhas no braço e fazia seus pedidos, principalmente no período de sua doença, é também o mês do dia das crianças e o aniversário de nossa cidade chamada Cerqueira César-SP.
Na verdade, o Vitor estava previsto para nascer no mês de novembro, pelas contas do meu médico, mas o Vitor adiantou quinze dias. Me lembro que comecei sentir-me mal uns quatro dias antes dele nascer, fui para o Hospital de Avaré-SP e até me prepararam para fazer o parto, mas ainda não era a hora e o médico me mandou de volta para casa e disse que era para eu prestar atenção aos movimentos do meu bebê, ou seja, do Vitor. Eu e o Carlos ficamos muito preocupados e, então, eu colocava um palhacinho que tocava musiquinha em cima da minha barriga para que o Vitor ouvisse e assim ele mexia e nós nos acalmávamos.
No dia 24 de outubro, passei por consulta médica e, então, foi colhido o líquido da placenta o que indicou que estava na hora do Vitor nascer. Fui internada para ganhar o Vitor de parto normal, mas eu não estava tendo dilatação e, o Vitor e eu começamos a sofrer, então a cesariana teve que ser de emergência e foi assim que o Vitor nasceu no dia 25 de outubro de 1995, às 03h15min, pesando 2.950 gramas e com 46 centímetros. Nem pude ver ele direito pois ele teve que ir rápido para o bercinho aquecido. Quase o perdi no dia que ele nasceu, mas sua missão ainda era um pouco maior e eu tive a benção de ter meu filho comigo por 12 anos e 11 meses. E é por isso que hoje vocês estão tendo a oportunidade de ler sobre meu filho Vitor, porque ele nasceu, viveu, foi muito amado, feliz, muito amou e muitas alegrias no deu, mas infelizmente sofreu com sua doença, a qual o levou tão cedo de nós, mas ele muito nos ensinou e uma grande lição de vida a todos deixou.
Um detalhe muito especial foi que quando soubemos pela ultrassonografia de que iríamos ter um menininho foi que o Carlos, mesmo antes do Vitor nascer, comprou para ele a camiseta oficial do Palmeiras. A camisetinha do Verdão ficava dentro do bercinho do Vitor a espera do pequeno Palmeirense. Vitor tem muitas fotos com este camiseta que foi a primeira camiseta que ele vestiu. Sua irmã Vivian também já usou a mesma camiseta e, até a Clarinha que nasceu em 19 de janeiro deste ano, pode também vestir a mesma camiseta que seu irmão Vitor ganhou de seu pai, há quinze anos atrás.
Vou enviar fotos dele e de suas irmãs, com a mesma camiseta, assim que possível.
Como pode ver, Vitor já nasceu Palmeirense e suas irmãs também.
Com todo o meu amor e carinho de mãe, escrevi estas palavras com o coração cheio de afeto e saudades, de um tempo que nos foi tão especial e que, nem mesmo a distância e a morte do corpo físico de meu filho, (porque acredito que o espírito dele está vivo, esteja onde estiver, estará sempre ao meu lado para me dar forças a continuar a minha missão de mãe), poderá apagar ou fazer-nos esquecer do imenso amor que sentimos um pelo outro.
Foi com o Vitor que me tornei mãe pela 1ª vez e, foi com ele que aprendi a ser mãe e, tenho certeza que fiz o melhor que pude, sempre procurei passar bons princípios e valores para ele, ensinando a respeitar desde pequeno os animais, os mais velhos, etc... tendo sempre respeito pela vida. Éramos felizes com coisas simples, como brincar em um parquinho, ir a prainha, tomar café e almoçar na casa da vó Maria e brincar com seus primos no quintal da casa de sua avó e vô Zé e, também de ir de pescar com seu pai e avô Zé.
Também, sempre rezávamos juntos antes de dormir, uma oração para o anjo da guarda dele.
Sou Viviani, filha, esposa, mãe amorosa e dedicada e é claro Palmeirense!
Obs: outro dia escreverei mais.
Cerqueira César-SP, 14 de outubro de 2010."
Voltei para casa e tomei um banho, comecei a receber visitas de tios e avós; depois comi uma comida muito boa que minha mãe preparou para mim. Fui dormir, acordei a noite com dor nas costas, não podíamos fazer nada para melhorar, só no outro dia eles me levariam para Botucatu, fazer a ressonância magnética para ver o que ia dar; foi difícil dormir, mas consegui. No outro dia, acordei sem conseguir andar direito; mamãe e papai ficaram desesperados comigo, então, fomos eu, tio Zezito, papai e mamãe para Botucatu, bem cedinho, para ser consultado pelos médicos de lá.
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
Antes de ver pela ótica do Vítor o início dos males que o levou ao fim de seu corpo físico, vale a pena ler pelas palavras de sua mãe o verdadeiro início, quando ela soube da gravidez e mais outros detalhes.
"Essa quem lhe escreve é a mãe do pequeno grande guerreiro Vitor.
Hoje acordei com o pensamento cheio de lembranças de meu querido, amado e inesquecível filho. Mas antes de falar mais sobre ele, achei que deveria contar-lhes um pouco de mim e de como o Vitor chegou em nossas vidas, isto é, de seu nascimento, pois este mês é o mês do aniversário deste grande guerreiro que, se estivesse aqui, estaria completando seus quinze anos de vida. Por isso achei que deveria falar sobre sua vinda para este mundo.
Na época eu tinha vinte e três anos e o Carlos trinta e três, nós namorávamos há apenas dois anos, mas estávamos muito apaixonados, sempre falávamos em ter filhos e o desejo do Carlos era ser pai. Apesar do Vitor não ter sido planejado, foi um filho que nós dois queríamos muito ter e o amamos desde o exato momento que descobrimos que eu estava grávida em 17 de março de 1995. Sem contar que, no dia 03 de março, eu já havia feito um exame e tinha dado negativo e então ficamos muito triste e, depois de 14 dias que repeti o exame, pois o Carlos me pediu que fizesse um exame de sangue, só então foi confirmada a gravidez para nossa alegria. Neste mesmo ano, no dia 03 de junho de 95, nos casamos e o Vitor já estava com a gente, tive uma gravidez tranqüila e preparamos tudo com muito amor e carinho para sua chegada, morávamos numa casa de aluguel que só tinha um quarto e então o bercinho do Vitor era do lado de nossa cama e ele dormia pertinho de mim. Ah! Que saudade!
Bem, então como era meu primeiro filho, decidi que iria esperar para ver se o Vitor nasceria de parto normal. Chegando o mês de outubro já estava tudo pronto para a chegada do Vitor. Um mês muito bonito particularmente para mim, pois é o mês de Nossa Senhora Aparecida, o qual eu e meu esposo somos devotos e, coincidência ou não, o Vitor sempre gostou muito de Nossa Senhora e, sempre estava colocando suas fitinhas no braço e fazia seus pedidos, principalmente no período de sua doença, é também o mês do dia das crianças e o aniversário de nossa cidade chamada Cerqueira César-SP.
Na verdade, o Vitor estava previsto para nascer no mês de novembro, pelas contas do meu médico, mas o Vitor adiantou quinze dias. Me lembro que comecei sentir-me mal uns quatro dias antes dele nascer, fui para o Hospital de Avaré-SP e até me prepararam para fazer o parto, mas ainda não era a hora e o médico me mandou de volta para casa e disse que era para eu prestar atenção aos movimentos do meu bebê, ou seja, do Vitor. Eu e o Carlos ficamos muito preocupados e, então, eu colocava um palhacinho que tocava musiquinha em cima da minha barriga para que o Vitor ouvisse e assim ele mexia e nós nos acalmávamos.
No dia 24 de outubro, passei por consulta médica e, então, foi colhido o líquido da placenta o que indicou que estava na hora do Vitor nascer. Fui internada para ganhar o Vitor de parto normal, mas eu não estava tendo dilatação e, o Vitor e eu começamos a sofrer, então a cesariana teve que ser de emergência e foi assim que o Vitor nasceu no dia 25 de outubro de 1995, às 03h15min, pesando 2.950 gramas e com 46 centímetros. Nem pude ver ele direito pois ele teve que ir rápido para o bercinho aquecido. Quase o perdi no dia que ele nasceu, mas sua missão ainda era um pouco maior e eu tive a benção de ter meu filho comigo por 12 anos e 11 meses. E é por isso que hoje vocês estão tendo a oportunidade de ler sobre meu filho Vitor, porque ele nasceu, viveu, foi muito amado, feliz, muito amou e muitas alegrias no deu, mas infelizmente sofreu com sua doença, a qual o levou tão cedo de nós, mas ele muito nos ensinou e uma grande lição de vida a todos deixou.
Um detalhe muito especial foi que quando soubemos pela ultrassonografia de que iríamos ter um menininho foi que o Carlos, mesmo antes do Vitor nascer, comprou para ele a camiseta oficial do Palmeiras. A camisetinha do Verdão ficava dentro do bercinho do Vitor a espera do pequeno Palmeirense. Vitor tem muitas fotos com este camiseta que foi a primeira camiseta que ele vestiu. Sua irmã Vivian também já usou a mesma camiseta e, até a Clarinha que nasceu em 19 de janeiro deste ano, pode também vestir a mesma camiseta que seu irmão Vitor ganhou de seu pai, há quinze anos atrás.
Vou enviar fotos dele e de suas irmãs, com a mesma camiseta, assim que possível.
Como pode ver, Vitor já nasceu Palmeirense e suas irmãs também.
Com todo o meu amor e carinho de mãe, escrevi estas palavras com o coração cheio de afeto e saudades, de um tempo que nos foi tão especial e que, nem mesmo a distância e a morte do corpo físico de meu filho, (porque acredito que o espírito dele está vivo, esteja onde estiver, estará sempre ao meu lado para me dar forças a continuar a minha missão de mãe), poderá apagar ou fazer-nos esquecer do imenso amor que sentimos um pelo outro.
Foi com o Vitor que me tornei mãe pela 1ª vez e, foi com ele que aprendi a ser mãe e, tenho certeza que fiz o melhor que pude, sempre procurei passar bons princípios e valores para ele, ensinando a respeitar desde pequeno os animais, os mais velhos, etc... tendo sempre respeito pela vida. Éramos felizes com coisas simples, como brincar em um parquinho, ir a prainha, tomar café e almoçar na casa da vó Maria e brincar com seus primos no quintal da casa de sua avó e vô Zé e, também de ir de pescar com seu pai e avô Zé.
Também, sempre rezávamos juntos antes de dormir, uma oração para o anjo da guarda dele.
Sou Viviani, filha, esposa, mãe amorosa e dedicada e é claro Palmeirense!
Obs: outro dia escreverei mais.
Cerqueira César-SP, 14 de outubro de 2010."
Emocionante, para dizer o mínimo, mas agora vamos para a continuação do texto de nosso guerreiro.
"O Começo de Tudo
No dia 25/04/07 eu fui para Escola, até o recreio estava tudo normal, chegou as duas últimas aulas de história, a aula que eu mais gosto, com minha professora Neiva, eu já comecei sentir algo de estranho nas minhas pernas, eu pensei que fosse cansaço.
E voltando para minha casa, eu fui brincando que eu era um bêbado, porque eu ia tropeçando em qualquer coisa. Então decidi passar na casa da minha avó e de meu avô, minha avó pegou um aparelho de fazer massagem e passou nas minhas costas pra ver se melhorava a dor, depois disso aproveitei que meu primo Renatinho estava na minha vovó e joguei bola com ele, mesmo estando com as pernas bêbadas consegui jogar, até ganhei, mas levei uns “frangos”.
Depois paramos de jogar bola e fomos jogar um jogo de tabuleiro, depois minha mãe me levou para o hospital, para o doutor me ver e tentar descobrir o que seria a dor. O nome dele era Doutor Carlos, ele falou que era dor muscular, além disso, lá eu vi um homem que se engasgou com um osso de porco e, precisava fazer uma cirurgia para tirar, me deu calafrios de ver aquilo, depois fui embora.
Dormi, acordei no outro dia com as pernas muito bambas, quase caindo e cansando muito para andar. Minha mãe ligou para tia Léia e combinaram de me levar para o hospital de Avaré para os médicos me verem. No hospital, titia Léia teve que me levar no colo até lá no hospital, o médico deu umas marteladas no meu joelho, para ver o meu reflexo. Ele me encaminhou para uma Clínica que não deu muito certo, estava cheia.
Daí me levaram para uma outra Clínica particular, o doutor me viu andando e, de cara falou que tinha algo comprimindo a minha medula e, poderia ser uma hérnia de disco. Minha mãe ficou muitíssima preocupada comigo, já ligou para tia Vânia, para sua mãe e para todo mundo dando a notícia, daí o doutor já pediu uma ressonância magnética de situação de emergência para o outro dia; então eu faria a ressonância magnética.
Voltei para casa e tomei um banho, comecei a receber visitas de tios e avós; depois comi uma comida muito boa que minha mãe preparou para mim. Fui dormir, acordei a noite com dor nas costas, não podíamos fazer nada para melhorar, só no outro dia eles me levariam para Botucatu, fazer a ressonância magnética para ver o que ia dar; foi difícil dormir, mas consegui. No outro dia, acordei sem conseguir andar direito; mamãe e papai ficaram desesperados comigo, então, fomos eu, tio Zezito, papai e mamãe para Botucatu, bem cedinho, para ser consultado pelos médicos de lá.Cerqueira César - SP, 01/05/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}"
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A História de um Guerreiro de 12 anos - Capítulo I
Após fazer a introdução sobre a história de Vítor, hoje segue o primeiro capítulo, que apesar de curto, mostra o quanto Vítor era um menino alegre e ativo, comenta sobre suas brincadeiras favoritas com seus primos.
"Minha Infância
As Minhas Três Melhores Brincadeiras
I. Eu costumava brincar com meus primos Rodrigo e Renatinho de experiência, nós três fingíamos ser cientistas e de criarmos fórmulas secretas para matar as formigas, os matos e algumas pragas que davam nas verduras da horta do quintal do meu avô.
Nós colocávamos folhas de rosa, folhas de pé de morango, folhas podres de alface, areia, detergente, de vez em quando nós conseguíamos um pouco de álcool, (só um pouquinho), folhas de jornal etc. Então nós colocávamos dentro de uma garrafa de refrigerante de 2 litros, mexíamos e fechávamos bem a garrafa e, depois, nós subíamos em cima do pé de manga, amarrávamos a garrafa e a deixávamos lá.
Meus primos iam embora para a cidade deles que é Sorocaba, daí eles demoravam mais ou menos um mês pra vir de novo para Cerqueira César, nós só íamos abrir a garrafa depois que eles viessem pra cá. A garrafa ficaria um mês pendurada para fazer efeito mais forte e, quando eles voltaram para a casa da minha vovó, nos três subíamos juntos na árvore de manga e, então, abríamos a garrafa que estava com um líquido preto, ficou assim com o tempo. Então, nos três juntos íamos procurar formigas e, quando achávamos, jogávamos o líquido preto em cima delas para ver se a experiência deu certo. Assim era a brincadeira que nos brincávamos e ainda brincamos.
II. Eu e meus dois primos, Rodrigo e Renatinho, brincávamos e ainda brincamos de corrida de tatu bola na casa da minha avó e avô. Nós procurávamos tatu bolinha no quintal. Cada um escolhia um tatu bolinha. Nós os pegávamos debaixo de pedras, dos vasos de flores da minha vovó. Cada um com seu tatu bolinha e, dávamos um nome para eles. O vencedor da corrida ganhava uma bala, já os perdedores, entregavam o seu tatu bolinha para as galinhas comerem. Os perdedores iam pegar outro tatu bolinha, enquanto o vencedor chupava a sua bala.
III. Nós três (eu, Rodrigo e Renatinho) brincávamos de bola. Nós fizemos um campeonato, com uma tabela. Cada um encarava o outro. No final, quem acumulava mais pontos vencia e, o vencedor, ganhava doces da minha avó Maria."
Cerqueira César - SP, 29/04/2008.
Para finalizar este primeiro capítulo, algumas palavras da mãe do Vítor.
"Minha Infância
As Minhas Três Melhores Brincadeiras
I. Eu costumava brincar com meus primos Rodrigo e Renatinho de experiência, nós três fingíamos ser cientistas e de criarmos fórmulas secretas para matar as formigas, os matos e algumas pragas que davam nas verduras da horta do quintal do meu avô.
Nós colocávamos folhas de rosa, folhas de pé de morango, folhas podres de alface, areia, detergente, de vez em quando nós conseguíamos um pouco de álcool, (só um pouquinho), folhas de jornal etc. Então nós colocávamos dentro de uma garrafa de refrigerante de 2 litros, mexíamos e fechávamos bem a garrafa e, depois, nós subíamos em cima do pé de manga, amarrávamos a garrafa e a deixávamos lá.
Meus primos iam embora para a cidade deles que é Sorocaba, daí eles demoravam mais ou menos um mês pra vir de novo para Cerqueira César, nós só íamos abrir a garrafa depois que eles viessem pra cá. A garrafa ficaria um mês pendurada para fazer efeito mais forte e, quando eles voltaram para a casa da minha vovó, nos três subíamos juntos na árvore de manga e, então, abríamos a garrafa que estava com um líquido preto, ficou assim com o tempo. Então, nos três juntos íamos procurar formigas e, quando achávamos, jogávamos o líquido preto em cima delas para ver se a experiência deu certo. Assim era a brincadeira que nos brincávamos e ainda brincamos.
II. Eu e meus dois primos, Rodrigo e Renatinho, brincávamos e ainda brincamos de corrida de tatu bola na casa da minha avó e avô. Nós procurávamos tatu bolinha no quintal. Cada um escolhia um tatu bolinha. Nós os pegávamos debaixo de pedras, dos vasos de flores da minha vovó. Cada um com seu tatu bolinha e, dávamos um nome para eles. O vencedor da corrida ganhava uma bala, já os perdedores, entregavam o seu tatu bolinha para as galinhas comerem. Os perdedores iam pegar outro tatu bolinha, enquanto o vencedor chupava a sua bala.
III. Nós três (eu, Rodrigo e Renatinho) brincávamos de bola. Nós fizemos um campeonato, com uma tabela. Cada um encarava o outro. No final, quem acumulava mais pontos vencia e, o vencedor, ganhava doces da minha avó Maria."
Cerqueira César - SP, 29/04/2008.
Para finalizar este primeiro capítulo, algumas palavras da mãe do Vítor.
"Vitor,
Os dias voam
Os pensamentos passam
Tal como as nuvens
Mas tu filho, ficas
Ficas sempre
Dentro de mim,
Do meu coração,
Da Minha alma.
Tal como o sol
E a lua
Que ficam sempre
No céu."
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
A História de um Guerreiro de 12 anos - Introdução
A vida costuma nos pregar peças à todo instante. Muitas agradáveis e outras nem tanto, mas o mais importante aproveitá-las e tirar as lições.
Navegando pela internet na semana passada, deparei-me com a história de Vitor Lovison do Amaral, que escreveu os últimos capítulos de sua vida. O que teria tudo para ser triste e trágico, mostrou-se como algo maravilhoso, pois o garoto mesmo perdendo pouco a pouco suas energias, sempre demonstrou amor à vida e a família, além da paixão pela Sociedade Esportiva Palmeiras.
Vou postar a cada dia um capítulo escrito por Vitor, iniciando a partir de amanhã. Pedi ao seu pai, Sr. Carlos Alberto do Amaral, alguns comentários. Para os que acompanharem este texto e os seguintes, peço que procurem sentir toda a vivacidade do garoto e perceberem o quanto o Palmeiras fazia parte de sua vida.
Primeiros depoimentos de seus pais:
"Olá Marcelo!
Gostamos da idéia de colocar a cada dia um capítulo da historinha do Vitor!
Não é fácil voltar naquele dia e relembrar os momentos difíceis que passamos, pois nosso filho até então sempre teve muita saúde, nunca havia ficado internado antes, raramente ficava resfriado, era um menino esperto, muito bonito, alegre e inteligente. Jogava bola, jogava bocha na casa de seu avó, ia para a escola, era independente.Nós éramos uma família feliz com nosso casal de filhos (Vitor e Vivian) e sabíamos disso e, de repente, sentimos como se o chão tivesse saído de nossos pés. Como foi tudo tão rápido, tivemos que ser fortes para socorrer nosso filho no que era preciso, mesmo estando com o coração sangrando, precisávamos passar tranquilidade e confiança que tudo ia ficar bem. Tivemos o apóio de nossa família em todos os momentos difíceis. Na verdade, nós no começo achávamos que era uma dor do crescimento ou até mesmo que ele havia se machucado jogando bola com os primos no final de semana que estavámos todo reunidos na casa de minha cunhada Vânia, irmã da Viviani, por ocasião do aniversário de nossa sobrinha Ana Amélia e ele havia jogado bola com os primos. As vezes podia ter se machucado e não nos ter falado nada a respeito. Eu não imaginava que fosse algo grave mas quem percebeu mesmo foi minha sogra (a avó Maria) que falou para minha esposa levar o Vitor no pronto socorro e que não esperasse até sexta feira que era o dia que iríamos levá-lo no ortopedista em Piraju-SP.
No dia que foi feito a ressonância em Bauru-SP e foi diagnosticado que era mesmo um tumor, choramos muito, mas longe do Vitor que estava com sua tia Léia na ambulância que já retornava para Botucatu-SP. Eu e minha esposa estávamos no carro com nosso cunhado Fábio, esposo da Léia e nós três voltamos chorando para o hospital da UNESP de Botucatu-SP sem saber que o pior estava ainda por vir e, graças a Deus a tia Léia de nervoso ria e conseguiu distrair o Vitor que voltava de ambulância com ela. Não é fácil para nós revivermos um capítulo tão doloroso em nossas vidas, como foi toda a trajetória da doença do Vitor, espero que nos compreenda.
Para você ter uma idéia, o Vitor após fazer a ressonância quis comer salgadinho o tomar guaraná, não tendo noção da gravidade de sua doença até então. Nosso sentimento então, do começo ao fim, foi de saber que infelizmente os pais não podem sofrer no lugar de seus filhos e nem dar a vida por eles mesmo querendo. Nos sentimos impotentes diante daquela doença que mesmo se tivessemos todo o dinheiro do mundo, não adiantaria para salvar nosso filho, pois ainda não existe cura para este tipo de tumor o qual o Vitor teve."
Agora uma breve introdução de seus pais para amanhã iniciar o texto do grande Vitor, A História de um Guerreiro de 12 anos.
"Vitor, um menino de apenas 12 anos, que escreveu sua própria história, onde traçou toda a trajetória da sua doença, e que nunca desistiu da vida. Este jovem guerreiro gostava de escrever, de jogar vídeo-game, de informática, e de pescar, além de ser um palmeirense roxo... Já na escola, sempre gostou das letras, e quando começou a escrever sobre a história da sua vida e da sua doença, também deu o título a mesma: História de Um Guerreiro de 12 Anos.
Ele tinha razão quando escolheu esse título, pois vamos ler a história fascinante e emocionante de um grande guerreiro.
Vitor nasceu no dia 25/10/1995, na cidade de Avaré, e desencarnou no dia 21/09/2008, na cidade de Cerqueira César.
Sua passagem foi serena. Quando ele partiu se encontrava em seu quarto, em sua cama, e ao lado das pessoas que mais o amaram nesta vida.
Vitor deixou uma lição de vida muito bonita para todos aqueles que o conheceram e, principalmente para nós, seus pais e sua irmã Vivian de apenas nove anos, e a todos os seus familiares e amigos. Deixando suas últimas palavras gravadas na porta de seu quarto, que foram escritas com adesivos, que são: “Acreditem em si mesmo” e, “Eu amo minha família”. (Vitor)
OBS.: Nada foi alterado no texto abaixo, somente algumas correções ortográficas e de pontuação foram feitas, pois Vitor tinha apenas 12 anos, e o mesmo pedia que seu pai fizesse as correções para ele."
Hoje foi apenas uma introdução para a história do Vitor, nosso guerreiro palmeirense. O primeiro capítulo será postado amanhã. Volto a salientar a importância de observar como um garoto de apenas 12 anos pode nos ensinar tanta coisa.
Meus amigos, se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarăo muito felizes.
carlosalbertodoamaral@hotmail.com
Navegando pela internet na semana passada, deparei-me com a história de Vitor Lovison do Amaral, que escreveu os últimos capítulos de sua vida. O que teria tudo para ser triste e trágico, mostrou-se como algo maravilhoso, pois o garoto mesmo perdendo pouco a pouco suas energias, sempre demonstrou amor à vida e a família, além da paixão pela Sociedade Esportiva Palmeiras.
Vou postar a cada dia um capítulo escrito por Vitor, iniciando a partir de amanhã. Pedi ao seu pai, Sr. Carlos Alberto do Amaral, alguns comentários. Para os que acompanharem este texto e os seguintes, peço que procurem sentir toda a vivacidade do garoto e perceberem o quanto o Palmeiras fazia parte de sua vida.
Primeiros depoimentos de seus pais:
"Olá Marcelo!
Gostamos da idéia de colocar a cada dia um capítulo da historinha do Vitor!
Não é fácil voltar naquele dia e relembrar os momentos difíceis que passamos, pois nosso filho até então sempre teve muita saúde, nunca havia ficado internado antes, raramente ficava resfriado, era um menino esperto, muito bonito, alegre e inteligente. Jogava bola, jogava bocha na casa de seu avó, ia para a escola, era independente.Nós éramos uma família feliz com nosso casal de filhos (Vitor e Vivian) e sabíamos disso e, de repente, sentimos como se o chão tivesse saído de nossos pés. Como foi tudo tão rápido, tivemos que ser fortes para socorrer nosso filho no que era preciso, mesmo estando com o coração sangrando, precisávamos passar tranquilidade e confiança que tudo ia ficar bem. Tivemos o apóio de nossa família em todos os momentos difíceis. Na verdade, nós no começo achávamos que era uma dor do crescimento ou até mesmo que ele havia se machucado jogando bola com os primos no final de semana que estavámos todo reunidos na casa de minha cunhada Vânia, irmã da Viviani, por ocasião do aniversário de nossa sobrinha Ana Amélia e ele havia jogado bola com os primos. As vezes podia ter se machucado e não nos ter falado nada a respeito. Eu não imaginava que fosse algo grave mas quem percebeu mesmo foi minha sogra (a avó Maria) que falou para minha esposa levar o Vitor no pronto socorro e que não esperasse até sexta feira que era o dia que iríamos levá-lo no ortopedista em Piraju-SP.
No dia que foi feito a ressonância em Bauru-SP e foi diagnosticado que era mesmo um tumor, choramos muito, mas longe do Vitor que estava com sua tia Léia na ambulância que já retornava para Botucatu-SP. Eu e minha esposa estávamos no carro com nosso cunhado Fábio, esposo da Léia e nós três voltamos chorando para o hospital da UNESP de Botucatu-SP sem saber que o pior estava ainda por vir e, graças a Deus a tia Léia de nervoso ria e conseguiu distrair o Vitor que voltava de ambulância com ela. Não é fácil para nós revivermos um capítulo tão doloroso em nossas vidas, como foi toda a trajetória da doença do Vitor, espero que nos compreenda.
Para você ter uma idéia, o Vitor após fazer a ressonância quis comer salgadinho o tomar guaraná, não tendo noção da gravidade de sua doença até então. Nosso sentimento então, do começo ao fim, foi de saber que infelizmente os pais não podem sofrer no lugar de seus filhos e nem dar a vida por eles mesmo querendo. Nos sentimos impotentes diante daquela doença que mesmo se tivessemos todo o dinheiro do mundo, não adiantaria para salvar nosso filho, pois ainda não existe cura para este tipo de tumor o qual o Vitor teve."
Agora uma breve introdução de seus pais para amanhã iniciar o texto do grande Vitor, A História de um Guerreiro de 12 anos.
"Vitor, um menino de apenas 12 anos, que escreveu sua própria história, onde traçou toda a trajetória da sua doença, e que nunca desistiu da vida. Este jovem guerreiro gostava de escrever, de jogar vídeo-game, de informática, e de pescar, além de ser um palmeirense roxo... Já na escola, sempre gostou das letras, e quando começou a escrever sobre a história da sua vida e da sua doença, também deu o título a mesma: História de Um Guerreiro de 12 Anos.
Ele tinha razão quando escolheu esse título, pois vamos ler a história fascinante e emocionante de um grande guerreiro.
Vitor nasceu no dia 25/10/1995, na cidade de Avaré, e desencarnou no dia 21/09/2008, na cidade de Cerqueira César.
Sua passagem foi serena. Quando ele partiu se encontrava em seu quarto, em sua cama, e ao lado das pessoas que mais o amaram nesta vida.
Vitor deixou uma lição de vida muito bonita para todos aqueles que o conheceram e, principalmente para nós, seus pais e sua irmã Vivian de apenas nove anos, e a todos os seus familiares e amigos. Deixando suas últimas palavras gravadas na porta de seu quarto, que foram escritas com adesivos, que são: “Acreditem em si mesmo” e, “Eu amo minha família”. (Vitor)
OBS.: Nada foi alterado no texto abaixo, somente algumas correções ortográficas e de pontuação foram feitas, pois Vitor tinha apenas 12 anos, e o mesmo pedia que seu pai fizesse as correções para ele."
Hoje foi apenas uma introdução para a história do Vitor, nosso guerreiro palmeirense. O primeiro capítulo será postado amanhã. Volto a salientar a importância de observar como um garoto de apenas 12 anos pode nos ensinar tanta coisa.
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O Malware Gazetaesportiva
Que as publicações do extinto jornal e hoje apenas site Gazeta Esportiva são fracas e tendenciosas todos nós sabemos, mas hoje fui surpreendido com a ameaça de "Malware".
Cuidado, pois além de receberem péssimas e falsas notícias, você pode ter teu computador prejudicado.
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